{"id":21041,"date":"2020-04-24T22:33:30","date_gmt":"2020-04-25T01:33:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=21041"},"modified":"2020-04-24T22:34:38","modified_gmt":"2020-04-25T01:34:38","slug":"uma-casa-e-uma-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/uma-casa-e-uma-casa\/","title":{"rendered":"Uma casa \u00e9 uma casa?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Ed. Vasco, arquiteto e designer de interiores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um texto sobre o Covid-19. N\u00e3o \u00e9 um texto sobre dores, medo, desesperan\u00e7a, ang\u00fastias, ansiedades, pavor, falta de sa\u00fade, falta de amor, falta de abra\u00e7os, falta de beijos, faltas. Penso que todos n\u00f3s estamos saturados de m\u00e1s not\u00edcias, n\u00e3o \u00e9? Vamos falar de coisa boa? Ent\u00e3o, \u00e9 sobre amor e casa, palavras t\u00e3o diferentes, mas que se amalgamam.<\/p>\n\n\n\n<p>Se para muitos a casa \u00e9 um lugar quase santo, templo de paz, b\u00ean\u00e7\u00e3os, alegrias, para outros \u00e9 motivo de pavor, medo, desgastes f\u00edsicos e emocionais, ou para alguns n\u00e3o h\u00e1 nada para chamar de casa. Ent\u00e3o, seria a casa privil\u00e9gio? Sim, ter casa \u00e9 privil\u00e9gio de alguns, e casa com nome de lar \u00e9 privil\u00e9gio para poucos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/thumbnail_mari-1-20-682x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21042\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/thumbnail_mari-1-20-682x1024.jpg 682w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/thumbnail_mari-1-20-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/thumbnail_mari-1-20-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/thumbnail_mari-1-20-97x146.jpg 97w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/thumbnail_mari-1-20-33x50.jpg 33w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/thumbnail_mari-1-20-50x75.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/thumbnail_mari-1-20.jpg 853w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br>N\u00e3o importa como voc\u00ea chama a sua casa: toca, cafofo, muquifo, tenda, ninho, pal\u00e1cio, barraco, choupana, casa \u00e9 o lugar que voc\u00ea volta, lugar que voc\u00ea se refugia \u00e0s vezes de si mesmo. E \u00e0s vezes a casa n\u00e3o \u00e9 nem o espa\u00e7o f\u00edsico, mas um estado de esp\u00edrito. Tem gente que \u00e9 nossa casa, nosso lar. \u00c0s vezes um amigo, um amor, pais, m\u00e3es fazem nos sentir em casa. Mas \u00e9 melhor nos atermos \u00e0 casa f\u00edsica mesmo, por que se n\u00e3o este texto vai dar pano pra manga.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><br>Antes do Covid-19 &#8211; sim, h\u00e1 um antes e depois dele &#8211; penso que a maioria de n\u00f3s \u00e9ramos visitas em nossas casas. Visita? Sim! Ou voc\u00eas acham que nossa rotina transloucada &#8211; sim, antes do Covid 19, nossa rotina, nossa normalidade n\u00e3o era normal, n\u00e9?- em acordar para ir trabalhar e s\u00f3 voltar \u00e0 noite para casa, e nos fins de semana correr para fora de casa para fazermos tudo que n\u00e3o deu tempo na semana, nos tornam moradores de nossas casas? V-I-S-I-T-A-S! \u00c9 uma triste realidade, mas a grande maioria de n\u00f3s n\u00e3o conhecia a pr\u00f3pria casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu era t\u00e3o visita em minha casa, que acabei por ter como animal de estima\u00e7\u00e3o uma lagartixa. Como eu pouco ficava em casa devido ao trabalho, ela era a verdadeira moradora. Ao chegar \u00e0 noite, l\u00e1 estava ela no sof\u00e1, imp\u00e1vida, tipo &#8220;oi, visita, quem \u00e9 voc\u00ea?&#8221;. Era tanta ousadia, que coloquei o nome dela de Cle\u00f3patra, pois fazia a eg\u00edpcia comigo, nunca me olhava. E Cle\u00f3patra foi crescendo tanto, que quase achei que ela era um calango, ou um jacar\u00e9 e talvez um alligator tipo filme da d\u00e9cada de 80.