{"id":14367,"date":"2018-01-30T07:34:34","date_gmt":"2018-01-30T10:34:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=14367"},"modified":"2018-01-30T09:36:58","modified_gmt":"2018-01-30T12:36:58","slug":"triste-estatistica-a-cada-44-dias-uma-pessoa-trans-ou-travesti-e-assassinada-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/triste-estatistica-a-cada-44-dias-uma-pessoa-trans-ou-travesti-e-assassinada-na-bahia\/","title":{"rendered":"Triste estat\u00edstica: a cada 44 dias uma pessoa trans ou travesti \u00e9 assassinada na Bahia"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Raquel Saraiva, especial para o Me Salte<\/em><\/p>\n<p>O dia 29 de janeiro celebra o Dia da Visibilidade Trans. A data marca quando transsexuais e travestis foram recebidas no Congresso Nacional, em 2004, para reivindicar igualdade de cidadania. Nesta segunda-feira, militantes LGBT+ (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais e transexuais) entregaram ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE) um dossi\u00ea com dados de viol\u00eancia praticados contra essa popula\u00e7\u00e3o no estado. O dossi\u00ea mostra que 25 travestis e transexuais (trans) foram assassinadas na Bahia em 15 munic\u00edpios entre 2015 e 2017, uma m\u00e9dia de um assassinato a cada 44 dias.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEntregamos o dossi\u00ea do Grupo Gay da Bahia (GGB) ao MPE para da\u00ed eles poderem cobrar, atrav\u00e9s dos delegados e promotores dos munic\u00edpios, a\u00e7\u00f5es efetivas com base nos dados da viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT dos \u00faltimos 3 anos nos munic\u00edpios baianos. Foi hist\u00f3rico o MP abrir as portas para gente\u201d, diz Millena Passos.<\/p><\/blockquote>\n<p>O relat\u00f3rio<a href=\"https:\/\/homofobiamata.files.wordpress.com\/2017\/12\/relatorio-2081.pdf\">, dispon\u00edvel na internet,\u00a0<\/a> mostra que o n\u00famero de homic\u00eddios aumentou nos \u00faltimos 3 anos. Em 2015, 5 trans foram mortas em 2015; o n\u00famero aumentou para 9 em 2016 e pulou para 11 em 2017. <a href=\"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/exclusivo-traficante-ordenou-execucao-de-homem-trans-na-bahia-suspeito-foi-preso\/\" target=\"_blank\">Nesse quadro de v\u00edtimas de 2017 est\u00e1 o homem trans T\u00eau Nascimento (foto), morto em maio.\u00a0<\/a><\/p>\n<p><strong>Mortes<\/strong><br \/>\nAinda segundo dados do GGB, diversas trans sofreram morte violenta e tiveram os corpos desfigurados. A Bahia repete o mesmo padr\u00e3o nacional de \u2018lgbtc\u00eddios\u2019:<strong> 72% das v\u00edtimas do estado foram mortas a tiros.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cO aumento tem sido constante nos \u00faltimos 38 anos, desde que o GGB come\u00e7ou a divulgar essas informa\u00e7\u00f5es. Em parte porque a viol\u00eancia no Brasil aumentou de maneira geral e por causa da rea\u00e7\u00e3o dos violenta \u00e0 maior visibilidade LGBT na sociedade em geral\u201d, diz Luiz Mott, fundador do GGB. No total, 35 pessoas morreram na Bahia v\u00edtimas da homotransfobia em 2017.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os crimes de \u00f3dio, como os que s\u00e3o motivados pela transfobia, geralmente t\u00eam um excesso de viol\u00eancia diferente do usual nos crimes comuns. \u201c\u00c0s vezes o \u00f3dio se manifesta pela viol\u00eancia como o latrocida agride a v\u00edtima. N\u00e3o apenas se mata o indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m a sua condi\u00e7\u00e3o de negro, de gay, de trans, porque se tem \u00f3dio dessas minorias\u201d, explica Mott.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/me_salte\/\" target=\"_blank\">ACESSE O INSTAGRAM DO ME SALTE E SAIBA MAIS SOBRE O UNIVERSO LGBTQ+<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Desde a funda\u00e7\u00e3o do movimento, a criminaliza\u00e7\u00e3o da homotransfobia \u00e9 a grande luta do movimento LGBT+. \u201cA gente depende da boa vontade do policial ou do juiz para considerar crime ou n\u00e3o a agress\u00e3o a um gay\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14373\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Trans-1.jpg\" alt=\"Trans 1\" width=\"644\" height=\"731\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Trans-1.jpg 644w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Trans-1-264x300.jpg 264w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Trans-1-129x146.jpg 129w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Trans-1-44x50.jpg 44w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Trans-1-66x75.jpg 66w\" sizes=\"auto, (max-width: 644px) 100vw, 644px\" \/><\/p>\n<p><strong>Trabalho<\/strong><br \/>\nMillena foi a primeira mulher trans do Brasil a prestar servi\u00e7o em uma Secretaria de Pol\u00edticas para as Mulheres (SPM). E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no servi\u00e7o p\u00fablico que faltam empregos para travestis e trans. \u201cAproximadamente 90% dos travestis e trans trabalham com prostitui\u00e7\u00e3o por falta de outras alternativas\u201d, explica Luiz Mott.