{"id":17572,"date":"2018-12-25T11:41:27","date_gmt":"2018-12-25T14:41:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=17572"},"modified":"2018-12-25T15:41:18","modified_gmt":"2018-12-25T18:41:18","slug":"sobre-familia-falsidade-e-a-solidao-dos-lgbts-no-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/sobre-familia-falsidade-e-a-solidao-dos-lgbts-no-natal\/","title":{"rendered":"Sobre fam\u00edlia, falsidade e a solid\u00e3o dos LGBTs no Natal"},"content":{"rendered":"<p>Todo Natal \u00e9 a mesma coisa. As fam\u00edlias se re\u00fanem, comem, comem e falam mal uns dos outros. Salvo raras exce\u00e7\u00f5es esse \u00e9 o conceito que muita gente enfrentou na noite de ontem (24) e vai encarar nos almo\u00e7os de hoje (25). Mas, para n\u00f3s pessoas LGBTQIA+, o buraco \u00e9 bem mais profundo.<\/p>\n<p>Poucos t\u00eam a sorte de ter uma fam\u00edlia 100% acolhedora. Infelizmente existem as tias que perguntam pelas &#8216;namoradas&#8217; para os gays, pelos &#8216;namorados&#8217; para as l\u00e9sbicas e aquelas que silenciam a exist\u00eancia das pessoas trans. N\u00e3o s\u00f3 as tias mas tamb\u00e9m as primas, primas, tio e afins.<\/p>\n<p>Desde ontem analisei as fotos de mais de 200 perfis do Instagram de pessoas LGBTQIA+ de Salvador e outras partes do mundo. Na sua grande maioria as pessoas LGBTQIA+ est\u00e3o escanteadas nas imagens. Ao centro, normalmente, est\u00e3o os patriarcas ou matriarcas rodeados dos primos heteros.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de acolhimento que \u00e9 naturalizada. Talvez ningu\u00e9m (ou n\u00e3o) tenha pensado isso na hora de tirar as fotos mas isso evidencia simbolicamente que as fam\u00edlias n\u00e3o nos acolhem na nossa ess\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos \u00e9 dado o protagonismo. Quando ele existe muitas vezes vem camuflado do estere\u00f3tipo folcl\u00f3rico da bicha decoradora e animadora do bingo da fam\u00edlia. Sim, nessas horas \u00e9 conveniente &#8216;nos aceitar&#8217;.<\/p>\n<p>Quantos de n\u00f3s tivemos que apresentar os nossos companheiros ou companheiras como amigos na noite de ontem? Quantos de n\u00f3s tivemos que nos trancar no quatro para ligar para a pessoa que amamos e que jamais ser\u00e1 aceita pelas nossas fam\u00edlias? Se voc\u00ea for hetero dificilmente sabe o que \u00e9 essa dor. Voc\u00ea pode at\u00e9 pensar que isso \u00e9 uma bobagem ou problematiza\u00e7\u00e3o da minha cabe\u00e7a mas tente, por um segundo, pensar em como \u00e9 ser silenciado dentro da sua pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O problema do Natal \u00e9 justamente a hipocrisia que h\u00e1 nele. Talvez se as fam\u00edlias, de fato, seguissem o exemplo de Jesus Cristo as coisas n\u00e3o seriam t\u00e3o cru\u00e9is com n\u00f3s.<\/p>\n<p>O tio que me disse que &#8216;eu tinha que ser macho e n\u00e3o chorar&#8217; \u00e9 o mesmo que trai a esposa e na hora da ceia levanta a ta\u00e7a e faz o brinde em nome da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O primo que hoje ostenta mulher e filhos no estilo comercial de margarina \u00e9 o mesmo que no passado iniciou a vida sexual no troca-troca de primos e sequer olha na sua cara durante a ceia.<\/p>\n<p>E quantos pais e m\u00e3es n\u00e3o abra\u00e7aram seus filhos e filhas ontem por serem LGBTQIA+? Certamente foram v\u00e1rios. Mas esses mesmos pais na hora da ora\u00e7\u00e3o falaram de amor, acolhimento e seguir o exemplo de Jesus .<\/p>\n<p>Acho que nessas fam\u00edlias a leitura da b\u00edblia foi bem seletiva ou h\u00e1 um grave problema de interpreta\u00e7\u00e3o de texto. Afinal, Jesus \u00e9 o s\u00edmbolo do acolhimento, respeito \u00e0 diversidade e amor sem preconceito.<\/p>\n<p>Seguir o exemplo de Jesus n\u00e3o \u00e9 nos silenciar e fingir que n\u00e3o existimos ou achar que &#8216;temos cura&#8217;. Seguir Jesus \u00e9 deixar de ser hip\u00f3crita nas atitudes, falso com as fam\u00edlias e amar com sinceridade.<\/p>\n<p>Olhar o outro e perceber a for\u00e7a das atitudes preconceituosas \u00e9 seguir o ensinamento crist\u00e3o. Algu\u00e9m que j\u00e1 passou uma ceia com uma pessoa LGBTQIA+ j\u00e1 percebeu que normalmente fugimos para o isolamento dos quartos e cantos quando come\u00e7am as a\u00e7\u00f5es ufanistas pela &#8216;fam\u00edlia tradicional? Provavelmente n\u00e3o. \u00c9 mais f\u00e1cil fingir que n\u00e3o existimos. \u00c9 mais f\u00e1cil nos escamotear. \u00c9 mais f\u00e1cil fingir que a fam\u00edlia \u00e9 feliz mesmo quando h\u00e1 bastante podrid\u00e3o nas cinzas da ceia.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de continuar nesse mar de hipocrisia \u00e9 s\u00f3 sua. N\u00e3o seja a tia escrota, o pai negligente ou a prima cruel. J\u00e1 que Jesus \u00e9 t\u00e3o importante para voc\u00ea fa\u00e7a como ele fez: ame incondicionalmente quem foi colocado \u00e0 margem da sociedade.<\/p>\n<p>Aos LGBTQIA+, se for seguro (afinal, estamos no pa\u00eds onde mais morremos), aconselho que voc\u00ea seja bem viaaaaaaada. Seja voc\u00ea, n\u00e3o abaixe a cabe\u00e7a e assuma o protagonismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo Natal \u00e9 a mesma coisa. As fam\u00edlias se re\u00fanem, comem, comem e falam mal uns dos outros. 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