{"id":12542,"date":"2017-09-11T20:00:35","date_gmt":"2017-09-11T23:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=12542"},"modified":"2017-09-11T22:49:45","modified_gmt":"2017-09-12T01:49:45","slug":"valescapopozuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/valescapopozuda\/","title":{"rendered":"Valesca Popozuda se declara para o p\u00fablico gay; confira entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea nasceu entre 1980 e 2000\u00a0provavelmente j\u00e1 cantou &#8220;Agora eu\u00a0sou\u00a0solteira e ningu\u00e9m vai me segurar. Daquele jeito&#8221;, de Valesca Popozuda, em uma balada. Bem capaz de j\u00e1 ter desejado as\u00a0inimigas\u00a0vida longa em 2013 com\u00a0Beijinho No Ombro, que marcou a fase pop da cantora. Em setembro deste ano, Valesca est\u00e1 de volta \u00e0s suas ra\u00edzes funkeiras com a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/valesca-popozuda-esta-de-volta-com-to-solteira-de-novo-ouca\/\">m\u00fasica T\u00f4 Solteira De Novo<\/a>.<\/p>\n<p>Em entrevista ao CORREIO, a funkeira de 38 anos\u00a0revelou que vai gravar um DVD em comora\u00e7\u00e3o aos 17 anos de carreira entre o final deste ano e o in\u00edcio de 2018. O projeto deve contar com a participa\u00e7\u00e3o de Claudia Leitte. Ela tamb\u00e9m contou\u00a0sobre a inspira\u00e7\u00e3o para a nova\u00a0m\u00fasica: o seu t\u00e9rmino com\u00a0o empres\u00e1rio Di\u00f3genes David; contou uma situa\u00e7\u00e3o de ass\u00e9dio que a fez queimar o p\u00eanis de um homem com seu babyliss e\u00a0afirmou ser &#8220;feminista de\u00a0\u00fatero&#8221;. Valesca, que ficou conhecida com o grupo Gaiola das Popozudas, veio participar da 16\u00aa Parada do Orgulho LGBT da Bahia\u00a0no \u00faltimo domingo (10) e\u00a0declarou\u00a0seu carinho pelos baianos e pelo p\u00fablico gay. Falou ainda sobre uma poss\u00edvel parceira com Pabllo Vittar.\u00a0Confira entrevista completa.<\/p>\n<p><strong>Como surgiu a ideia da\u00a0m\u00fasica T\u00f4 Solteira de Novo?<\/strong><br \/>\nNo in\u00edcio da minha carreira\u00a0lan\u00e7ei\u00a0Agora Eu Sou Solteira (Agora eu t\u00f4\u00a0solteira e ningu\u00e9m vai\u00a0me segurar), que foi uma explos\u00e3o, um sucesso. Passaram-se os anos,\u00a0estava\u00a0no est\u00fadio\u00a0com o meu produtor DJ Batutinha e\u00a0queria colocar alguma coisa sobre a minha fase de\u00a0solteira. Eu brinquei com ele: &#8220;eu t\u00f4 solteira de novo (de verdade)&#8221;. E ele respondeu: &#8220;\u00f3tima ideia&#8221;. A express\u00e3o &#8220;daquele jeito&#8221; sempre combinou com as minhas m\u00fasicas,\u00a0com o meu jeito e eu queria muito que tivesse de novo. Logo depois\u00a0ele chegou\u00a0com a\u00a0m\u00fasica pronta. Entrou na minha ideia, viajou comigo e trocamos\u00a0algumas coisinhas. A gente botou o que \u00e9 atualidade. Quando\u00a0voc\u00ea est\u00e1 no Insta [Instagram], procura aquele bofe safado, aquele cara que te d\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o &#8211; um contatinho ali&#8230; Porque hoje dia \u00e9 assim, voc\u00ea v\u00ea um cara e n\u00e3o d\u00e1 para pegar o telefone ou vice-versa e ele vai te chamar onde? No direct (mensagem\u00a0direta). Hoje, a