<\/p>\n<p>A educadora social e estudante de Direito Paulett Furac\u00e3o, 30 anos, ressalta que a press\u00e3o \u00e9 grande. \u201cSabemos como \u00e9 dif\u00edcil estar no mercado de trabalho &#8211; e para as trans as expectativas s\u00e3o ainda menores, as pessoas te tratam como incapaz. Eu doou\u00a0muito mais de mim no trabalho, porque \u00e9 uma responsabilidade muito grande: n\u00e3o posso falhar porque represento meu segmento e estou doando minha vida para quem vai chegar depois\u201d,\u00a0 conta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14372\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/trans.jpg\" alt=\"trans\" width=\"685\" height=\"678\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/trans.jpg 685w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/trans-300x297.jpg 300w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/trans-148x146.jpg 148w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/trans-50x50.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/trans-80x80.jpg 80w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/trans-76x75.jpg 76w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/trans-85x85.jpg 85w\" sizes=\"auto, (max-width: 685px) 100vw, 685px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulett diz ainda que \u00e9 acolhida pela fam\u00edlia e vizinhos de Amaralina e revela o que mais a deprime. \u201c\u00c9 a transfobia que sofro diariamente. S\u00e3o viol\u00eancias sutis, como todos olhando para mim na fila da biometria. Elas mexem com o psicol\u00f3gico e \u00e0s vezes fazem mais mal que a viol\u00eancia f\u00edsica. Por isso que a maioria das trans j\u00e1 pensou em suic\u00eddio. Mas continuamos na luta\u201d.<\/p>\n<p>E ela d\u00e1 uma dica: se voc\u00ea n\u00e3o souber como se referir a uma pessoa trans, perguntar n\u00e3o ofende. <strong>\u201cO que me incomoda bastante \u00e9 a insist\u00eancia de chamar pelo masculino, n\u00e3o reconhecer meu g\u00eanero. Temos caminhos para evitar o constrangimento e a viol\u00eancia: \u00e9 sempre respeitando e aprendendo com o diferente\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Perguntada sobre como \u00e9 ser trans na Bahia, Paulette Furac\u00e3o n\u00e3o hesita. \u201c\u00c9 sufocante. Voc\u00ea pede diariamente para respirar e n\u00e3o consegue encher os pulm\u00f5es e relaxar. E isso vale para todo o Brasil\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><strong>Dados<\/strong><br \/>\nForam registrados assassinatos de trans em 15 munic\u00edpios. Salvador concentra o maior n\u00famero, seis mortes, seguida de Lauro de Freitas e Feira de Santana com tr\u00eas cada, Itabuna com dois e um assassinato em Porto Seguro, Valente, Cachoeira, Sitio do Quinto, Concei\u00e7\u00e3o do Jacuipe, Luiz Eduardo Magalh\u00e3es, Teixeira de Freitas, Senhor do Bonfim, Ipia\u00fa, Itapebi e Vit\u00f3ria da Conquista.<\/p>\n<p>Millena ressalta ainda a quest\u00e3o racial envolvida na transfobia. \u201cA carne que mais sangra \u00e9 a carne negra. As trans mais vulner\u00e1vel ainda \u00e9 a trans negra\u201d. Segundo o GGB, cerca de \u2154 das v\u00edtimas em 2017 eram negras (pardas e pretas).<\/p>\n<p>Dentre as trans mortas, as mais jovens tinham 16 anos e a mais velha, 41. Quatro eram menores de idade, quase a metade tinha entre 22 e 29 anos e cinco passavam dos 30 anos. A idade m\u00e9dia de vida das v\u00edtimas baianas \u00e9 26 anos, inferior \u00e0 m\u00e9dia nacional, de 35 anos.<\/p>\n<p>\u201cEu sou sobrevivente, tenho 40 e poucos anos. \u00c9 muito dif\u00edcil ser trans baiana e chegar \u00e0 casa dos 35, por v\u00e1rias vulnerabilidades, como o preconceito, racismo, sexismo e transfobia\u201d, diz Millena.<\/p>\n<p><strong>Discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nMott explica que a luta \u00e9 para que pessoas do movimento LGBT n\u00e3o continuem sendo consideradas cidad\u00e3s de segunda classe diante da lei.\u00a0\u201cA popula\u00e7\u00e3o de pessoas travestis e trans constituem uma das minorias mais discriminadas na sociedade. N\u00f3s n\u00e3o queremos privil\u00e9gios. Queremos direitos iguais, nem menos ou mais\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se ligue!<\/strong><br \/>\nDia 29\/01 &#8211; Dia da Visibilidade Trans<br \/>\nDia 17\/05 &#8211; Dia Internacional Contra a Homofobia<br \/>\nDia 28\/06 &#8211; Dia Internacional do Orgulho LGBT+<br \/>\nDia 29\/08 &#8211; Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Raquel Saraiva, especial para o Me Salte O dia 29 de janeiro celebra o Dia da Visibilidade Trans. 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