{"id":16018,"date":"2018-06-28T06:59:49","date_gmt":"2018-06-28T09:59:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=16018"},"modified":"2018-06-28T09:39:01","modified_gmt":"2018-06-28T12:39:01","slug":"onu-cria-orientacao-para-empresas-combaterem-discriminacao-contra-lgbtqi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/onu-cria-orientacao-para-empresas-combaterem-discriminacao-contra-lgbtqi\/","title":{"rendered":"ONU cria orienta\u00e7\u00e3o para empresas combaterem discrimina\u00e7\u00e3o contra LGBTQI+"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Gil Santos<\/strong><br \/>\n<strong>(gilvan.santos@redebahia.com.br)<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o\u00a0\u00f3bvia que nem deveria ser motivo de discuss\u00e3o, mas a falta de respeito e o preconceito com p\u00fablico LGBTQI+ nas empresas levou a Organiza\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) a criar um documento com Padr\u00f5es de Conduta para Empresas enfrentarem a discrimina\u00e7\u00e3o nos ambientes de trabalho.<\/p>\n<p>O material foi divulgado como parte das celebra\u00e7\u00f5es do Dia Internacional do Orgulho LGBTQI+\u00a0,\u00a0comemorado nesta quinta-feira (28), e na mesma semana em que a PwC publicou uma pesquisa que apontou que apenas 29% das empresas brasileiras t\u00eam programas de inclus\u00e3o para esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Para a vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Recursos Humanos na Bahia (ABRH-BA), Margot Azevedo, ainda existe uma resist\u00eancia das empresas em fazer a contrata\u00e7\u00e3o de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, pessoas trans e intersexo. Ela acredita que o principal problema \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente apresenta a situa\u00e7\u00e3o com o rigor de informa\u00e7\u00f5es percebemos uma sensibiliza\u00e7\u00e3o por parte das empresas, e esse \u00e9 o processo. Precisamos sensibilizar e informar primeiro para poder incluir. As empresas precisam entender que n\u00e3o existe inova\u00e7\u00e3o sem diversidade de g\u00eanero\u201d, disse.<\/p>\n<p>Entre os compromissos elaborados pela ONU para promover a igualdade est\u00e1 o das empresas sempre respeitarem os direitos humanos de funcion\u00e1rios, clientes e membros da comunidade LGBTQI+\u00a0. Acabar com a discrimina\u00e7\u00e3o contra esses empregados, apoi\u00e1-los no ambiente de trabalho e defender os direitos dessas pessoas nas comunidades onde realizam neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><strong>Aten\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara quem vive a experi\u00eancia de ser julgado pela sexualidade \u00e9 necess\u00e1rio redobrar os cuidados e policiar as pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es. A jornalista Bia Mathieu, 33 anos, uma mulher transexual, contou que tinha uma preocupa\u00e7\u00e3o extra quando participava de sele\u00e7\u00f5es de emprego. Ela disse que \u201cevitava caprichar\u201d na est\u00e9tica visual e tentava ser o mais b\u00e1sica poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, ainda causa estranheza nas pessoas se depararem numa entrevista com uma mulher trans e jornalista. Algumas acabam desacreditando, mas \u00e9 muito importante quando somos vistas como profissionais, quando esquecem o que n\u00e3o interessa \u00e0 nossa atua\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ela comemorou a inciativa da ONU e disse que as empresas ainda n\u00e3o sabem lidar com pessoas trans, nem d\u00e3o a devida import\u00e2ncia \u00e0s qualidades profissionais dessas pessoas. Bia afirmou que o fato de mulheres trans serem chamadas pelo nome masculino \u00e9 t\u00e3o ofensivo quanto uma agress\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p><strong>N\u00fameros<\/strong><br \/>\nA pesquisa realizada pela PwC em parceria com a Out Leadership, com 231 funcion\u00e1rios LGBT+ de diferentes pa\u00edses, apontou que cerca de 85% desses profissionais se sentiam confort\u00e1veis no trabalho. No entanto, a maior parte dos empregadores ainda n\u00e3o aproveita todas as possibilidades para incentivar o crescimento desses trabalhadores.<\/p>\n<p>Todos os funcion\u00e1rios disseram que a progress\u00e3o na carreira \u00e9 importante para eles, mas apenas 29% das empresas entrevistadas possuem programas voltados para a reten\u00e7\u00e3o de talentos LGBT+. Al\u00e9m disso, somente 12% dos empregados est\u00e3o cientes de que tais programas existem na organiza\u00e7\u00e3o onde trabalham.<\/p>\n<p>No total, 60% das empresas disseram que tomam medidas para garantir o desenvolvimento da carreira de pessoas LGBTQI+\u00a0, mas 43% dos funcion\u00e1rios acreditam que isso realmente acontece. A pesquisa revelou tamb\u00e9m que apenas 28% dos mentores integram uma das siglas.