{"id":20437,"date":"2019-11-17T12:56:22","date_gmt":"2019-11-17T15:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=20437"},"modified":"2019-11-17T13:13:23","modified_gmt":"2019-11-17T16:13:23","slug":"chorei-muito-diz-empresaria-vitima-de-homofobia-na-barra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/chorei-muito-diz-empresaria-vitima-de-homofobia-na-barra\/","title":{"rendered":"&#8216;Chorei muito&#8217;, diz empres\u00e1ria v\u00edtima de homofobia na Barra"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p>Por Laura Fernandes, do CORREIO <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cChorei muito, porque me senti ultrajada\u201d, contou, ao CORREIO, a engenheira civil e empres\u00e1ria Gabriella Garrido, 30 anos, sobre a abordagem homof\u00f3bica que relatou ter vivido no restaurante Barravento com a namorada, a professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica Mayana Mendes, 30, nesta sexta-feira (16).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas redes sociais, Gabriella narrou como o funcion\u00e1rio que se identificou como gerente do estabelecimento pediu para que ela e a namorada \u201ccontivessem os \u00e2nimos e o contato f\u00edsico\u201d naquele que era \u201cum ambiente familiar\u201d. Depois do desabafo, a engenheira contou \u00e0 reportagem que nunca tinha vivido nada do tipo e que demorou de entender o que estava acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCheguei no restaurante em torno das 16h, demorou quase 2h at\u00e9 que ele fizesse essa abordagem. Na hora do p\u00f4r do sol, eu e minha namorada sentamos na cadeira lado a lado. Tiramos algumas fotos juntas, em determinado momento acariciei o rosto dela, dei um beijo no rosto e ela me retornou com um pitoque. Foi s\u00f3 isso\u201d, contou Gabriella, ao CORREIO.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento, um funcion\u00e1rio que se identificou como Aur\u00e9lio se aproximou das duas e solicitou que n\u00e3o se comportassem daquela forma. \u201cEle pediu que a gente \u2018contivesse nossos \u00e2nimos\u2019. Demorei para entender o que estava acontecendo. Ent\u00e3o, tirei os \u00f3culos e disse: \u2018N\u00e3o entendi. Qual \u00e9 o problema, exatamente?\u2019. A\u00ed ele disse que aquele era um ambiente familiar e que n\u00e3o era permitido \u2018esse tipo de contato\u2019\u201d, relatou Gabriella.<\/p>\n\n\n\n<p>Cliente ass\u00eddua do restaurante, onde passou o R\u00e9veillon dos anos 2000, 2001 e 2002 e chegou a frequentar semanalmente com a fam\u00edlia, Gabriella disse que sabia que aquele era um ambiente familiar. \u201cMeu av\u00f4 \u00e9 morador da Barra, cresci aqui com minha fam\u00edlia. O senhor est\u00e1 entendendo que o que est\u00e1 acontecendo pode ser considerado um ato homof\u00f3bico? Por favor, quero falar com seu superior\u201d, solicitou a engenheira.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi quando o funcion\u00e1rio que se identificou como gerente disse que \u201crespondia pelas regras da casa\u201d e que ali n\u00e3o era permitido tal contato. \u201cDepois ele simplesmente saiu. Chorei muito\u201d, desabafou Gabriella. Mesmo abalada, a engenheira esperou cerca de uma hora no restaurante e chamou a pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, na hora que os policiais chegaram, o gerente negou tudo. \u201cLiguei para o Disque 100, liguei para advogados. A pol\u00edcia compareceu ao local, fiz o boletim, mas ele negou tudo na frente dos policiais. Disse que eu estava fazendo \u2018um show\u2019. Depois disso, come\u00e7ou a fazer deboche da gente na cozinha\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/2\/9\/csm_16112019LF1825_192c6d3623.