maioria do meu p\u00fablico vive isso, ent\u00e3o \u00e9 uma atualidade. Quando eu lan\u00e7ei\u00a0Agora Eu Sou Solteira eu estava na pista, queria curtir. Se eu pegasse dez [pessoas]\u00a0o problema era meu, ningu\u00e9m tinha nada a ver com isso. Mas\u00a0T\u00f4 Solteira de Novo faz lembrar que, quando voc\u00ea est\u00e1 namorando, voc\u00ea deixa de curtir muita coisa. Voc\u00ea entra de cabe\u00e7a e vive o relacionacionamento. E voc\u00ea deixa suas amizades de lado &#8211;\u00a0aquela sua melhor amiga reclama &#8211;\u00a0voc\u00ea para de dar aten\u00e7\u00e3o para sua fam\u00edlia. Estando solteira, eu quero curtir minhas amizades, quero olhar mais pra mim. Eu quero curtir a minha vida, sabe?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Bjv2i1kZqI\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>E vai ter clipe?\u00a0<\/strong><br \/>\nSim. No final do m\u00eas gravo l\u00e1 no Rio e no come\u00e7o de outubro a gente deve soltar. O clipe vai estar muito pra cima, no clima de festa. Vai ser uma curti\u00e7\u00e3o com as amigas e com participa\u00e7\u00e3o das minhas amigas (da vida real) mesmo.\u00a0Est\u00e1 bem elaborado e ecl\u00e9tico. Ser\u00e3o dois dias de grava\u00e7\u00e3o e no segundo dia vai ter uma festa de verdade. Vai ter uma cena no shopping e em\u00a0outros locais.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea pretende lan\u00e7ar outras m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nVou gravar um DVD com m\u00fasicas antigas,\u00a0que vamos dar uma roupagem nova, e pelo menos seis in\u00e9ditas. Isso\u00a0se at\u00e9 l\u00e1 n\u00e3o aparecer mais. Daqui a dois meses devo lan\u00e7ar mais m\u00fasicas.\u00a0A grava\u00e7\u00e3o do DVD deve acontecer entre o final e o come\u00e7o do ano. Estou buscando parcerias e j\u00e1 tenho v\u00e1rias m\u00fasicas que separei para fazer convites. Uma delas vou convidar a Claudinha [Leitte]. A gente fez Sou Dessas juntas. Mas com a correria n\u00e3o deu para fazer um clipe. Quem sabe agora a gente consiga se juntar.<\/p>\n<p><strong>Todo mundo quer saber: vai ter Valesca e Pabllo Vittar?<\/strong><br \/>\nTenho algumas m\u00fasicas, mas tenho que chegar nela e conversar. Ela estava doente e est\u00e1 em uma correria monstra &#8211; gra\u00e7as a Deus. Eu\u00a0a conheci antes desse estouro.\u00a0Nos encontramos em um hotel e\u00a0conversamos muito. Tamb\u00e9m j\u00e1 a encontrei em um programa no Multishow&#8230; Deixa ela dar uma respiradinha que a gente v\u00ea para ver se rola essa parceria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2YLTxm2iHQ0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da divulga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, voc\u00ea tamb\u00e9m veio para Salvador para participar da Parada LGBT. Como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com esse p\u00fablico?