{"id":19904,"date":"2019-08-10T16:29:30","date_gmt":"2019-08-10T19:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=19904"},"modified":"2019-08-10T16:29:30","modified_gmt":"2019-08-10T19:29:30","slug":"livros-com-31-narrativas-de-mulheres-lesbicas-serao-lancados-em-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/livros-com-31-narrativas-de-mulheres-lesbicas-serao-lancados-em-salvador\/","title":{"rendered":"Livros com 31 narrativas de mulheres l\u00e9sbicas ser\u00e3o lan\u00e7ados em Salvador"},"content":{"rendered":"<p>Dois livros que re\u00fanem\u00a031 ensaios com narrativas de sapatonas de todo Brasil ser\u00e3o lan\u00e7ados em Salvador na pr\u00f3xima quinta-feira (15) no Espa\u00e7o Cultural Caras e Bocas, na Rua Carlos Gomes. Os livros &#8211;\u00a01. Abordagens e epistemologias sapatonas e 2.\u00a0 Outras produ\u00e7\u00f5es de saberes e afetos &#8211;\u00a0estar\u00e3o dispon\u00edveis para a compra nos valores: R$42 cada e R$75 o par.<\/p>\n<p>No dia do lan\u00e7amento haver\u00e1\u00a0\u00a0pocket show de Jann Souza e haver\u00e1 sorteio de um par dos exemplares para as pessoas presentes. O lan\u00e7amento ser\u00e1 a partir das 19h. A entrada custa R$ 7.<\/p>\n<p>Os livros foram organizados por\u00a0Mayana Rocha Soares,\u00a0Simone Brand\u00e3o Souza e\u00a0\u00a0Thais Faria Castro. Em conversa com o Me Salte, Thais falou sobre as quest\u00f5es que os livros abordam.<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Os livros falam sobre as quest\u00f5es de g\u00eaneros pela \u00f3tica da mulher l\u00e9sbica. O que voc\u00ea acha que precisa ser refor\u00e7ado nesse aspecto?<\/strong><\/p>\n<p><em>A constru\u00e7\u00e3o de narrativas sobre a exist\u00eancia l\u00e9sbica \u00e9 permeada de invisibilidades. Dentro dos campos de g\u00eaneros e sexualidades existe uma grande dificuldade de produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica realizada por n\u00f3s. Um dos fatores determinantes para a exist\u00eancia escassa de trabalhos nessa \u00e1rea \u00e9 o fato de que durante um longo per\u00edodo a lesbianidade foi tratada como um ap\u00eandice da homossexualidade gay, um seu quase sin\u00f4nimo. <\/em><\/p>\n<p><em>O crescimento das produ\u00e7\u00f5es sobre lesbianidade, que falam a partir do e sobre o universo l\u00e9sbico, foi influenciado pelo surgimento de ONGs de l\u00e9sbicas, atrav\u00e9s do processo afirmativo da identidade l\u00e9sbica iniciado na d\u00e9cada de 1970 e intensificado na d\u00e9cada de 1990. Isso acaba por fazer sentido com o per\u00edodo hist\u00f3rico onde foi se materializando a autonomiza\u00e7\u00e3o do movimento l\u00e9sbico em rela\u00e7\u00e3o ao movimento homossexual ou da identidade l\u00e9sbica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras identidades pol\u00edticas, al\u00e9m do fortalecimento do feminismo. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 necess\u00e1rio dar uma outra perspectiva a partir de um olhar n\u00e3o impregnado de valores e cultura masculina, colonizado, que atravessa as publica\u00e7\u00f5es sobre as homossexualidades de uma forma geral, reproduzindo especificidades do universo gay sem dar visibilidade \u00e0s peculiaridades das lesbianidades.<\/em><\/p>\n<p><em>Os livros v\u00eam da necessidade de dar vaz\u00e3o as narrativas sapat\u00f4nicas. Da import\u00e2ncia de darmos visibilidade \u00e0s produ\u00e7\u00f5es das e sobre as exist\u00eancias l\u00e9sbicas, pensando suas viv\u00eancias subalternizadas mas tamb\u00e9m suas resist\u00eancias, a partir de perspectivas interseccionais, nas quais se entrecruzam diferen\u00e7as \u00e9tnico-raciais, de identidades de g\u00eanero, classe social, geracionais, sexualidades, est\u00e9ticas e que tamb\u00e9m podem se constituir em pot\u00eancia e, atrav\u00e9s da ag\u00eancia l\u00e9sbica, rasurar as normatividades e construir outras possibilidades de viv\u00eancias.<\/em><\/p>\n<p><strong>2. Quais as tem\u00e1ticas dos ensaios?<\/strong><br \/>\n<em>Este \u00e9 um livro que narra sapatonices! Sim, no plural, pois somos muitas, de v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds e com muitas hist\u00f3rias para contar e espa\u00e7os para ocupar. Os dois volumes trazem uma multiplicidade tem\u00e1tica, em que os ensaios tratam sobre direitos humanos, audiovisual, literatura, pol\u00edticas p\u00fablicas, m\u00eddia, corporeidades, afetividades e subjetividades.<\/em><\/p>\n<p><em> O primeiro volume tem o t\u00edtulo \u201cLesbianidades Plurais: abordagens e epistemologias sapatonas\u201d e o segundo \u201cLesbianidades Plurais: abordagens e epistemologias sapatonas\u201d. Escolhemos abordagens m\u00faltiplas que buscassem trazer as subjetividades, olhares, direitos, visualidades e protagonismos, que buscam ocupar imagin\u00e1rios e estes relatos v\u00e3o realizar a costura das publica\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19905\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/livros.jpg\" alt=\"livros\" width=\"592\" height=\"444\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/livros.jpg 592w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/livros-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/livros-195x146.jpg 195w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/livros-50x38.