{"id":19309,"date":"2019-05-27T01:30:39","date_gmt":"2019-05-27T04:30:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=19309"},"modified":"2019-05-27T13:41:03","modified_gmt":"2019-05-27T16:41:03","slug":"dea-e-berttran","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/dea-e-berttran\/","title":{"rendered":"&#8216;Preconceito se combate com conhecimento&#8217;, diz psic\u00f3loga e escritora D\u00e9a E. Berttran"},"content":{"rendered":"<p>Autora do livro &#8216;Amores Invis\u00edveis \u2013 Casais longevos da diversidade&#8217; (Ed. de Cultura), a psic\u00f3loga D\u00e9a E. Berttran, mestre e doutora em psicologia cl\u00ednica pelo Instituto de Psicologia da USP, conversou com o Me Salte sobre preconceito e LGBTfobia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m deu dicas para fam\u00edlias com pessoas\u00a0LGBTQIA+ e para fam\u00edlias homoafetivas lidarem com o preconceito. Confira entrevista completa.<\/p>\n<p><strong>Vivemos numa sociedade onde cada vez mais o preconceito tem ganhado voz. Como as fam\u00edlias com pessoas LGBTQIA+ podem se estruturar para combater essas opress\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, o preconceito tem ganho espa\u00e7o mas, com ele, tamb\u00e9m a liberdade da express\u00e3o amorosa \u2013 nunca pudemos ver tantos casais homoafetivos enamorados pelas ruas; nas telas sejam dos cinemas, televis\u00f5es ou smartphones, muitas produ\u00e7\u00f5es sobre o universo LGBTQIA+ s\u00e3o exibidas, criando um imagin\u00e1rio de representa\u00e7\u00f5es culturais, exemplos de viv\u00eancias que podem vir a ser ve\u00edculos de identifica\u00e7\u00f5es desse grupo. Ou seja, costumo dizer que, al\u00e9m dos dois lados da moeda, ainda existe a sua borda&#8230; Nunca um fen\u00f4meno social \u00e9 hegem\u00f4nico, vozes dissonantes a ele sempre ir\u00e3o existir \u2013 e a resist\u00eancia de quase metade da popula\u00e7\u00e3o ao anacronismo pol\u00edtico atual \u00e9 acachapante!<\/p>\n<blockquote><p>Acredito que preconceito se combate com conhecimento \u2013 o primeiro deles, de que a sexualidade humana se expressa de diferentes formas, a heterossexualidade \u00e9 somente uma delas. Se a elegemos como \u00fanica e exclusiva, em um sistema heteronormativo, ou seja, que relega outras express\u00f5es \u00e0 marginalidade, isso \u00e9 algo a ser conhecido para ser transformado, j\u00e1 que aprisiona parcela de sua popula\u00e7\u00e3o a se perceber diferente, o que n\u00e3o \u00e9 o caso.<\/p><\/blockquote>\n<p>Fam\u00edlias devem ser lugares de pertencimento, de transmiss\u00e3o de legado, portos seguros em que as pessoas se sintam fortalecidas para que possam ir \u00e0 luta \u2013 no caso dos LGBTQIA+, frequentemente acontece o contr\u00e1rio: a fam\u00edlia vem a ser o primeiro e mais ferrenho palco para suas batalhas. Cabe a ela o amor, a aceita\u00e7\u00e3o, o fortalecimento emocional de seus integrantes.<\/p>\n<p>Com isso, sua estrutura ser\u00e1 suficientemente boa para a cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7os afetivos com mais compreens\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p><strong>Em 2019, a regulamenta\u00e7\u00e3o dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo completa cinco anos do Brasil. Contudo, ainda h\u00e1 muita resist\u00eancia de grupos religiosos quanto ao reconhecimento social dessas uni\u00f5es. O que pode ser feito para melhorar isso?<\/strong><\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o foi poss\u00edvel por uma brecha jur\u00eddica, e n\u00e3o por constar na Constitui\u00e7\u00e3o \u2013 essa \u00e9 a batalha! Desde 1993 que tramita, via Marta Suplicy, a altera\u00e7\u00e3o desse pressuposto, o de que um casal seja constitu\u00eddo exclusivamente por um homem e uma mulher. Na psicologia\/psican\u00e1lise essa postura j\u00e1 foi superada, hoje a diferen\u00e7a sexual n\u00e3o \u00e9 mais baliza e, sim a alteridade, o um e o outro que existe no par.