\u00a0<\/strong><br \/>\nO p\u00fablico LGBT me acompanha desde o in\u00edcio da minha carreira e\u00a0da minha vida. Eu vivo com um monte deles, falo igual a eles, mas porque os amo e n\u00e3o porque quero ficar tirando onda. J\u00e1\u00a0fui convidada para participar de outras paradas gays e da de\u00a0Madureira &#8211;\u00a0que fui madrinha oito anos &#8211;\u00a0mesmo sem puder ir, n\u00e3o deixei\u00a0de estar presente. Esse p\u00fablico \u00e9 muito fiel, verdadeiro. Quando gosta, gosta e, quando n\u00e3o gosta, n\u00e3o tem o que fazer. Eles amam minha m\u00fasica, adoram dan\u00e7ar elas, mas o mais legal \u00e9 que eles aprenderam a respeitar a Valesca. A Valesca humana, que pensa, que fala verdades. Eles curtem muito isso e vibram com a minha verdade. A minha m\u00fasica \u00e9 prazer para eles, mas a Valesca \u00e9 muito mais.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea esteve em Salvador logo que lan\u00e7ou\u00a0Agora Eu Sou Solteira e que est\u00e1\u00a0de volta com\u00a0T\u00f4 Solteira de Novo. Como\u00a0\u00e9 estar aqui em momentos t\u00e3o marcantes em sua carreira?<\/strong><br \/>\nEu estava no trio ontem [domingo (10)]\u00a0e pensei exatamente nisso. Eu viajei.\u00a0Nessas horas\u00a0a cabe\u00e7a gira&#8230; A primeira vez que eu pisei em Salvador foi com o\u00a0Gaiola das Popozudas. Na \u00e9poca, eu vim para um trio em que fui convidada. Ningu\u00e9m me conhecia ainda. Eu lembro que ficava gritando &#8220;Gaiola das Popozudas&#8221; entre uma m\u00fasica e outra para ficar na cabe\u00e7a das pessoas. Tinha acabado de lan\u00e7ar\u00a0Agora Eu Sou Solteira. Ontem eu lembrei disso e pensei: Olha como a hist\u00f3ria se repete. N\u00e3o \u00e9 coisa da minha cabe\u00e7a:\u00a0se voc\u00ea ver, tudo se encaixa, tudo \u00e9 destino. Acabei de lan\u00e7ar uma m\u00fasica, T\u00f4 Solteira de Novo, e em cima de um trio, aqui em Salvador. \u00c9 muito ax\u00e9!<\/p>\n<p><strong>Qual a sua rela\u00e7\u00e3o com Salvador?\u00a0<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 passei bastante por aqui. J\u00e1 fui em v\u00e1rios pontos tur\u00edsticos da cidade, j\u00e1 fiquei perto do Farol da Barra v\u00e1rias vezes, fui no Pelourinho e j\u00e1 andei muito por aqui. Tamb\u00e9m fiz muitos shows. Teve uma \u00e9poca que eu fiquei dois meses fazendo shows na San Sebastian e toda semana tinha Valesca e convidados. Eu ainda era da Gaiola das Popozudas na \u00e9poca. Mas estou sempre aqui fazendo shows. Pelo menos umas tr\u00eas ou quatro vezes no ano.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea mais gosta daqui?<\/strong><br \/>\nAs pessoas s\u00e3o maravilhosas. Elas s\u00e3o muito receptivas, sabe?\u00a0T\u00eam um carinho muito grande. Isso me encanta porque eu n\u00e3o vejo elas me\u00a0olhando dos p\u00e9s a cabe\u00e7a, nem\u00a0fazendo cara de nojo. E, de comida, sabe o que\u00a0mais gosto? Cocada! (risos). Eu levo at\u00e9 para minha m\u00e3e toda vez que eu venho. Ela adora. Adoro sequinha, molhada, aquelas que ficam no tabuleiro&#8230; \u00c9 uma del\u00edcia.<\/p>\n<p><strong>Falando de empoderamento feminino, voc\u00ea foi uma das\u00a0precursoras\u00a0a abordar o assunto no Brasil. Como \u00e9 para voc\u00ea ver feminismo ser mais discutido em todos os lugares\u00a0e, ao mesmo tempo, os casos de viol\u00eancia contra mulheres\u00a0continuarem alt\u00edssimos? Em Salvador, por exemplo, h\u00e1 um caso de viol\u00eancia dom\u00e9stica\u00a0a cada 56 minutos.