{"id":14948,"date":"2018-03-27T10:00:07","date_gmt":"2018-03-27T13:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=14948"},"modified":"2018-03-27T10:00:07","modified_gmt":"2018-03-27T13:00:07","slug":"filme-sobre-reencontro-de-travesti-com-a-familia-e-exibido-em-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/filme-sobre-reencontro-de-travesti-com-a-familia-e-exibido-em-salvador\/","title":{"rendered":"Filme sobre reencontro de travesti com a fam\u00edlia \u00e9 exibido em Salvador"},"content":{"rendered":"<p>O reencontro, depois de 27 anos, da diretora baiana Camele Queiroz sua tia Luma, que \u00e9 uma travesti, \u00e9 a hist\u00f3ria que guia o filme com abordagem documental e m\u00e9todos ficcionais Quarto Camarim. Contemplado pelo Rumos Ita\u00fa Cultural 2015-2016, seu lan\u00e7amento em Salvador acontece\u00a0nesta ter\u00e7a-feira (27), \u00e0s 19h, no cinema Saladearte da Ufba, com entrada gratuita.<\/p>\n<p>Antes de chegar ao pa\u00eds, o longa-metragem havia sido projetado somente em festivais internacionais no Canad\u00e1 (Vancouver), Venezuela (Ilha de Maragarita) e Rep\u00fablica Dominicana (Santo Domingo).Al\u00e9m de Camele, Fabricio Ramos tamb\u00e9m assume a dire\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a sess\u00e3o, o p\u00fablico participa de debate com Luma e os diretores, com media\u00e7\u00e3o de Djalma Th\u00fcrler, especialista em gest\u00e3o e pol\u00edticas culturais pela Universidade de Girona (ES).<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o faz parte da temporada 2018 do projeto de difus\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cr\u00edticos de Cinema (Abraccine), e \u00e9 realizado pelo selo independente Bahiadoc (arte-documento), em parceria com a Multi Planejamento Cultural. O longa j\u00e1 passou por Goi\u00e2nia (GO), S\u00e3o Lu\u00eds (MA), Florian\u00f3polis (SC) e Belo Horizonte (MG) e ainda ir\u00e1 paraFortaleza (CE), Jo\u00e3o Pessoa (PB), Porto Alegre (RS), Recife (PE), S\u00e3o Lu\u00eds (MA), Bel\u00e9m (PA), S\u00e3o Paulo (SP), Natal (RN) e Rio de Janeiro (RJ) \u2013 em datas a definir, totalizando 13 capitais.<\/p>\n<p><strong>O filme<\/strong><br \/>\nEm Quarto Camarim, o pr\u00f3prio cinema media a rela\u00e7\u00e3o entre Camele e sua tia Luma, que a diretora conheceu, ainda na inf\u00e2ncia, como\u00a0do g\u00eanero masculino, e que\u00a0agora \u00e9 cabelereira e performer. Nesse reencontro, a diretora questiona se essa busca acontece por raz\u00f5es afetivas ou se limita ao objetivo de fazer um filme. O afeto entre ambas vai se manifestando aos poucos, tensionado pelas conversas sinceras.<\/p>\n<p>Narrativamente, as pr\u00f3prias tens\u00f5es da rela\u00e7\u00e3o entre sobrinha e tia constituem a estrutura da obra, tendo em vista que Luma, \u00e0s v\u00e9speras de iniciar as filmagens, desiste de participar do filme para depois aceitar novamente. Por isso, na fase inicial do longa, essas tens\u00f5es se revelam na forma de lacunas e buscas paralelas da diretora, diante da aus\u00eancia da tia.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a narrativa avan\u00e7a, entretanto, assume uma crescente e sutil afetividade que se revela nas op\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas de Camele. O filme adquire, ent\u00e3o, outros contornos dram\u00e1ticos e est\u00e9ticos, pondo em di\u00e1logo as representa\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria da diretora sobre o tio com a personalidade de Luma, e encantando-se com a sua performance \u00edntima e seu car\u00e1ter firme e n\u00f4made.<\/p>\n<p>\u201cLuma conta que foi, se n\u00e3o a primeira, uma das primeiras travestis a usar saia nas ruas de Feira de Santana (BA), \u00e1rida em v\u00e1rios sentidos, geogr\u00e1ficos e simb\u00f3licos, mas mesmo assim, uma cidade que teve momentos culturais marcantes, especialmente no campo da poesia e do cinema\u201d, fala Camele.<\/p>\n<p>Com isso, a diretora conta que, metaforicamente, viu Luma reunir a resist\u00eancia e aridez do local com a vivacidade que marca a cidade em que nasceu e cresceu. \u201cPara mim, ela se tornou um exemplo de coragem, que acabou por me inspirar por conta de sua forma de encarar as mudan\u00e7as e os desafios da vida, mesmo os mais dif\u00edceis, sempre com altivez e confian\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>\u201cFazer o filme me transformou. Talvez tenha transformado tamb\u00e9m a Luma, em algum aspecto, eu creio firmemente que sim\u201d, revela Camele, que acredita essa ter sido uma de suas experi\u00eancias mais marcantes e intensas, principalmente do ponto de vista da rela\u00e7\u00e3o entre obra e vida. Quarto Camarim \u00e9 uma obra que mostra um reencontro entre duas sensibilidades, de diferentes gera\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cO fato de Luma ser travesti traz \u00e0 tona dimens\u00f5es sociais e pol\u00edticas complexas no campo da sexualidade, das diferen\u00e7as de classe, dos afetos familiares, do preconceito violento e de quest\u00f5es de g\u00eanero\u201d, afirma. \u201cPor\u00e9m, a abordagem escolhida por mim e por Fabricio Ramos se situa no limite das rela\u00e7\u00f5es entre est\u00e9tica e pol\u00edtica, prop\u00f5e ao espectador uma experi\u00eancia cujo sentido e import\u00e2ncia ele mesmo dever\u00e1 procurar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPreferimos n\u00e3o estabelecer de antem\u00e3o ou julgar a import\u00e2ncia que o tema do filme evoca, mas temos consci\u00eancia de que, por um lado, a for\u00e7a dram\u00e1tica dele reside no fato de Luma ser travesti e ser minha tia, mas por outro, essa for\u00e7a vem tamb\u00e9m da express\u00e3o pessoal de minhas inquieta\u00e7\u00f5es e das escolhas formais \u00e0s quais eu recorro para express\u00e1-las, nublando as fronteiras entre a vida e a arte, entre o document\u00e1rio e a fic\u00e7\u00e3o, entre o fato e a mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O reencontro, depois de 27 anos, da diretora baiana Camele Queiroz sua tia Luma, que \u00e9 uma travesti, \u00e9 a hist\u00f3ria que guia o filme com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14949,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[80,9],"tags":[],"class_list":["post-14948","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-home","category-me-orgulho","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14948"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14948\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14950,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14948\/revisions\/14950"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}