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/livros-100x75.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><\/p>\n<p><strong>3. Como o conte\u00fado acad\u00eamico pode colaborar para combater o preconceito?<\/strong><br \/>\n<em>A academia tem a fun\u00e7\u00e3o social de produzir conhecimento e compartilhar este com a popula\u00e7\u00e3o. E conhecimento, ainda mais nos tempos que vivemos, \u00e9 pol\u00edtico. Todo e qualquer tema e assunto que \u00e9 estudado tem recorte e posicionamento, seja ele de esquerda, direita ou de qual for. Os estudos que abordam g\u00eanero e sexualidade s\u00e3o pr\u00e1ticas que humanizam sujeitas e sujeitos que s\u00e3o violentados pela sociedade apenas porque v\u00e3o de encontro a uma moralidade e cultura conservadora que temos visto cada vez mais imposta guela abaixo.<\/em><\/p>\n<p><em> Em tempos de releituras ditatoriais, fanatismos religiosos e um bolsonarismo imbecilizante, se faz necess\u00e1rio reafirmar que \u201cSapat\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bagun\u00e7a\u201d! \u00c9 produzindo as nossas narrativas e mostrando que temos mem\u00f3ria, quebramos o sil\u00eancio da viol\u00eancia e materializamos a nossa (re)exist\u00eancia, dentro e fora da academia.<\/em><\/p>\n<p><strong>4. H\u00e1 muito preconceito dentro da pr\u00f3pria comunidade LGBTQIA com as mulheres l\u00e9sbicas. Como voc\u00ea acha que isso pode ser revertido? Isso tem rela\u00e7\u00e3o com o machismo que h\u00e1 dentro da comunidade gay com as l\u00e9sbicas?<\/strong><br \/>\n<em>Bom, a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA compartilha dos valores que s\u00e3o colocados na nossa sociedade. Se temos uma cultura machista, LGBTf\u00f3bica, racista, classista, dentre tantas outras hierarquias que causam preconceitos isso tamb\u00e9m reverbera nas pessoas LGBTQIA. A misoginia \u00e9 muito presente entre os gays e isso \u00e9 o machismo bem vivo. O ponto aqui \u00e9 que temos que construir espa\u00e7os de interven\u00e7\u00e3o na cultura e na educa\u00e7\u00e3o e \u00e9 isso que fazemos desde a nossa exist\u00eancia corporal, na est\u00e9tica dos cabelos e roupas, viv\u00eancias, afetividades, linguagens, at\u00e9 as nossas produ\u00e7\u00f5es de trabalho e conte\u00fado que ocupam todas as \u00e1reas da sociedade. Sem perder de vista que \u00e9 uma constante disputa de espa\u00e7o e de poder, nada vem sem luta. Eu entendo que \u00e9 povoando imagin\u00e1rios que as nossas exist\u00eancias marginais ocupam lugar na cultura e, dessa forma, vamos modificando as pr\u00e1ticas e narrativas sociais.<\/em><\/p>\n<p><strong>5. De onde s\u00e3o as mulheres que escreveram? Como foi o processo de escolha?<\/strong><br \/>\n<em>S\u00e3o quase 50 mulheres de todas as partes do pa\u00eds que comp\u00f5em as duas publica\u00e7\u00f5es. Conseguimos uma multiplicidade de vozes e isso nos deixou bastante felizes. Contudo, \u00e9 importante ressaltar que a maioria das representantes nos ensaios s\u00e3o nordestinas. O nosso processo de escolha se baseou em ser uma publica\u00e7\u00e3o das sapatonas pelas sapatonas. O conte\u00fado aceito foi alinhado com as categorias propostas, em formato de ensaio e de que trouxesse narrativas l\u00e9sbicas.<\/em><\/p>\n<p><strong>6. H\u00e1 mulheres trans escrevendo? Se sim quais e quais temas elas escrevem nos livros?<\/strong><br \/>\n<em>Sim. Eu, Mayana e Simone sempre estivemos muito tranquilas e alinhadas neste ponto. Como falamos da perspectiva de ensaio, abordamos uma l\u00f3gica de narrativa que traz a subjetividade e vivencias das autoras em evid\u00eancia e, sendo as lesbianidades tamb\u00e9m uma forma de express\u00e3o da sexualidade de mulheres trans, n\u00e3o teria raz\u00e3o para ficar de fora. Sabemos que existe a dificuldade de entrada e perman\u00eancia de pessoas trans ainda no contexto das universidades e que tamb\u00e9m temos muita manifesta\u00e7\u00e3o de transfobia dentro do movimento l\u00e9sbico, mas a proposta dos livros \u00e9 trazer lesbianidadeS, no plural, e isso diz de viv\u00eancias tanto de mulheres cisg\u00eaneras, quanto de mulheres trans.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois livros que re\u00fanem\u00a031 ensaios com narrativas de sapatonas de todo Brasil ser\u00e3o lan\u00e7ados em Salvador na pr\u00f3xima quinta-feira (15) no Espa\u00e7o Cultural Caras e Bocas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19906,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"class_list":["post-19904","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-home","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19904"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19904\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19907,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19904\/revisions\/19907"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19906"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}