<\/strong><br \/>\nEu levanto essa\u00a0bandeira e digo que sou feminista desde o come\u00e7o do meu trabalho. Acho que desde que eu nasci. Porque eu nasci de um \u00fatero feminista, de uma mulher guerreira e batalhadora, que fez de tudo para me criar. Ela n\u00e3o tinha ningu\u00e9m, foi criada na rua e me deu muito amor e carinho com o pouco que tinha. Uma educa\u00e7\u00e3o exemplar. Hoje eu vejo o quanto ela sofreu e o quanto apanhou &#8211; foi violentada. S\u00f3 que ela n\u00e3o falava nada. Ela guardava aquilo porque precisava de um teto para me criar, para eu ter um teto tamb\u00e9m. Ela se sujeitava a muita coisa. Ela se segurava e n\u00e3o botava para fora. Mas hoje tem a [lei]\u00a0Maria da Penha, que est\u00e1 aqui para ajudar todas n\u00f3s, mulheres. A gente ainda tem que buscar muita coisa, mas sabemos que\u00a0temos que denunciar os casos de viol\u00eancia. Agora n\u00e3o adianta voc\u00ea decretar que \u00e9 feminista s\u00f3 para estar em uma folhinha ou na frente de uma revista. Voc\u00ea tem que saber o que est\u00e1 gritando. Tem que saber o que voc\u00ea est\u00e1 falando &#8211;\u00a0pelo menos um pouco. E n\u00e3o querer aproveitar desse gancho. Eu vejo que as pessoas aproveitam muito desse gancho.\u00a0N\u00e3o adianta dizer que \u00e9 feminista s\u00f3 para entrar na onda. Eu n\u00e3o sou assim.\u00a0O que\u00a0posso fazer\u00a0fa\u00e7o. Antes recebia e respondia cartas; hoje converso muito com meus f\u00e3s nas redes sociais, sobretudo com mulheres. Elas contam\u00a0o que acontecem com elas, pedem conselhos. \u00c9 muito ruim dar conselho, mas a gente tem que tentar e\u00a0ajudar de alguma forma.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 sofreu alguma\u00a0viol\u00eancia desse tipo?<\/strong><br \/>\nSofri. Na \u00e9poca da Gaiola eu queimei o \u00f3rg\u00e3o de um homem com um babyliss. Eu estava no camarim, ele veio todo cheio de gra\u00e7a achando que &#8211; porque eu\u00a0estaria com uma roupinha curta ou\u00a0porque canto o que eu quero e n\u00e3o estou a\u00ed para ningu\u00e9m &#8211; estaria dando mole ou\u00a0queria algo. Ent\u00e3o eu coloquei ele no lugar dele. Mostrei pra ele que o buraco era mais embaixo.<\/p>\n<p><strong>Qual a hist\u00f3ria de sua m\u00e3e? Ela te criou sozinha?<\/strong><br \/>\nMinha m\u00e3e foi criada em um col\u00e9gio interno, em Quintino [bairro\u00a0localizado na Zona Norte do\u00a0Rio de Janeiro]. Ela foi jogada l\u00e1. N\u00e3o conhe\u00e7eu m\u00e3e e nem ningu\u00e9m da fam\u00edlia.\u00a0Saiu de l\u00e1 com 15 anos para trabalhar em casa de fam\u00edlia e ficou trabalhando at\u00e9 os 17 anos. Depois conheceu meu pai, quando tinha 18 anos, e engravidou. Ele era casado e falou que eu n\u00e3o era filha dele &#8211;\u00a0disse que ela tinha outros &#8211; e n\u00e3o me criou. Eu o conhe\u00e7i, mas j\u00e1 tinha 12 anos. Foi quando ela foi morar com Luizinho, que foi o pai que me criou e me deu condi\u00e7\u00f5es &#8211; por mais que tivesse desaven\u00e7as com minha m\u00e3e. Ela n\u00e3o gostava dele e se sujeitou a morar com ele\u00a0para ter um teto para me dar. Esse teto n\u00e3o existia, ela tinha que ficar na casa dos outros ou na rua. Ele era meu pai, mas eu