{"id":16011,"date":"2018-06-28T06:38:28","date_gmt":"2018-06-28T09:38:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=16011"},"modified":"2018-06-29T08:08:54","modified_gmt":"2018-06-29T11:08:54","slug":"vai-ter-bicha-no-rap-sim-conheca-o-coletivo-quebrada-queer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/vai-ter-bicha-no-rap-sim-conheca-o-coletivo-quebrada-queer\/","title":{"rendered":"\u201cVai ter bicha no rap sim!\u201d; conhe\u00e7a o coletivo Quebrada Queer"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Kelven Figueiredo*<\/strong><\/p>\n<p>O rap ficou mais colorido e democr\u00e1tico com a chegada da primeira Cypher (faixa de rap que re\u00fane um grupo de rappers colaborando sob uma mesma tem\u00e1tica) LGBTQ+ de rap. O grupo Quebrada Queer conta com seis integrantes: Murillo Zyess, Guigo, Harlley, Lucas Boombeat, Tchelo Gomez e a mais nova integrante produtora e DJ Apuke.<\/p>\n<p>O single hom\u00f4nimo ao coletivo ganhou a internet no \u00faltimo dia 04\/06 e deu o que falar justamente porque coloca o dedo na ferida e denuncia a homofobia na cena do rap. Os versos que retratam a trajet\u00f3ria de cada integrante tanto no meio art\u00edstico quanto em suas hist\u00f3rias de vida ca\u00edram no gosto do p\u00fablico e a faixa foi parar na primeira posi\u00e7\u00e3o da playlist Viral do Spotify. Al\u00e9m disso o clipe da m\u00fasica j\u00e1 conta com mais de 800 mil visualiza\u00e7\u00f5es no YouTube.<\/p>\n<p>A faixa apresenta de cada integrante do QQ e mistura o Rap com Hip-Hop-, R&amp;B, e at\u00e9 mesmo o Pop. Confira toda hist\u00f3ria do coletivo que promete causar n\u00e3o s\u00f3 com close, mas com muita luta tamb\u00e9m na cena do rap brasileira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FwktAmgku68\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Me Salte: Como \u00e9 ser gay na cena do Rap?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quebrada Queer: (Harlley)<\/strong> \u00c9 viver no invis\u00edvel, sabe? \u00c9 viver fazendo rap, mas n\u00e3o ser reconhecido pelo seu trabalho porque os caras da cena n\u00e3o querem te olhar, nem te ajudar. Eles n\u00e3o querem reconhecer que voc\u00ea faz m\u00fasica igual a eles. Porque se voc\u00ea \u00e9 gay, n\u00e3o tem que t\u00e1 fazendo rap, tem que fazer pop ou qualquer outra coisa.<\/p>\n<p><strong>MS: De onde surgiu a ideia de montar essa cypher?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Tchelo)<\/strong>\u00a0\u201cApesar dos trabalhos j\u00e1 lan\u00e7ados, de n\u00e3o sermos pioneiros, sentimos que ainda faltava algo e como n\u00e3o existia no mundo um grupo de rap LGBTQ+ viemos com p\u00e9 no peito pra mostrar que todos s\u00e3o capazes.\u201d<\/p>\n<p><strong>MS: Por que voc\u00eas escolheram esse nome para o grupo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Tchelo)\u00a0<\/strong> Esse nome tava muito na minha cabe\u00e7a. Logo quando decidimos fazer a cypher e logo depois o coletivo, a gente precisava identificar o grupo e a\u00ed eu coloquei logo de cara Quebrada Queer. Na minha cabe\u00e7a fazia muito sentido porque a quebrada \u00e9 de onde n\u00f3s surgimos e o queer \u00e9 um termo que identifica a gente. Al\u00e9m disso a fon\u00e9tica ficou muito boa tamb\u00e9m. E o nome que era pra ser um nome provis\u00f3rio, quando a gente se juntou para discutir todo mundo concordou e disse \u201ceu acho que \u00e9 isso mesmo e n\u00e3o tem que mudar\u201d. Eu acho que isso j\u00e1 estava escrito, n\u00e3o por mim, mas o Quebrada j\u00e1 existia antes mesmo da gente dar um nome.<\/p>\n<p><strong>MS: Como voc\u00eas se conheceram?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Murillo Zyess)<\/strong>\u00a0Eu j\u00e1 conhecia o Guigo e o Harlley, porque participei do EP solo de cada um deles. Com o Tchelo, eu tinha um contato maior pela internet apenas, mas participei de um evento que ele organizou, e o Lucas eu trombei em show que eu participei, ele tamb\u00e9m estava participando, cantando, da\u00ed eu passei a acompanh\u00e1-lo mas n\u00e3o convers\u00e1vamos. Comecei a planejar a ideia da m\u00fasica com o Harlley, e levantamos alguns poss\u00edveis nomes para participar.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos muito dar esse start numa cypher de rap gay. Porque apesar de existirem muitos artistas LGBTQ+ na cena, n\u00e3o existia essa cypher, e foi quando eu lembrei do Lucas, em evento que vi ele rimando e tal, da\u00ed o convidei. O engra\u00e7ado foi que na mesma semana o Tchelo me mandou mensagem me convidando pra participar de uma cypher gay que ele queria montar. A\u00ed a gente s\u00f3 uniu as ideias.