{"id":21031,"date":"2020-04-23T14:21:38","date_gmt":"2020-04-23T17:21:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=21031"},"modified":"2020-04-24T22:29:04","modified_gmt":"2020-04-25T01:29:04","slug":"bahia-e-vice-campea-em-mortes-violentas-de-pessoas-lgbts-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/bahia-e-vice-campea-em-mortes-violentas-de-pessoas-lgbts-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Bahia \u00e9 &#8216;vice-campe\u00e3&#8217; em mortes violentas de pessoas LGBTs, aponta estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>A Bahia \u00e9 o segundo estado em n\u00famero de mortes violentas de pessoas LGBTs. O dado consta em estudo divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) que h\u00e1 40 anos desenvolve  o Relat\u00f3rio Anual de Mortes Violentas de LGBT no Brasil.<a href=\"https:\/\/grupogaydabahia.com.br\/relatorios-anuais-de-morte-de-lgbti\/\"> O GGB computa dados de mat\u00e9rias jornal\u00edsticas em todo Brasil. <\/a><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, em 2019, 329 LGBT+ (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) tiveram morte violenta no Brasil, v\u00edtimas da homotransfobia. Foram 297 homic\u00eddios (90,3%) e 32 suic\u00eddios (9,7%). <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Comparativamente aos anos anteriores, observou-se em 2019 surpreendente redu\u00e7\u00e3o das mortes violentas de LGBT+. O ano recorde foi 2017, com 445 mortes, seguido em 2018 com 420 e agora 329 mortes em 2019, registrando-se, portanto, uma diminui\u00e7\u00e3o de 26% face a 2017 e 22% em rela\u00e7\u00e3o a 2018&#8221;, explica parte do estudo. <\/p>\n\n\n\n<p><br>Essa tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o de mortes violentas foi observada em todo Brasil no ano passado, 19%, conforme dados oficiais do Monitor da Viol\u00eancia (G1 e GLOBO NEWS, 2020), e confirmada igualmente pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Trans, que apontou uma queda de 24%. <\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia e um dos pesquisadores do projeto,  a explica\u00e7\u00e3o mais plaus\u00edvel \u00e9 um &#8216;acautelamento da popula\u00e7\u00e3o LGBT&#8217; em fun\u00e7\u00e3o do atual momento democr\u00e1tico do pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Domingos Marcelo Oliveira, coordenador desta pesquisa sobre mortes violentas de LGBT+ no Brasil, &#8220;al\u00e9m da nossa hip\u00f3tese de que as mortes diminu\u00edram devido ao maior resguardo e cautela da popula\u00e7\u00e3o LGBT em rela\u00e7\u00e3o ao clima hostil dos \u00faltimos tempos, h\u00e1 outras tentativas de explica\u00e7\u00e3o. A Associa\u00e7\u00e3o de Travestis considerou que os LGBT ficaram aterrorizados com medo de registrar casos de viol\u00eancia homotransf\u00f3bica; h\u00e1 ainda a hip\u00f3tese que a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia, equiparada ao racismo, teria inibido potenciais assassinos. &#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>A cada 26 horas um LGBT+ \u00e9 assassinado ou se suicida v\u00edtima da LGBTfobia, o que confirma o Brasil como campe\u00e3o mundial de crimes contra as minorias sexuais. Segundo ag\u00eancias internacionais de direitos humanos, matam-se muit\u00edssimo mais homossexuais e transexuais no Brasil do que nos 13 pa\u00edses do Oriente e \u00c1frica onde persiste a pena de morte contra tal segmento. Mais da metade dos LGBT assassinados no mundo ocorrem no Brasil . <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Apesar dessa redu\u00e7\u00e3o observada nos dois \u00faltimos anos, devemos pontuar que tais mortes cresceram incontrolavelmente nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas: de 130 homic\u00eddios em m\u00e9dia em 2000, saltou para 260 em 2010, subindo para 398 nos \u00faltimos tr\u00eas anos&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00edntese e Tend\u00eancias predominantes das mortes violentas de LGBT+ do Brasil  em 2019<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>329 LGBT+ foram as v\u00edtimas de morte violenta no Brasil em 2019.