<\/p>\n<p>Por outro lado, existe a falsa cren\u00e7a de que a heterossexualidade seja \u2018natural\u2019, o que n\u00e3o \u00e9 verdade \u2013 a homossexualidade existe em todo o reino mam\u00edfero, por exemplo! O problema \u00e9 que as pessoas n\u00e3o est\u00e3o dispostas a se abrirem ao conhecimento, \u00e9 mais f\u00e1cil permanecer onde se est\u00e1, mesmo que isso signifique passividade ante a ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<blockquote><p>Mudar de opini\u00e3o requer esfor\u00e7o, \u00e9 mais f\u00e1cil julgar e afastar aquilo que pode vir a parecer como \u2018estranho\u2019, v\u00e1 l\u00e1 se saber o que poder\u00e1 acontecer&#8230; As pessoas t\u00eam medo tamb\u00e9m de sua pr\u00f3pria sexualidade, as gera\u00e7\u00f5es passadas a desenvolveram sob forte repress\u00e3o, ainda presente nos dias atuais.<\/p><\/blockquote>\n<p>A religiosidade \u00e9 item que integra o conceito de humanidade, mas os sistemas religiosos t\u00eam que ser libertadores, e n\u00e3o opressores; religi\u00e3o \u00e9 de foro \u00edntimo e pertence ao privado, n\u00e3o ao p\u00fablico. Eu me apavoro com o crescimento de correntes anacr\u00f4nicas, ignorantes, que fazem uso do desespero das pessoas e de sua fragilidade emocional para fins esp\u00farios. Infelizmente seus ramos tamb\u00e9m se imiscu\u00edram nos ambientes pol\u00edticos e governamentais, o que tem gerado muito atraso na resolu\u00e7\u00e3o de proposi\u00e7\u00f5es, vire e mexe algum pol\u00edtico homof\u00f3bico e machista retorna com a absurda \u2018cura gay\u2019, at\u00e9 mesmo com enfrentamento ao pr\u00f3prio Conselho Federal de Psicologia \u2013 ali\u00e1s, existem psic\u00f3logos absolutamente reacion\u00e1rios! Meu livro tamb\u00e9m a eles se destina, para que possam acolher o grupo LGBTQIA+ com respeito \u00e0s diferen\u00e7as que possam vir a apresentar.<\/p>\n<div id=\"attachment_19314\" style=\"width: 358px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2111894283.jpg\" rel=\"attachment wp-att-19314\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19314\" class=\"wp-image-19314 size-full\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2111894283.jpg\" alt=\"2111894283\" width=\"348\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2111894283.jpg 348w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2111894283-209x300.jpg 209w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2111894283-102x146.jpg 102w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2111894283-35x50.jpg 35w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2111894283-52x75.jpg 52w\" sizes=\"auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-19314\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Editora:<\/strong> De Cultura; Edi\u00e7\u00e3o: 1\u00aa (26 de novembro de 2018) |\u00a0<strong>Pre\u00e7o:<\/strong> 33,64<\/p><\/div>\n<p>Eu fa\u00e7o a minha parte, seja no consult\u00f3rio, nas aulas que dou na S\u00e3o Judas\/Campus Unimonte, em que, por meio de disciplinas como Psicologia Social, h\u00e1 espa\u00e7o para a cr\u00edtica ao <em>status quo<\/em> e \u00e0 possibilidade de se dar aten\u00e7\u00e3o a todas as vozes, n\u00e3o somente algumas delas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m faz a sua, e este jornal, ao me possibilitar este espa\u00e7o de fala e a divulga\u00e7\u00e3o de meu livro.<\/p>\n<p>Costumo dizer que eram mais de quarenta o n\u00famero de evangelhos \u2013 foram escolhidos apenas quatro deles. Os outros ca\u00edram no esquecimento, denominados de ap\u00f3crifos e condenados ao ostracismo. A\u00ed \u00e9 que est\u00e1: o conhecimento precisa ser divulgado!<\/p>\n<p><strong>Como os processos que envolvem a <a href=\"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/heteronormatividade\/\" target=\"_blank\">heteronormatividade<\/a> podem atrapalhar as uni\u00f5es homoafetivas?<\/strong><\/p>\n<p>Nascemos sob este sistema, o da heteronormatividade, o que significa que existem papeis sociais a serem cumpridos respectivos \u00e0 conformidade de sexo e g\u00eanero (f\u00eamea = mulher = feminino; macho = homem = masculino), ou seja, \u00e0 identidade de g\u00eanero, bem como \u00e0 dire\u00e7\u00e3o que nossos interesses sexuais e afetivos devem se dirigir, nossa orienta\u00e7\u00e3o sexual \u2013 se mulher, ao homem; se homem, \u00e0 mulher. Qualquer caracter\u00edstica que n\u00e3o esteja em conformidade com este modelo \u00e9 considerada marginal, errada, desviante \u2013 e isso ainda hoje!