{"id":17256,"date":"2018-11-07T15:50:46","date_gmt":"2018-11-07T18:50:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=17256"},"modified":"2018-11-07T15:50:46","modified_gmt":"2018-11-07T18:50:46","slug":"espetaculo-oxum-tera-apresentacoes-no-teatro-vila-velha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/espetaculo-oxum-tera-apresentacoes-no-teatro-vila-velha\/","title":{"rendered":"Espet\u00e1culo Oxum ter\u00e1 apresenta\u00e7\u00f5es no Teatro Vila Velha"},"content":{"rendered":"<p>O N\u00facleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA) encerra as atividades do projeto OROAFROBUMERANGUE, aprovado no Edital de Apoio a Grupos e Coletivos Culturais da Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Estado da Bahia (Funceb), com mais cinco apresenta\u00e7\u00f5es do espet\u00e1culo Oxum, de 22 a 25 de novembro, no Teatro Vila Velha, de quinta a s\u00e1bado, \u00e0s 20h, e domingo, \u00e0s 19h, com ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).<\/p>\n<p>No dia 25, ocorre uma sess\u00e3o especial \u00e0s 16h, com pre\u00e7o popular (R$ 20 inteira e R$ 10 meia). Al\u00e9m da montagem, o NATA realiza nesse mesmo dia 25 de novembro, \u00e0s 17h, o V IPAD\u00ca \u2013 F\u00f3rum NATA de Africanidade, com a tem\u00e1tica \u201cCad\u00ea a mulher negra para a gente ver? Feminilidades e representatividade\u201d. O evento se estabelece como uma atividade \u201cte\u00f3rico-interacional\u201d entre os estudos dos artistas do grupo, a Comunidade de ax\u00e9, a comunidade em geral e os acad\u00eamicos com tem\u00e1ticas afins ao debate de ra\u00e7a e identidade.<\/p>\n<p>Participam do encontro Adriana Quilombos, mulher negra, ekedi filha de Oxum e historiadora formada pela Universidade Estadual de Santa Cruz \u2013 UESC; e Fran Dem\u00e9trio, mulher trans, negra, filha de Oxum, doutora em Sa\u00fade Coletiva pelo ISC\/UFBA, professora adjunta e pesquisadora da UFRB. Este encontro coroar\u00e1 todo o processo de pesquisa sobre feminismo negro e a divindade Oxum desenvolvido para a montagem Oxum.<\/p>\n<p><strong>Espet\u00e1culo<\/strong><br \/>\nConta um itan africano que, atrav\u00e9s de um levante organizado e liderado por Oxum, \u00e0s mulheres foram convocadas a secar o mundo, deixando-o inf\u00e9rtil e desequilibrado. Para que todos compreendessem a import\u00e2ncia das mulheres na concep\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>A homenagem a essa Yalod\u00ea \u2013 cargo dado a mais importante entre todas as mulheres da cidade \u2013 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma biografia, mas uma investiga\u00e7\u00e3o para expor caracter\u00edsticas de Oxum que n\u00e3o s\u00e3o faladas. Atributos presentificados em personagens atuais: uma linguista, pagodeira, entre outras.<\/p>\n<p>Na dramaturgia aparecem quatro qualidades de OXUM: Opar\u00e1 \u2013 Justiceira e guerreira; Ok\u00ea ou Loke \u2013 ca\u00e7adora; Abot\u00f4 ou Yaboto \u2013 \u00e9 a origem de Oxum, relacionada ao parto e ao nascimento e ao encantamento; e Ijimu, a feiticeira e senhora da fecundidade. Faz-se ainda refer\u00eancia as Yami, m\u00e3e ancestral, s\u00edntese e geratriz do poder feminino.<\/p>\n<p>Na po\u00e9tica do Nata, cada Oxum \u00e9 interpretada pela atriz que tem o arqu\u00e9tipo correspondente a qualidade. Para escolher essas qualidades, a voz \u2013 o lugar de fala \u2013 das atrizes se tornou algo importante. Oxum \u00e9 um mergulho no autocuidado entre mulheres negras.<\/p>\n<p>Para Oxum, o NATA convidou mais tr\u00eas atrizes \u2013 Fernanda Silva, Ive Carvalho e Tatiana Dias -, que foram selecionadas atrav\u00e9s de audi\u00e7\u00e3o. Fazem parte do elenco os integrantes do grupo: Fab\u00edola Nansur\u00ea, Ant\u00f4nio Marcelo, Daniel Arcades, Thiago Romero &#8211; que assina a dire\u00e7\u00e3o de arte &#8211; e Nando Z\u00e2mbia, que assina a ilumina\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da pe\u00e7a. Para completar o quadro de interpretes, o grupo traz a cantora Joana Boccanera, que tamb\u00e9m assina a prepara\u00e7\u00e3o vocal.