<\/p>\n<p><strong>Gest\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, a solu\u00e7\u00e3o pode ser mais simples do que parece. Ele destacou a import\u00e2ncia da Gest\u00e3o da Diversidade, uma forma de administra\u00e7\u00e3o que permite identificar as potencialidades das diferen\u00e7as dentro da empresa.<\/p>\n<p>\u201cA inciativa da ONU coaduna com o trabalho que a gente desenvolve. H\u00e1 tempos falamos sobre a import\u00e2ncia da diversidade, mas as empresas na Bahia n\u00e3o est\u00e3o dando import\u00e2ncia ao tema. Na Gest\u00e3o da Diversidade um especialista pensa essas a\u00e7\u00f5es, tanto de g\u00eanero, como de ra\u00e7a, religi\u00e3o, entre outros, o que melhorar a empresa como um todo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para ele, os empregadores precisam estabelecer limites no tratamento entre os funcion\u00e1rios, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es voltadas para o p\u00fablico LGBT+ se quiserem de adequar \u00e0 realidade. Na pesquisa da PwC, 99% dos entrevistados disseram que pesquisam a reputa\u00e7\u00e3o da empresa antes de aceitar o trabalho, mas 43% dos empregadores disseram que n\u00e3o se preocupam com a imagem da organiza\u00e7\u00e3o nesse aspecto.<\/p>\n<p><strong>Direito<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 o superintendente de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos, da Secretaria de Justi\u00e7a, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Emiliano Jos\u00e9, lembrou que tratar as pessoas como iguais n\u00e3o \u00e9 nenhum favor, mas uma obriga\u00e7\u00e3o de todos os seres humanos.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o da inclus\u00e3o LGBT \u00e9 uma pauta essencial e democr\u00e1tica que o mundo est\u00e1 debatendo atualmente. A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos estabelece que todo o ser humano merece ser tratado com respeito, em qualquer situa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o pode ser julgado por seu sexo ou suas cren\u00e7as\u201d, disse.<\/p>\n<p>O documento apresentado essa semana pela ONU foi elaborado ap\u00f3s um ano de reuni\u00f5es consultivas regionais, com representantes de empresas e da sociedade civil na Europa, \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9ricas. Ele oferece orienta\u00e7\u00f5es sobre como respeitar os direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+.<\/p>\n<p>A ONU pede que as empresas manifestem publicamente o apoio a causa. No total, mais de 140 institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 se somaram \u00e0 iniciativa em Nova Iorque, Toronto, Paris, Londres, Genebra, Davos, Nair\u00f3bi, Melbourne, Mumbai, Hong Kong e T\u00f3quio.<\/p>\n<p><strong>Consumo<\/strong><br \/>\nUm dos cinco compromissos divulgados pede para as empresas n\u00e3o discriminarem clientes, fornecedores e distribuidores LGBTI, al\u00e9m de insistir que seus parceiros de neg\u00f3cios tamb\u00e9m n\u00e3o discriminem.<\/p>\n<p>O diretor de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia de Defesa do Consumidor (Procon-BA), Iratan Vilas Boas, lembrou que mais do que um pedido, tratar os clientes como iguais \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o das empresas e um direito dos consumidores garantido por lei.<\/p>\n<p>\u201cO C\u00f3digo de Defesa do Consumidor veda todo e qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o, no art. 39, inciso 9, seja por quest\u00f5es de g\u00eanero, religi\u00e3o ou ra\u00e7a. Quem se coloca no mercado de consumo tem que vender para todos, a n\u00e3o ser que uma lei pro\u00edba, como no caso de bebidas alco\u00f3licas para menores de idade, por exemplo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O consumidor que se sentir prejudicado em uma rela\u00e7\u00e3o de consumo por conta de discrimina\u00e7\u00e3o deve procurar o \u00f3rg\u00e3o atrav\u00e9s do App Procon BA Mobile ou do e-mail denuncia.procon@sjdhds.ba.gov.br. A empresa que desrespeitar a lei pode ser autuado e multada em at\u00e9 R$ 6 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Por mais confuso que sejam as siglas LGBTQI+, isso n\u00e3o d\u00e1 o direito de ofender ou humilhar, por isso, o importante \u00e9 respeitar. Afinal, cada um sabe a dor e a del\u00edcia de ser o que \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Compromissos pela igualdade<\/strong><\/p>\n<p>Sempre: Respeitar os direitos humanos de funcion\u00e1rios, clientes e membros da comunidade LGBTI<\/p>\n<p>No local de trabalho: Acabar com a discrimina\u00e7\u00e3o contra funcion\u00e1rios LGBTI e apoiar funcion\u00e1rios LGBTI no ambiente de trabalho<\/p>\n<p>No mercado: N\u00e3o discriminar clientes, fornecedores e distribuidores LGBTI, al\u00e9m de insistir que seus parceiros de neg\u00f3cios tamb\u00e9m n\u00e3o discriminem<\/p>\n<p>Na comunidade: Defender os direitos humanos de pessoas LGBTI nas comunidades onde realizam seus neg\u00f3cios<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>Discrimina\u00e7\u00e3o contra LGBT impacta na produtividade das empresas<\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Era madrugada do dia 28 de junho quando alguns clientes de um bar, em Nova York, foram presos por \u2018conduta imoral\u2019. O ano era 1969 e havia uma clara persegui\u00e7\u00e3o a comunidade LGBT.