via muita briga, confus\u00e3o e minha m\u00e3e se machucava muito. Teve um dia que ela desistiu. Eu j\u00e1 estava grande, ent\u00e3o eu\u00a0podia acompanh\u00e1-la em qualquer lugar &#8211; como fiz &#8211; e fomos para casa de fam\u00edlia, que foi onde ela trabalhou a vida toda. Vi ela passar por muita coisa: ela chegava em casa chorando, por conta da patroa\u00a0megera. Um dos meus sonhos realizados foi tirar minha m\u00e3e da rua. Hoje ela faz o que quiser, na hora que quiser. Ela gosta de costurar, tem todas as m\u00e1quinas l\u00e1. Gra\u00e7as a Deus,\u00a0com meu trabalho e atrav\u00e9s do funk &#8211; que todo mundo critica, quer criminalizar &#8211; consegui isso. Olha s\u00f3 o quanto o funk faz bem e d\u00e1 emprego!\u00a0Tenho uma equipe de 30 pessoas que trabalham comigo. Hoje dou empregos e oportunidades a outras pessoas. Isso porque o funk me deu essa oportunidade tamb\u00e9m.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/redacao.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/d\/d\/csm_11092017NR1917_66db546d70.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"622\" data-htmlarea-file-table=\"sys_file\" data-htmlarea-file-uid=\"666287\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\" style=\"text-align: center;\"><strong>Apesar de misturar o funk com outros ritmos, Valesca diz que n\u00e3o abandonar\u00e1 o ritmo: &#8216;est\u00e1 no sangue&#8217;<\/strong><br \/>\n(Foto: Edu Pimenta\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Na \u00e9poca de\u00a0Beijinho No Ombro voc\u00ea saiu um pouco do funk, mas agora voltou.\u00a0Voc\u00ea pretende continuar fazendo\u00a0funk?<\/strong><br \/>\nAcho que voc\u00ea tem que crescer\u00a0e acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o do funk. Hoje o funk vem muito para o pop. Beijinho No Ombro foi para o lado pop, mas nessa m\u00fasica agora eu falei: eu quero funk, quero funk\u00e3o mesmo. Eu posso misturar o pop, o reggae, o hip hop, samba, v\u00e1rias batidas e posso fazer de tudo no meu funk. Eu curto pop pra caramba e tamb\u00e9m curto v\u00e1rios ritmos, mas o funk eu amo,\u00a0\u00e9 a minha raiz. Toda vez que eu tiver que lan\u00e7ar uma m\u00fasica funk vou lan\u00e7ar. Esse batid\u00e3o est\u00e1 aqui no sangue, est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o. Eu vou lan\u00e7ar sempre. Se quiser aceitar, aceita. Se n\u00e3o&#8230; O importante \u00e9 os meus f\u00e3s gostarem e eu amar. Porque sou eu que estou colocando na rua e qualquer trabalho que eu v\u00e1 colocar na rua eu tenho que gostar primeiro. Se eu n\u00e3o gostar,\u00a0vou colocar pra qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>Ainda falando sobre funk, h\u00e1 muitas criticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras vulgares, submiss\u00e3o da mulher, entre outros assuntos. Tamb\u00e9m tem\u00a0muita gente que te critica porque voc\u00ea se declara\u00a0feminista e canta m\u00fasicas assim.\u00a0Como encara isso?