<\/p>\n<p><strong>MS: Todos voc\u00eas j\u00e1 tinham projetos solo. Estes projetos devem continuar ou voc\u00eas v\u00e3o se dedicar apenas ao QQ?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Guigo)<\/strong>\u00a0\u201cNosso plano \u00e9 seguir com o coletivo e nos dedicar a ele. Alguns de n\u00f3s ainda temos algumas pend\u00eancias em nossas carreiras solo, mas a prioridade agora \u00e9 o Quebrada.\u201d<\/p>\n<p><strong>MS: Voc\u00eas esperavam toda a repercuss\u00e3o que o v\u00eddeo teve?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Tchello)<\/strong>\u00a0\u201cEm partes sim. Esper\u00e1vamos um \u2018boom\u2019 local, a soma do nosso p\u00fablico e tals. Mas foi muito mais do que esperado. Estamos em todo o brasil, recebemos milhares de mensagens nas redes sociais, a galera at\u00e9 j\u00e1 sabe a letra de cor. Com menos de 1 m\u00eas de lan\u00e7amento aconteceram muitas coisas boas.\u201d<\/p>\n<p><strong>MS: Como se deu a divis\u00e3o dos versos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Guigo)<\/strong> O mais legal desse som \u00e9 exatamente isso. N\u00f3s combinamos de fazer uma parceria, mas nunca combinamos o que seria dito nessa m\u00fasica. Na real, cada um na sua casa, no seu canto, come\u00e7ou a compor o som. N\u00e3o teve isso de decidir um tema. Cada um ali conta muito das suas experi\u00eancias, do que acha e do que v\u00ea. N\u00e3o d\u00e1 para dizer que foi colaborativo porque n\u00e3o sentamos juntos para escrever, mas acabou sendo colaborativo porque cada um colocou um pouco de si dentro da m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>MS: Voc\u00eas pretendem experimentar outros ritmos em trabalhos futuros?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Lucas)<\/strong> E acho que esse processo vai acontecer naturalmente at\u00e9 porque n\u00f3s somos um coletivo de artistas bem diverso. At\u00e9 dentro do nosso pr\u00f3prio jeito de fazer rap somos muito diferentes um do outro, mas tudo se encaixa no fim. Acho que esse processo de arriscar em outros estilos vai rolar at\u00e9 porque somos muito livre para experimentar outros estilos.<\/p>\n<p><strong>MS: Voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o trabalhando em um novo single? Como ele vai soar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Apuke)<\/strong> \u00c9 algo pra cima, dan\u00e7ante que tem a constru\u00e7\u00e3o brasileira envolvida. N\u00f3s j\u00e1 temos 70% conclu\u00eddo e ser\u00e1 uma parceria. Isso \u00e9 tudo que a gente pode revelar at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>MS: Voc\u00eas t\u00eam alguma dica para quem \u00e9 da comunidade LGBTQ+ e tem o sonho de fazer um projeto no rap?<\/strong><\/p>\n<p><strong>QQ: (Murillo)<\/strong> N\u00e3o se limite e n\u00e3o leve em considera\u00e7\u00e3o qualquer tipo de opress\u00e3o que voc\u00ea venha sofrer por ser LGBTQ+ no rap. Eles at\u00e9 podem dizer que voc\u00ea n\u00e3o pertence, ou que isso n\u00e3o \u00e9 pra voc\u00ea, mas isso \u00e9 um dos maiores equ\u00edvocos porque \u00e9 justamente o contr\u00e1rio. O rap te abra\u00e7a e \u00e9 contra qualquer tipo de preconceito. Voc\u00ea que gosta do g\u00eanero, que quer fazer e estar na cena saiba que o rap te acolhe e voc\u00ea s\u00f3 precisa correr atr\u00e1s e n\u00e3o deixar de acreditar nos seus sonhos que as coisas acontecem.<\/p>\n<p><em>*com supervis\u00e3o do editor Jorge Gauthier\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Kelven Figueiredo* O rap ficou mais colorido e democr\u00e1tico com a chegada da primeira Cypher (faixa de rap que re\u00fane um grupo de rappers colaborando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16017,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[80,9],"tags":[],"class_list":["post-16011","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-home","category-me-orgulho","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16011"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16011\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16071,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16011\/revisions\/16071"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}