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Revoltados com a a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, alguns moradores tomaram partido dos presos, e nos dias seguintes uma s\u00e9rie de marchas foram realizadas a favor da comunidade. Elas ficaram conhecidas como Rebeli\u00e3o de Stonewall, e data foi escolhida como Dia Internacional do Orgulho LGBTQI+.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">De l\u00e1 pra c\u00e1, muita coisa mudou, mas nem tanto como a comunidade gostaria. Para Paulette Furac\u00e3o, do\u00a0F\u00f3rum de Pol\u00edticas P\u00fablicas para Travestis e pessoas Trans, a integra\u00e7\u00e3o dessas pessoas ainda \u00e9 uma quest\u00e3o a de discutir.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u201cTemos que pensar que tipo de orgulho \u00e9 esse e o que tem sido feito para se ouvir e integrar essas pessoas. O mercado de trabalho ainda est\u00e1 fechado para esse p\u00fablico, e isso precisa ser discutido se quisermos uma sociedade mais participativa e democr\u00e1tica\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">O material divulgado pela ONU esta semana, sobre o respeito \u00e0 igualdade, traz um estudo do Banco Mundial realizado na \u00cdndia em 2015 que estimou que o custo da discrimina\u00e7\u00e3o contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTI poderia gerar preju\u00edzo ao pa\u00eds de 1,7% do PIB potencial, o equivalente a 32 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">A vice-presidente da ABRH-BA, Margot Azevedo, contou que a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada ao bem estar dos funcion\u00e1rios na empresa e que as organiza\u00e7\u00f5es precisam ficar atentas \u00e0s mudan\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u201cA diversidade impacta nos relacionamentos, e os relacionamentos impactam na produtividade, ent\u00e3o, discutir esse assunto \u00e9 necess\u00e1rio para a sobreviv\u00eancia do pr\u00f3prio neg\u00f3cio. A empresa que ignora isso est\u00e1 fadada a desaparecer\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Os dados apresentados pela ONU dizem que empresas com elevada diversidade apresentam melhor desempenho no mercado, e que funcion\u00e1rios LGBTI que \u201cest\u00e3o no arm\u00e1rio\u201d t\u00eam 73% mais chance de deixar os postos de trabalho, em compara\u00e7\u00e3o com funcion\u00e1rios que vivem a sexualidade de maneira livre.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Al\u00e9m disso, o poder de compra de consumidores e aliados LGBT foi de 3,7 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, em 2015. \u201cPor isso, ignorar esse mercado e excluir essas pessoas \u00e9 incoerente, ainda mais em tempos de crise\u201d, disse Furac\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Quem precisar de intermedia\u00e7\u00e3o para conseguir um emprego, orienta\u00e7\u00e3o sobre como elaborar curr\u00edculo ou proceder em entrevistas pode procurar o Centro Municipal de Refer\u00eancia LGBT, no Rio Vermelho. O local oferece apoio tamb\u00e9m a quem \u00e9 v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o, assim como o Casar\u00e3o da Diversidade, na Rua 28 de Setembro, no Centro Hist\u00f3rico. Os atendimentos s\u00e3o gratuitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gil Santos (gilvan.santos@redebahia.com.br) A quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o\u00a0\u00f3bvia que nem deveria ser motivo de discuss\u00e3o, mas a falta de respeito e o preconceito com p\u00fablico LGBTQI+ [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16024,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[80,9],"tags":[],"class_list":["post-16018","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-home","category-me-orgulho","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16018"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16018\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16032,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16018\/revisions\/16032"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16024"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}