<\/strong><br \/>\nMuita gente n\u00e3o sabe, mas quando digo que sou feminista \u00e9 porque\u00a0busco a\u00a0igualdade e n\u00e3o porque quero ser melhor do que ningu\u00e9m. As pessoas confundem muito. N\u00e3o \u00e9 porque voc\u00ea canta uma m\u00fasica e coloca a mulher de algum lado que voc\u00ea est\u00e1 desvalorizando ela. A mulher faz o que ela quer e\u00a0todo mundo tem que aceitar. Ela n\u00e3o quer acabar com a vida de ningu\u00e9m. O funk \u00e9 de comunidade. Antes, a televis\u00e3o n\u00e3o abra\u00e7ava o funk e as r\u00e1dios dificilmente davam uma oportunidade. As comunidades davam. Por isso, at\u00e9 hoje quero que a minha\u00a0m\u00fasica toque l\u00e1 e seja refer\u00eancia l\u00e1. Mesmo\u00a0tendo portas mais abertas em r\u00e1dios ou\u00a0TVs, n\u00e3o esque\u00e7o de l\u00e1 atr\u00e1s. A gente tinha abertura naquelas r\u00e1dios e a\u00a0comunidade gostava disso, desse proibid\u00e3o. A gente alimentava eles com isso e era moda. Mas isso n\u00e3o \u00e9 ridicularizar a mulher. A mulher n\u00e3o mama? Mama [refer\u00eancia \u00e0 m\u00fasica Mama, que tem participa\u00e7\u00e3o de\u00a0Mr. Catra]. Tem aquelas que criticam porque s\u00e3o encubadas, infelizmente, e pensam pequeno. Mas ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a pensar igual. \u00c9 preciso entender e interpretar o que voc\u00ea est\u00e1 cantando. E, \u00e9 claro, quebrar tabus porque a gente sofre. Se as pessoas criticarem e a gente ficar se escondendo, com medo de falar o que quer, n\u00e3o vamos\u00a0ser respeitadas nunca. As pessoas t\u00eam que respeitar as mulheres.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea lida com essas cr\u00edticas, ainda mais em uma era de redes sociais, em que \u00e9 comum as pessoas se esconderem\u00a0atr\u00e1s de perfis falsos?<\/strong><br \/>\nAs redes socias ajudam, mas \u00e0s vezes nos colocam em um beco sem sa\u00edda. Voc\u00ea precisa saber us\u00e1-las e, mesmo assim,\u00a0saber que voc\u00ea est\u00e1 exposta. Porque no dia a dia tem um celular a cada momento, tirando uma foto, fazendo um v\u00eddeo seu&#8230; Hoje\u00a0n\u00e3o esquento mais com cr\u00edticas na intenet e nem com\u00a0o que as pessoas falam ou deixam de falar. Eu leio \u00e0s vezes. Quando vejo que \u00e9 uma pessoa que est\u00e1 querendo gra\u00e7a dou um &#8220;VR\u00c1&#8221; e bloqueio. Outras vezes n\u00e3o bloqueio, deixo ali. Alguns f\u00e3s come\u00e7am naquela de querer brigar e eu digo para n\u00e3o brigar\u00a0porque n\u00e3o vale a pena. Eu n\u00e3o ligo, s\u00f3 que n\u00e3o sou obrigada a aceitar. Fa\u00e7o o que quero da minha vida. As pessoas n\u00e3o t\u00eam coragem de falar na cara e usam a internet como\u00a0m\u00e1scara. Muitas vezes a pessoa est\u00e1 ali, do seu lado\u00a0convivendo contigo, mas n\u00e3o tem coragem de falar e usa\u00a0um fake para te apunhalar.<\/p>\n<p><strong>Gostou do bate-papo? Ou\u00e7a completo abaixo.<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/341946578&amp;color=ff00a4&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\" width=\"100%\" height=\"166\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea nasceu entre 1980 e 2000\u00a0provavelmente j\u00e1 cantou &#8220;Agora eu\u00a0sou\u00a0solteira e ningu\u00e9m vai me segurar. Daquele jeito&#8221;, de Valesca Popozuda, em uma balada. 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