{"id":13418,"date":"2017-11-19T15:35:31","date_gmt":"2017-11-19T18:35:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=13418"},"modified":"2017-11-19T15:35:31","modified_gmt":"2017-11-19T18:35:31","slug":"opiniao-unioes-lgbt-19-522-formalizacoes-em-quatro-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/opiniao-unioes-lgbt-19-522-formalizacoes-em-quatro-anos\/","title":{"rendered":"[OPINI\u00c3O] Uni\u00f5es LGBT: 19.522 formaliza\u00e7\u00f5es em quatro anos"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s decis\u00e3o do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, aprovada em maio de 2013, que regulamenta as uni\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo, de l\u00e1 para c\u00e1, em quatro anos, 19.522 casais LGBT formalizaram a uni\u00e3o. Foi o que revelou a pesquisa \u201cEstat\u00edstica de Registo Civil\u201d, realizada em 2016, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), divulgada em 14 novembro de 2017, chamando a aten\u00e7\u00e3o da sociedade para o tema.<\/p>\n<p>Esses dados s\u00e3o animadores. Sem d\u00favida, um grande avan\u00e7o na conquista e manuten\u00e7\u00e3o dos direitos, o que \u00e9 importante para a manuten\u00e7\u00e3o do pacto social. Por outro lado, esses dados s\u00e3o t\u00edmidos, considerando o Brasil e suas alteridades sociais, geogr\u00e1ficas e econ\u00f4micas. Sem ter inten\u00e7\u00e3o de desqualificar os dados, muito pelo contr\u00e1rio, mas reconhecendo que \u00e9 importante existir casamentos homoafetivos, porque essa institui\u00e7\u00e3o ajuda a diminuir os estigmas por apresentar o amor rom\u00e2ntico como uma normalidade e igualdade das rela\u00e7\u00f5es homoafetivas em seus territ\u00f3rios de identidades e viv\u00eancias, comunidade, trabalho, educa\u00e7\u00e3o e vida social.<\/p>\n<p>Em que pese uma relativa normalidade, a partir da decis\u00e3o do casal em assumir a rela\u00e7\u00e3o considerando um panorama social favor\u00e1vel, seria interessante analisar as rea\u00e7\u00f5es sociais a essa conquista, e outras, talvez relacionando com o aumento de casos de viol\u00eancia homof\u00f3bica e intoler\u00e2ncia. De acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, a cada 24 horas um LGBT \u00e9 assassinado no Brasil. Isso sem d\u00favida provoca um a retra\u00e7\u00e3o na formaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es homoafetivas, mesmo que muitos LGBTs vivam informalmente a rela\u00e7\u00e3o, mas diante do recrudescimento da homofobia, n\u00e3o se sintam encorajados a tomar a decis\u00e3o, ou mesmo ainda n\u00e3o sintam a necessidade de fazer isso. Quando falo em normalidade penso em perspectiva, porque o que sabemos \u00e9 que ainda falta muito para a sociedade brasileira chegar nesse n\u00edvel, ver essa realidade como normal.<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o revela os aspectos que originam essas uni\u00f5es, n\u00e3o se refere \u00e0s expectativas dos casais LGBTs, que s\u00e3o absolutamente diferentes das expectativas dos casais heterossexuais. Discutir essas expectativas \u00e9 um aspecto importante porque elas s\u00e3o por demais distintas e revelam o quanto \u00e9 falsa a ideia de que essas uni\u00f5es destroem outras. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>As uni\u00f5es LGBTs s\u00e3o forjadas primeiramente na amizade e em seguida no amor rom\u00e2ntico, isso no sentido bem cl\u00e1ssico. \u201cO amor rom\u00e2ntico vende um ideal de parceiro perfeito, que tem a responsabilidade de nos fazer felizes e suprir necessidades sociais e sexuais\u201d, talvez isso n\u00e3o possua muita diferen\u00e7a, mas o aspecto da amizade, sim.