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A\u00ed vem o desgra\u00e7ado do Covid-19 e nos obriga a ficarmos em casa. Bom, se vou ficar em casa, a minha primeira provid\u00eancia foi: Cle\u00f3patra. Como tinha mais medo dela do que ela de mim, busquei coragem onde n\u00e3o tinha e consegui captur\u00e1-la com um providencial saco de lixo nas m\u00e3os com luvas. Soltei Cle\u00f3patra em um terreno baldio. <\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que matar a antiga moradora de minha casa nunca esteve nos meus planos. Soltei Cle\u00f3patra ainda pensando ser ela um alligator. Resolvido o caso Cle\u00f3patra, come\u00e7ou o mart\u00edrio! O isolamento social e as conseq\u00fc\u00eancias de fazer a casa virar minha casa.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira ca\u00edda de ficha foi ter de dispensar minha diarista, que n\u00e3o via chegar nem via sair. Como saio bem cedo e volto bem tarde, n\u00e3o nos encontr\u00e1vamos nunca. Ela tinha a chave, deixava o pagamento em uma gaveta e, ao chegar \u00e0 minha casa, encontrava TUDO arrumado, organizado, limpo como se &#8220;Jeannie \u00e9 um g\u00eanio&#8221; tivesse passado l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Como quase todo filho da classe m\u00e9dia brasileira entorpecido com nossa desigualdade, e sempre com algu\u00e9m dispon\u00edvel para realizar as tarefas dom\u00e9sticas, com o isolamento social tive que aprender a cuidar n\u00e3o s\u00f3 da casa, mas de mim dentro da casa. Tenho at\u00e9 vergonha de falar isso, mas era como se vivesse em um hotel, onde duas vezes por semana tudo era limpo com um passe de m\u00e1gica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O isolamento social me fez melhor como homem e cidad\u00e3o. Hoje compreendo a import\u00e2ncia de cuidarmos n\u00f3s mesmos de nossas casas. Hoje vou ao supermercado feliz, por estar saindo de casa e por ser meu passeio semanal, escolher os produtos de limpeza, o que vou comer.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquiso na internet as melhores solu\u00e7\u00f5es de limpeza, de comida saud\u00e1vel e hoje sinto que minha casa est\u00e1 me abra\u00e7ando. Consigo sentir minha energia nela. Por que agora a vivo com intensidade, tocando-a. Consigo enxergar que ficar em casa pode ser o maior barato, sozinho ou com companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebo coisas em mim que n\u00e3o percebia. Aprendi a ter mania de limpeza. Minha rotina \u00e9 limpar casa diariamente, trabalhar, fazer exerc\u00edcios onde e como puder na casa, fazer v\u00eddeo chamadas com clientes, fam\u00edlia e amigos, ler, assistir a filmes e s\u00e9ries. Antes pensava que a vida s\u00f3 acontecia na rua, e agora vejo que a vida pode e deve acontecer dentro de casa tamb\u00e9m.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O ato de sair para a rua para mim era libertador. Hoje consigo sentir liberdade dentro de casa. O ato de poder fazer reuni\u00f5es com clientes por celular ou computador, resolver as demandas minhas e da casa tamb\u00e9m com o aux\u00edlio da tecnologia, poder descobrir cada cantinho da casa antes desconhecido para mim, me fez enxergar e ressignificar o ato de permanecer em casa nestes tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, este texto \u00e9 sobre amor, paz, b\u00ean\u00e7\u00e3os, esperan\u00e7a, sa\u00fade, abra\u00e7os, confian\u00e7a no amanh\u00e3, beijos e presen\u00e7as. Dentro de nossas casas, quem for privilegiado para isso. Nestes tempos estranhos do Covid-19, \u00e9 o que podemos oferecer de melhor aos outros, o bem! E quando tudo isso passar, por que vai passar um dia, que possamos sair \u00e0s ruas e voltarmos para nossas casas de um jeito diferente, as chamando de lar. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ed. Vasco, arquiteto e designer de interiores Este n\u00e3o \u00e9 um texto sobre o Covid-19. 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