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mayana e Gabriella em foto feita dentro do restaurante Barravento, na sexta-feira (15) (Foto: Acervo pessoal)<\/p>\n\n\n\n<p>Nas redes sociais, Gabriella narrou como o funcion\u00e1rio que se identificou como gerente do estabelecimento pediu para que ela e a namorada \u201ccontivessem os \u00e2nimos e o contato f\u00edsico\u201d naquele que era \u201cum ambiente familiar\u201d. Depois do desabafo, a engenheira contou \u00e0 reportagem que nunca tinha vivido nada do tipo e que demorou de entender o que estava acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCheguei no restaurante em torno das 16h, demorou quase 2h at\u00e9 que ele fizesse essa abordagem. Na hora do p\u00f4r do sol, eu e minha namorada sentamos na cadeira lado a lado. Tiramos algumas fotos juntas, em determinado momento acariciei o rosto dela, dei um beijo no rosto e ela me retornou com um pitoque. Foi s\u00f3 isso\u201d, contou Gabriella, ao CORREIO.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento, um funcion\u00e1rio que se identificou como Aur\u00e9lio se aproximou das duas e solicitou que n\u00e3o se comportassem daquela forma. \u201cEle pediu que a gente \u2018contivesse nossos \u00e2nimos\u2019. Demorei para entender o que estava acontecendo. Ent\u00e3o, tirei os \u00f3culos e disse: \u2018N\u00e3o entendi. Qual \u00e9 o problema, exatamente?\u2019. A\u00ed ele disse que aquele era um ambiente familiar e que n\u00e3o era permitido \u2018esse tipo de contato\u2019\u201d, relatou Gabriella.<\/p>\n\n\n\n<p>Cliente ass\u00eddua do restaurante, onde passou o R\u00e9veillon dos anos 2000, 2001 e 2002 e chegou a frequentar semanalmente com a fam\u00edlia, Gabriella disse que sabia que aquele era um ambiente familiar. \u201cMeu av\u00f4 \u00e9 morador da Barra, cresci aqui com minha fam\u00edlia. O senhor est\u00e1 entendendo que o que est\u00e1 acontecendo pode ser considerado um ato homof\u00f3bico? Por favor, quero falar com seu superior\u201d, solicitou a engenheira.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi quando o funcion\u00e1rio que se identificou como gerente disse que \u201crespondia pelas regras da casa\u201d e que ali n\u00e3o era permitido tal contato. \u201cDepois ele simplesmente saiu. Chorei muito\u201d, desabafou Gabriella. Mesmo abalada, a engenheira esperou cerca de uma hora no restaurante e chamou a pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, na hora que os policiais chegaram, o gerente negou tudo. \u201cLiguei para o Disque 100, liguei para advogados. A pol\u00edcia compareceu ao local, fiz o boletim, mas ele negou tudo na frente dos policiais. Disse que eu estava fazendo \u2018um show\u2019. Depois disso, come\u00e7ou a fazer deboche da gente na cozinha\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentada na mesa ao lado com o marido e um casal de amigos, a pedagoga Ja\u00edra Gon\u00e7alves, 37, disse que viu tudo. \u201cElas n\u00e3o fizeram nada demais. Deram um beijo, um selinho, como eu dou no meu marido, e nesse momento chegou o gerente e eu ouvi ele falando que n\u00e3o era permitida aquela a\u00e7\u00e3o\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da confus\u00e3o, Ja\u00edra chamou um gar\u00e7om para entender o que estava acontecendo exatamente e questionou a ele se, caso ela e o marido dessem o mesmo selinho, seriam igualmente impedidos. \u201cEle disse que n\u00e3o e tentou defender o gerente, ent\u00e3o pedi que n\u00e3o falasse mais nada e pedi a conta. Fui at\u00e9 as meninas, dei um abra\u00e7o nelas e me coloquei \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para testemunhar\u201d, disse a pedagoga.