<\/p>\n<p><strong>Dramaturgia<\/strong><br \/>\nOxum \u2013 divindade ligada ao amor, ao encantamento, tamb\u00e9m \u00e9 guerreira e \u00e9 senhora da fecundidade &#8211; convoca as divindades femininas para darem um basta nos homens, que estavam concebendo o mundo sem elas e as colocando apenas em fun\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs itans africanos nos mostram que nos per\u00edodos de matriarcado as energias eram equilibradas. Quando o patriarcado assume passa a alijar a mulher e em rep\u00fadio a este alijamento as mulheres secaram o mundo e este se tornou inf\u00e9rtil. Oxum \u00e9 um arqu\u00e9tipo dessa feminilidade revolucion\u00e1ria, de poder, de espa\u00e7o de luta e a\u00e7\u00e3o\u201d, explica Onisaj\u00e9 (Fernanda J\u00falia), diretor art\u00edstica do NATA.<\/p>\n<p>De acordo com Daniel Arcades, a dramaturgia em Oxum mant\u00e9m o l\u00edrico-narrativo aliado a presen\u00e7a das vozes pol\u00edticas femininas. \u201cAprofundamos o interc\u00e2mbio entre tradi\u00e7\u00e3o e contemporaneidade, trazendo um discurso que pensa no protagonismo feminino. Pensamos em dois lugares: no lugar de fala e escuta. Ou seja, esse assunto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de mulher e sim de todos, mas a fala precisa ser delas\u201d.<\/p>\n<p>A montagem \u00e9 um levante contra o feminic\u00eddio negro e a invisibiliza\u00e7\u00e3o da mulher negra na contemporaneidade. \u201cLugar de fala n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o lugar que se est\u00e1 falando, mas a visibiliza\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o desta fala, citando aqui a fil\u00f3sofa Djamila Ribeiro. \u00c9 o que estamos propondo em Oxum. \u00c9 a mulher falar de si, por si e sobre si\u201d, descreve Onisaj\u00e9, ao refor\u00e7ar que a sociedade precisa visibilizar essas vozes femininas negras.<\/p>\n<p>O core\u00f3grafo Zebrinha, que divide a dire\u00e7\u00e3o com Onisaj\u00e9, fala que a encena\u00e7\u00e3o apresenta a mulher em seu lugar de for\u00e7a e autonomia, &#8220;um lugar de onde as mulheres est\u00e3o a tra\u00e7ar o pr\u00f3prio destino e a apontar caminhos para um mundo melhor. O espet\u00e1culo n\u00e3o exclui os homens, antes os coloca num lugar de escuta necess\u00e1rio ao amadurecimento da rela\u00e7\u00e3o entre os g\u00eaneros, tendo o di\u00e1logo como caminho da compreens\u00e3o e da colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatua para o equil\u00edbrio da vida\u201d.<\/p>\n<p><strong>Musicalidade<\/strong><br \/>\nOs espet\u00e1culos do NATA tem forte presen\u00e7a de atabaques e instrumentos percussivos. Em busca de aprofundar a po\u00e9tica musical do grupo foram convidados a cantora e preparadora vocal Joana Bocannera e o compositor, diretor musical e m\u00fasico Maur\u00edcio Louren\u00e7o, que criaram uma trilha com bases afrocentradas e afrofuturistas, promovendo a descoloniza\u00e7\u00e3o da voz e busca a ancestralidade negra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O N\u00facleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA) encerra as atividades do projeto OROAFROBUMERANGUE, aprovado no Edital de Apoio a Grupos e Coletivos Culturais da Funda\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"class_list":["post-17256","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-home","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17256"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17256\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17258,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17256\/revisions\/17258"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}