<\/p>\n<p>Maria Luiza Heilborn, antrop\u00f3loga que prefacia meu livro, fala em hegemonia masculina, quer dizer, os modelos de masculinidade que n\u00e3o s\u00e3o correspondentes ao de homem viril, forte, provedor, s\u00e3o condenados; neste universo, a viol\u00eancia \u00e0 mulher e ao feminino, de forma geral, \u00e9 justificada, nada pode vir a afrontar este \u2018macho\u2019 alfa, seja ter levado um chega para l\u00e1 de alguma mulher, seja ser paquerado por outro homem. Da\u00ed termos o assassinato da comunidade LGBTIA+ na impressionante estat\u00edstica de uma morte a cada 20 horas.<\/p>\n<p><center><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hthqhmzjOFU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/center>Este \u00e9 um dos aspectos, s\u00e3o v\u00e1rios! Tamb\u00e9m se pode considerar o fato de a falta de pertencimento e de aceita\u00e7\u00e3o familiar vir a produzir o afastamento dos LGBTIA+ que, dizem as pesquisas, abandonam suas cidades natais e se dirigem para as grandes capitais, o que os deixa sem rede de apoio. Muitas vezes o grupo de amigos, o gueto, substitui o grupo familiar; hoje j\u00e1 existe mais aceita\u00e7\u00e3o, homossexuais e heterossexuais convivem de forma amig\u00e1vel, algo que a gera\u00e7\u00e3o dos casais que entrevisto n\u00e3o vivenciou, pois a vida dupla era condi\u00e7\u00e3o quase que de sobreviv\u00eancia para essas pessoas.<\/p>\n<p>Enfim, outro dia, mesmo, conversando com uma colega, perguntei-lhe: \u201cPara voc\u00ea o certo \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre um homem e uma mulher?\u201d. Ela respondeu que sim. A partir da\u00ed, se \u00e9 esse o \u2018certo\u2019, tudo o mais est\u00e1 \u2018errado\u2019, ou seja, \u00e9 uma vis\u00e3o polarizada e restrita da sexualidade humana e de suas amplas possibilidades. Quando a pergunta \u00e9: \u201cPor que voc\u00ea \u00e9 heterossexual?\u201d, normalmente n\u00e3o existem respostas \u2013 a orienta\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 constru\u00edda tanto quanto a tal identidade de g\u00eanero. N\u00e3o nascemos sabendo quem somos: nos subjetivamos ante um contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico-cultural, j\u00e1 prontinho para nos recebermos. Ter consci\u00eancia disso \u00e9 fundamental para que possamos, realmente, saber de onde partimos a caminho de nossas escolhas. S\u00f3 assim paramos de \u2018seguir o fluxo\u2019 e realmente nos tornamos protagonistas de nossas vidas.<\/p>\n<p><strong>O senso comum sempre coloca os relacionamentos gays em ambientes de promiscuidade e infidelidade.<\/strong><\/p>\n<p>Ah, essa \u00e9 uma das marcas de meu livro: mostrar que isso n\u00e3o \u00e9 verdade, \u00e9 <em>fake<\/em>!<\/p>\n<p>Claro est\u00e1 que os LGBTIA+, at\u00e9 os \u00faltimos anos, por n\u00e3o terem acesso \u00e0 ado\u00e7\u00e3o e n\u00e3o haver tecnologia reprodutiva, estavam destinados a n\u00e3o serem pais e m\u00e3es, a menos que o fizesse por caminhos heterossexuais. Ent\u00e3o, suas conquistas financeiras lhes eram exclusivas, possibilitando uma vida diversa a da parentalidade, cujo investimento no crescimento e desenvolvimento das crian\u00e7as requer conten\u00e7\u00f5es financeiras \u2013 al\u00e9m da dedica\u00e7\u00e3o aos filhos, n\u00e3o h\u00e1 tempo livre!<\/p>\n<p>Quando o mercado descobriu o poder de tiro desse grupo \u00e9 que se lan\u00e7ou o termo GLS (Gays, l\u00e9sbicas e simpatizantes) pela publicidade, identificando um perfil de p\u00fablico que tinha liberdade e dinheiro para gastar consigo mesmo. Tanto que se criou o \u2018viver gay\u2019, descompromissado e sem la\u00e7os familiares muito pr\u00f3ximos. Da\u00ed ser considerado prom\u00edscuo, como no s\u00e9culo XIX era visto como \u2018perverso\u2019, ou seja, um ser que s\u00f3 visava o seu pr\u00f3prio prazer, sendo condenado por n\u00e3o querer procriar, por exemplo.<\/p>\n<p>Mas tanto isso n\u00e3o \u00e9 verdade que, nos anos 1980, quando o HIV come\u00e7ou a ceifar vidas e come\u00e7aram os problemas de patrim\u00f4nio quando um dos integrantes do par falecia e a fam\u00edlia se assenhorava de seus bens, sem reconhecer os direitos do parceiro, \u00e9 que se descobriu a quantidade que havia de casais homossexuais.