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEles foram muito homof\u00f3bicos e, pelo que entendi, os funcion\u00e1rios partilham dessa mesma ideia de que um casal que n\u00e3o seja hetero n\u00e3o pode trocar carinho. Foi horr\u00edvel. Eu e meu marido n\u00e3o pisamos mais os p\u00e9s naquele lugar\u201d, afirmou Ja\u00edra. \u201cN\u00e3o cabe mais, em pleno s\u00e9culo XXI, a gente ter que lidar com aquele tipo de situa\u00e7\u00e3o. Foi constrangedor demais ver aquelas meninas sofridas daquele jeito. T\u00f4 aqui para ajudar elas e pra ajudar esse mundo doido\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2018Interpreta\u00e7\u00e3o equivocada\u2019<\/strong><br>Gabriella contou, ainda, que em 30 anos nunca precisou &#8220;sair do arm\u00e1rio&#8221;, porque nunca &#8220;entrou nele&#8221;. \u201cTenho 30 anos, sou assumida h\u00e1 mais de dez anos, meus familiares sabem e aceitam. Sempre fui muito bem aceita nos ambientes pessoais e profissionais, nunca precisei me esconder. De repente, no meu ambiente, no meu restaurante onde me sinto confort\u00e1vel, onde os gar\u00e7ons me conhecem e onde sempre fui bem tratada, isso acontece. Doeu muito. Nunca tinha passado por isso\u201d, lamentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriella contou que esperou tanto tempo no restaurante porque buscava um pedido de desculpas. Nas redes sociais, o estabelecimento disse, em nota, que \u201crepudia todo e qualquer ato de intoler\u00e2ncia a g\u00eanero, cor, sexualidade, entre outras que violam o direito humano \u00e0 liberdade de escolha\u201d e que realizou, h\u00e1 30 dias, uma cerim\u00f4nia de casamento \u201cde um casal LGBTs\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO suposto ato de homofobia vinculado a m\u00eddia e redes sociais, nas \u00faltimas 24 horas, n\u00e3o passou de uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada da consumidora, uma vez que o Restaurante Barravento possui um p\u00fablico diversificado e reafirma sua cren\u00e7a e seu compromisso com a diversidade, certo que no amor n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para preconceito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao CORREIO, Gabriella disse que n\u00e3o entendeu a nota como um pedido de desculpas e que ficou triste com a resposta. \u201cAguardei uma hora no restaurante, deixei meu contato e eles n\u00e3o falaram comigo. Claro que pode ter sido o ato de uma \u00fanica pessoa, mas isso n\u00e3o precisa representar o estabelecimento. Com a resposta deles, ficou claro que o gerente representava o pensamento do restaurante\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>O CORREIO entrou em contato com o restaurante e uma funcion\u00e1ria disse que \u201ca orienta\u00e7\u00e3o recebida \u00e9 que n\u00e3o tem mais nada a esclarecer al\u00e9m do que j\u00e1 foi postado nas redes sociais\u201d. A nota de esclarecimento, por\u00e9m,&nbsp;foi apagada da&nbsp;p\u00e1gina oficial do restaurante. Veja o&nbsp;print feito pelo CORREIO:<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/chorei-muito-diz-engenheira-sobre-homofobia-vivida-em-restaurante\/#\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova nota de esclarecimento foi divulgada pelo restaurante, no final deste s\u00e1bado (16). &#8220;O Restaurante Barravento lamenta o transtorno que por ventura tenha causado a seus clientes. O estabelecimento repudia qualquer ato discriminat\u00f3rio, seja ele homof\u00f3bico, racista, de g\u00eanero ou social. Acredita e prega o livre respeito a todxs. Por isso, pede desculpas a quem tenha se sentido ofendido. O Restaurante Barravento informa ainda que em sentimento e respeito aos seus clientes, toda a sua equipe de atendimento passar\u00e1 pelo Programa de Combate \u00e0 lgbtfobia institucional Municipal de Salvador&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Laura Fernandes, do CORREIO \u201cChorei muito, porque me senti ultrajada\u201d, contou, ao CORREIO, a engenheira civil e empres\u00e1ria Gabriella Garrido, 30 anos, sobre a abordagem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"class_list":["post-20437","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-home"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20437"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20437\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20443,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20437\/revisions\/20443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}