{"id":15267,"date":"2018-05-02T08:52:15","date_gmt":"2018-05-02T11:52:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=15267"},"modified":"2018-05-02T09:34:53","modified_gmt":"2018-05-02T12:34:53","slug":"alerta-textao-ate-quando-precisaremos-ser-o-amigo-do-nosso-namorado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/alerta-textao-ate-quando-precisaremos-ser-o-amigo-do-nosso-namorado\/","title":{"rendered":"[Alerta text\u00e3o]: At\u00e9 quando precisaremos ser \u2018o amigo\u2019 do nosso namorado?"},"content":{"rendered":"<p>Natal. Sala cheia, todos confraternizam ao redor da mesa. O clima \u00e9 de alegria at\u00e9 chegar aquela vizinha. De imediato as m\u00e3os se separam e em instantes voc\u00ea vira o amigo do seu namorado. Da\u00ed vem o Ano-Novo, Carnaval, Dia das M\u00e3es, Dia dos Pais, funerais, cirurgias, batizados de bonecas &#8230;. e em todos os eventos que voc\u00ea est\u00e1 presente sempre voc\u00ea \u00e9 taxado como o amigo (por mais peculiar que seja ser o \u00fanico de \u2018fora da fam\u00edlia\u2019) da pessoa que est\u00e1 ao seu lado por s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Esse texto \u00e9 para falar das fam\u00edlias que acolhem seus filhxs LGBTQIA+, seus parceirxs, mas que ainda omitem\/escondem diante das situa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas a exist\u00eancia dessas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sim, sim! Pode parecer at\u00e9 uma coisa incoerente falar de aceita\u00e7\u00e3o dentro de fam\u00edlias que j\u00e1 convivem de forma harmoniosa com relacionamentos homoafetivos. Essas fam\u00edlias j\u00e1 pularam a primeira barreira \u2013 a do preconceito interno \u2013 mas muitas t\u00eam dificuldade de passar a segunda barreira: a l\u00edngua dos vizinhos e do mundo externo.<\/p>\n<p>Falo isso por conhecimento de causa. J\u00e1 passei isso com antigos namorados e at\u00e9 mesmo agora com meu marido \u2013 e olhe que j\u00e1 estamos casados desde 2016. \u00c0s vezes, essa nega\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo para o mundo externo vem disfar\u00e7ada de prote\u00e7\u00e3o. \u2018Voc\u00eas v\u00e3o ficar falados\u2019, \u2018Vai virar o coment\u00e1rio da cidade\u2019, \u2018N\u00e3o v\u00e3o parar de encher o saco de voc\u00eas\u2019&#8230;.<\/p>\n<p>As desculpas s\u00e3o muitas e muitas vezes elas t\u00eam at\u00e9 um fundo de sentido diante da circunst\u00e2ncia vivida. Mas, infelizmente, essa nega\u00e7\u00e3o colabora com a prolifera\u00e7\u00e3o do preconceito propagado de forma t\u00e3o intensa no mundo exterior.<\/p>\n<p>A partir do momento que a pr\u00f3pria fam\u00edlia negligencia a nossa exist\u00eancia enquanto casal abre precedente para as cr\u00edticas e agress\u00f5es da patrulha da moral e dos bons costumes. Infelizmente vivemos numa sociedade onde as pessoas se acham no direito de julgar e apontar o que eles acham que \u00e9 certo. Ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a reconhecer a exist\u00eancia de casais LGBTQIA+, mas todos precisam respeitar nossa presen\u00e7a no mundo. Isso fica ainda mais evidente e urgente quando essa nega\u00e7\u00e3o acontece dentro da nossa casa onde j\u00e1 estamos acolhidos e resolvidos.<\/p>\n<p>Certa vez em um mesmo jantar na casa de um ent\u00e3o namorado vivi uma crise s\u00e9ria de identidade: a cada novo convidado no anivers\u00e1rio da minha ent\u00e3o sogra eu ganhava um t\u00edtulo novo! Em menos de um hora eu fui o amigo, o colega de col\u00e9gio, amigo do trabalho, o jornalista amigo da irm\u00e3&#8230;. Tudo menos namorado. E olhe que foi um namoro de pelo menos uns 3 anos e todas aquelas pessoas j\u00e1 me conheciam de outras situa\u00e7\u00f5es familiares. O motivo? Jamais saberei. Mas sabemos que no fundo uma das principais raz\u00f5es \u00e9 o medo de expor a intimidade para aqueles que n\u00e3o necessariamente v\u00e3o nos acolher com afeto.<\/p>\n<p>E o que dizer de um casal de amigas &#8211; casadas desde 2015 &#8211; que vivem em um apartamento de UM QUARTO &#8211; obviamente com uma cama de casal &#8211; mas que as fam\u00edlias insistem em dizer para os vizinhos que elas s\u00e3o &#8216;apenas amigas&#8217;? Elas moram no mesmo pr\u00e9dio que parte da fam\u00edlia de uma delas. Uma certa vez elas, inclusive, abriram a casa delas para o anivers\u00e1rio de uma tia da fam\u00edlia &#8211; que convidou os vizinhos do pr\u00e9dio. Na cena do jantar uma vizinha fofoqueira pediu para ver o apartamento e perguntou porque s\u00f3 tinha uma cama no quarto. A tropa do deixa disso foi logo explicando que era uma quest\u00e3o de espa\u00e7o e cada uma dormia para um lado da cama como &#8216;amigas&#8217;.\u00a0 Na hora de lavar a lou\u00e7a depois do jantar, quando o tema veio \u00e0 baila, as tias justificaram que a negativa era para proteg\u00ea-las de tretas no condom\u00ednio com os vizinhos evang\u00e9licos.<\/p>\n<p>Entendo e respeito essa postura defensiva, mas acho que temos que parar de pensar na vizinha fuxiqueira ou no amigo do amigo que \u00e9 homof\u00f3bico! Vamos fazer esse povo\u00a0se\u00a0engasgar com a farofa do Natal. Vamos pegar o boy pela m\u00e3o, apresentar como namorado e n\u00e3o reprimir nossas manifesta\u00e7\u00f5es de carinho para debaixo da mesa.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o se entristecer ao ver todos os primos e primas lacrany com seus respectivos e voc\u00ea ter que se esconder na fantasia de amigo e se limitar a tocar, beijar e abra\u00e7ar seu amor \u00e0s escondidas mesmo dentro daquele ambiente acolhedor.<\/p>\n<p>O exemplo precisa vir de casa. Nossas fam\u00edlias precisam ultrapassar essa barreira!<\/p>\n<p><em>*Ilustra\u00e7\u00e3o: Morgana Miranda\/ME SALTE &#8211; CORREIO<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natal. Sala cheia, todos confraternizam ao redor da mesa. O clima \u00e9 de alegria at\u00e9 chegar aquela vizinha. 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