<\/li><li> 297 homic\u00eddios (90,3%) e 32 suic\u00eddios (9,8%). <\/li><li> Como se repete desde que o Grupo Gay da Bahia iniciou tal pesquisa, em 1980, em termos absolutos predominaram as mortes de 174 Gays (52,8%), seguidos de 118 Travestis e Transexuais (35,8%) , 32 L\u00e9sbicas (9,7%) e 5 bissexuais (1,5%).<\/li><li> Em termos relativos, as pessoas trans representam a categoria sexol\u00f3gica mais vulner\u00e1vel a mortes violentas. Esse total de 118 mortes, se referidas a 1 milh\u00e3o de travestis e transexuais que se estima existir em nosso pa\u00eds, sinalizam que o risco de uma pessoa trans ser assassinada \u00e9 aproximadamente 17 vezes maior do que um gay. <\/li><li> Quanto \u00e0 faixa et\u00e1ria das v\u00edtimas, nos extremos foram computados 5,8% menores de 20 anos e 3,9% idosos com mais de 60, representando 90,7% os LGBT+ mortos  entre 20-50 anos, a mais jovem, com 14 anos,  uma l\u00e9sbica estudante encontrada morta com sinais de tortura numa praia de  Paulista, (PE) e o mais velho, um aposentado de 69 anos, morto a facadas e tiros em Madagua\u00e7u (PR). <\/li><li> Quanto \u00e0 cor, apesar de se tratar de vari\u00e1vel bastante descuidada nas mat\u00e9rias jornal\u00edsticas, encontramos praticamente a mesma distribui\u00e7\u00e3o racial entre as v\u00edtimas, 50,2% de negros (pardos e pretos) para 49,7% de brancos. <\/li><li> Foram identificadas 60 profiss\u00f5es-ocupa\u00e7\u00f5es entre os LGBT+ v\u00edtimas de morte violenta, salientando-se as profissionais do sexo (11,5%), professores (7,3%), estudantes e cabeleireiros (5,1% respectivamente). Predominam profissionais do setor terci\u00e1rio e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, incluindo 7 pais de santo, empres\u00e1rios e servidores p\u00fablicos. <\/li><li> Relativamente \u00e0 causa mortis dos LGBT+, 29,4% foram assassinados a facadas, 21,8% com arma de fogo, incluindo estrangulamento e espancamento muitas vezes precedidos de tortura e agravados com a carboniza\u00e7\u00e3o do corpo. <\/li><li> 1\/3 das mortes violentas de LGBT+, sobretudo de gays e l\u00e9sbicas, ocorreram no interior da resid\u00eancia  v\u00edtima, enquanto as trans, especialmente as profissionais do sexo, foram executadas na \u201cpista\u201d, no centro urbano, mas tamb\u00e9m em estradas e locais ermos.<\/li><li> Quanto ao perfil regional das mortes violentas de LGBT+, registrou-se uma mudan\u00e7a imprevis\u00edvel do padr\u00e3o observado nos \u00faltimos anos: o Norte e Centro Oeste deixaram de liderar essa lista,  voltando o Nordeste (35,5%)a ser a regi\u00e3o mais homotransf\u00f3bica do pa\u00eds e pela primeira vez o Sudeste  (29,7%)ocupando o segundo lugar. O Sul e Centro Oeste foram as regi\u00f5es com menor \u00edndice de letalidade anti-LGBT, repetindo a tend\u00eancia dos anos anteriores.<\/li><li> Registraram-se mortes violentas de LGBT+ em todos os 26 estados e no Distrito Federal, distribu\u00eddos em 200 munic\u00edpios, 32 localidades a menos em rela\u00e7\u00e3o a 2018.<\/li><li> S\u00e3o Paulo \u00e9 o estado que aparece em primeiro lugar no ranking de mortes, com 50 casos, (15,2%), seguido da Bahia, com 32 ocorr\u00eancias (9,73%) e Pernambuco com 26 casos (7,9%). No outro extremo, os estados menos violentos foram Acre, Amap\u00e1 e Mato Grosso do Sul, com 1 morte violenta. As capitais mais violentas foram Salvador (12 casos), S\u00e3o Paulo (11), Rio de Janeiro (7), Belo Horizonte e Fortaleza (6), Curitiba e Recife (5).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A matan\u00e7a continua, diz o Presidente do GGB, Marcelo Cerqueira: &#8220;nos cem primeiros dias de 2020, j\u00e1 foram documentados 102 mortes violentas de LGBT no Brasil, 91 homic\u00eddios e 11 suic\u00eddios. Esperamos que com o confinamento social e o medo de contamina\u00e7\u00e3o pelo Covid-19 redunde na diminui\u00e7\u00e3o dessas mortes violentas muitas vezes ocorridas na rua ou no entremeio de rela\u00e7\u00f5es sexuais.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Bahia \u00e9 o segundo estado em n\u00famero de mortes violentas de pessoas LGBTs. 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