<\/p>\n<blockquote><p>Os casais que entrevistei vivem sob a fidelidade. S\u00e3o casamentos rom\u00e2nticos, em que h\u00e1 o desejo de simetria, de igualdade, de democracia, planos e projetos de vida em comum. O cuidado ao outro \u00e9 um dos elementos fundamentais que encontrei nesses casamentos longevos, e isso exclui a promiscuidade.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas h\u00e1 de se convir que existem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias a esses casais, como a de, por exemplo, ser a sexualidade mais preponderante nos pares de homens do que no de mulheres \u2013 pesquisas indicam ser o sexo um elemento de muita vitalidade quando comparado aos casais seja de heterossexuais, seja de l\u00e9sbicas. Ali\u00e1s, a essas \u00faltimas existe at\u00e9 um termo, o de \u2018bed death\u2019, ou seja, cama morta \u2013 parece que preferem estar juntas em atividades diversas do que praticarem sexo. Talvez esse vigor sexual possa favorecer maior liberdade nos comportamentos sexuais, de forma geral.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o que tenho visto com base seja na cl\u00ednica, seja na universidade, \u00e9 que jovens est\u00e3o se permitindo a experimentar, o que acho maravilhoso. Assim, poder\u00e3o se conhecer e, quem sabe, realmente exercer o direito de escolha e de serem o que quiserem ser.<\/p>\n<p><strong>As fam\u00edlias homoafetivas enfrentam muitas dificuldades quando os filhos est\u00e3o, por exemplo, na idade escolar. O que pode ser feito para esses momentos sejam menos turbulentos?<\/strong><\/p>\n<p>Quest\u00e3o complexa que apresenta muitos pontos.<\/p>\n<p>Acredito que a transpar\u00eancia seja um bom caminho, embora se tenha que ter presente que as explica\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser condizentes com a fase de vida dos filhos&#8230; N\u00e3o se deve atropelar uma crian\u00e7a por conta de se justificar! Naturalidade \u00e9 o caminho, afetos s\u00e3o humanos, express\u00f5es amorosas s\u00e3o bem-vindas, n\u00e3o h\u00e1 o que esconder ou negar. Por\u00e9m, al\u00e9m da confian\u00e7a, o n\u00facleo familiar tamb\u00e9m deve prover suas crian\u00e7as da realidade da vida e, dentro dela, de elementos como a maldade, a hipocrisia, o medo, a agress\u00e3o; que, por n\u00e3o corresponderem \u00e0 maioria da popula\u00e7\u00e3o, seu modelo familiar pode vir a ser alvo de cr\u00edticas e amea\u00e7as. Tal como o racismo; tal como os que migram para culturas diversas das suas.<\/p>\n<blockquote><p>Acredito que o fundamental seja os filhos se sentirem de fato aceitos por aqueles que deles cuidam, amados pelo que s\u00e3o, e n\u00e3o por corresponderem \u00e0s expectativas dos que os geraram, sabendo que ali encontrar\u00e3o um porto seguro, lugar de refazimento e de fortalecimento.<\/p><\/blockquote>\n<p>Acredito que seja fundamental a participa\u00e7\u00e3o dos pais ou cuidadores na escola, em suas reuni\u00f5es, nos encontros entre pais e m\u00e3es, para que a escola n\u00e3o seja um ambiente afastado e, sim, pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Um dos casais de mulheres de minha pesquisa trazia o filho de seu casamento anterior, heterossexual. Nunca escondeu a verdade de seu filho, que sempre conviveu com seus amigos e amigas e, assim, via as rela\u00e7\u00f5es homoafetivas com naturalidade \u2013 quando elas comemoraram 25 anos de casadas, foi com ele e sua namorada que apagaram as velinhas do bolo. \u00c9 poss\u00edvel uma conviv\u00eancia social harmoniosa, sim, acredito nisso.<\/p>\n<p>Outro aspecto, se houver possibilidade, a escolha de uma escola de perfil mais libert\u00e1rio, em que seus professores n\u00e3o estejam t\u00e3o vinculados a sistemas religiosos anacr\u00f4nicos e coercitivos, por exemplo.<\/p>\n<p><strong><em>Essa \u00e9 \u00faltima\u00a0semana do\u00a0especial LGBT O Qu\u00ea?. Veja\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/lgbtoque\" target=\"_blank\">conte\u00fados extras aqui<\/a>.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autora do livro &#8216;Amores Invis\u00edveis \u2013 Casais longevos da diversidade&#8217; (Ed. de Cultura), a psic\u00f3loga D\u00e9a E. 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