<\/p>\n<p>O modelo das uni\u00f5es LGBTs \u00e9 focado na amizade. N\u00e3o existe necessariamente a expectativa de gerar filhos, mesmo que eles possam vir junto com o relacionamento, ou inseridos por m\u00e9todos como a ado\u00e7\u00e3o, por exemplo, mas eminentemente a fam\u00edlia s\u00e3o os amigos, o amor n\u00e3o \u00e9 necessariamente o rom\u00e2ntico, isso porque essencialmente quando dois homens ou duas mulheres se unem, formalmente, n\u00e3o est\u00e3o pensando em dividir patrim\u00f4nio. Mesmo que isso seja uma condi\u00e7\u00e3o para garantir direitos sociais, respeito, inclus\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o segura na aus\u00eancia de um dos c\u00f4njuges.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 falsa a ideia que os LGBTs querem se unir da mesma forma que os casais heterossexuais. Mesmo que pesem as estat\u00edsticas, os outros arranjos afetivos s\u00e3o consider\u00e1veis e n\u00e3o foram considerados na an\u00e1lise. Nesse universo multicolorido e polimorfo abriga em si mesmo o revolucion\u00e1rio. Os casais LGBTs rompem com a fantasia do sistema de um modelo supostamente opressivo de casamento heterossexual e faz a separa\u00e7\u00e3o de amor e sexo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Amor n\u00e3o \u00e9 sexo e nem propriedade. Isso revela que \u00e9 poss\u00edvel construir outros tipos de rela\u00e7\u00f5es, inclusive dentro da rela\u00e7\u00e3o formal, como \u201ctruelove\u201d ou o \u201cpoliamor\u201d, que \u00e9 o amor dividido entre outros. Isso \u00e9 parte da felicidade e da eleva\u00e7\u00e3o do amor, de um ao outro, seguindo uma receita bem simples que \u00e9 entendimento de que por mais amor, sexo, carinho, aten\u00e7\u00e3o que uma pessoa ofere\u00e7a \u00e0 outra, pode n\u00e3o ser o suficiente, porque o outro pode ter desejos, vontades, fantasias e \u00e0s vezes o parceiro n\u00e3o \u00e9 capaz de oferecer isso. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de um tes\u00e3o ser compartilhado com uma \u00fanica pessoa a vida inteira.<\/p>\n<blockquote><p>Isso \u00e9 uma pris\u00e3o idealizada pelo sistema heteronormativo, que oprime a condi\u00e7\u00e3o feminina a uma norma imagin\u00e1ria, cruel, condicionando a liberdade a condi\u00e7\u00e3o de m\u00e3e o que mesmo que a maternidade seja um desejo de muitas mulheres, nos relacionamentos os filhos aprisionam dentro de um espa\u00e7o supostamente de liberdade, o lar. Tudo isso \u00e9 absolutamente diferente da maneira e das expectativas que ocorrem as uni\u00f5es LGBT em suas viv\u00eancias cotidianas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Eu tenho a dimens\u00e3o de que falar e escrever sobre essas coisas \u00e9 como se andar sob o fio da navalha sem cortar os p\u00e9s, ou ainda em um campo minado. Arrisco dizer que os LGBTs s\u00e3o rom\u00e2nticos tamb\u00e9m, mas numa nova dimens\u00e3o e isso deu um novo significado ao amor, o que obviamente n\u00e3o \u00e9 o mesmo significado do amor heterossexual. Ent\u00e3o, qual \u00e9 a real de tanto barulho, j\u00e1 que s\u00e3o coisa distintas?.<\/p>\n<p>*Opini\u00f5es e conceitos expressos nos artigos s\u00e3o de responsabilidade exclusiva dos autores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia Ap\u00f3s decis\u00e3o do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, aprovada em maio de 2013, que regulamenta as uni\u00f5es entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"class_list":["post-13418","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-home","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13418"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13418\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13419,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13418\/revisions\/13419"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}