{"id":12329,"date":"2017-08-28T10:50:46","date_gmt":"2017-08-28T13:50:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=12329"},"modified":"2017-08-28T15:16:57","modified_gmt":"2017-08-28T18:16:57","slug":"travesti-militante-lgbt-do-reconcavo-e-assassinada-em-cachoeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/travesti-militante-lgbt-do-reconcavo-e-assassinada-em-cachoeira\/","title":{"rendered":"Travesti militante LGBT do Rec\u00f4ncavo \u00e9 assassinada em Cachoeira"},"content":{"rendered":"<p>Uma das lideran\u00e7as mais importantes da milit\u00e2ncia LGBT de Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo da Bahia foi assassinada na noite deste domingo (27). A travesti Xaynna Shayuri Morganna, conhecida como Lili,\u00a0foi morta a tiros na beira do Rio Paragua\u00e7u por volta das 22h em uma \u00e1rea movimentada perto da pra\u00e7a da cidade. Lili era presidenta da Associa\u00e7\u00e3o Grupo Gay de Cachoeira e<em>\u00a0<\/em>uma das organizadoras, desde 2010, da parada do orgulho LGBT de Cachoeira que este ano aconteceria dia 15 de\u00a0outubro. Em fun\u00e7\u00e3o da morte de Lili, a parada deste ano, inclusive, foi cancelada. O evento acontecer\u00e1 apenas em 2018.<\/p>\n<p>O delegado Eduardo Coutinho, que investiga o caso, afirmou atrav\u00e9s da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil, que Lili foi morta por tr\u00eas homens que chegaram num Civic de cor prata. &#8220;As investiga\u00e7\u00f5es apontam que Lili tinha liga\u00e7\u00f5es com o tr\u00e1fico de drogas. N\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios que tenha sido morta por ser homossexual ou por ser militante da causa LGBTT&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Veja abaixo texto de Simone Brand\u00e3o , do Grupo L\u00e9s\/UFRB, sobre a morte de Lili&gt;&gt;&gt;<\/strong><\/p>\n<p><em>No final dessa noite de 27\/08\/2017 fomos atravessadas pela triste not\u00edcia do assassinato de Lili, presidenta da Associa\u00e7\u00e3o Grupo Gay de Cachoeira, companheira e lideran\u00e7a do movimento LGBT local que vinha atuando na organiza\u00e7\u00e3o das paradas da diversidade de Cachoeira desde a a primeira edi\u00e7\u00e3o em 2010.<\/em><\/p>\n<p><em>Ouvimos correntemente na cidade de Cachoeira, cidade hist\u00f3rica e heroica por seu protagonismo na luta pela independ\u00eancia da Bahia e do Brasil, que Cachoeira \u00e9 tolerante com as pessoas LGBTs. Especialmente depois da vinda da UFRB para a cidade com seus cursos mais arejados, na \u00e1rea de humanas e artes, com parte de estudantes e professores mais progressistas, que defendem a liberdade de express\u00e3o e se posicionam contra variados tipos de preconceitos, promovendo a\u00e7\u00f5es que buscam combater o racismo, o machismo, e a LGBTfobia, \u00e0 despeito do preconceito que ainda espalha grandemente suas ervas daninhas dentro da universidade, entre nossos pr\u00f3prios pares.<\/em><\/p>\n<p><em>Por tudo isso, pelas meninas e meninos LGBTs universit\u00e1rios que andam nas ruas de m\u00e3os dadas e trocam carinhos nas ruas e bares da cidade, por pessoas como eu, l\u00e9sbica, branca professora universit\u00e1ria que n\u00e3o sou confrontada por minha sexualidade nos lugares que frequento, sup\u00f5e-se que Cachoeira \u00e9 uma cidade que respeita a diversidade sexual e de g\u00eanero. Mas estamos falando do respeito a que pessoas LGBTs?<\/em><\/p>\n<p><em>Certamente n\u00e3o estamos falando de corpos de l\u00e9sbicas, gays e transexuais pobres, que tiveram pouco acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o e \u00e0 tantos outros direitos sociais, e que s\u00e3o, por exemplo, expulsos das escolas por preconceito n\u00e3o s\u00f3 dos colegas estudantes, mas tamb\u00e9m de professores que ainda n\u00e3o conseguem trabalhar de uma forma inclusiva as quest\u00f5es da diversidade de g\u00eanero e de sexualidade.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o estamos falando l\u00e9sbicas, gays e transexuais pobres que n\u00e3o conseguem acessar os servi\u00e7os de sa\u00fade, n\u00e3o apenas porque ele n\u00e3o \u00e9 eficiente, mas porque n\u00e3o existem pol\u00edticas que tratem com dignidade e igualdade as pessoas LGBTs. N\u00e3o estamos falando de l\u00e9sbicas, gays e transexuais pobres que s\u00e3o desrespeitados, violentados e expulsos de suas fam\u00edlias por intoler\u00e2ncia. N\u00e3o estamos falando de l\u00e9sbicas, gays e transexuais pobres que n\u00e3o apenas s\u00e3o ridicularizadas e desrespeitadas por agentes do Estado que deveriam garantir seus direitos de cidadania, mas de pessoas que sequer t\u00eam acesso \u00e0 justi\u00e7a, porque s\u00e3o consideradas cidad\u00e3s de segunda classe.<\/em><\/p>\n<p><em>A companheira Lili se enquadrava nesse grupo que n\u00e3o tem lugar na sociedade, que era tida como abjeta, como anormal, que n\u00e3o era vista como cidad\u00e3. \u00c9 uma vida que n\u00e3o importava para essa sociedade que n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para n\u00f3s LGBTs.<\/em><\/p>\n<p><em>Por tudo isso queremos justi\u00e7a para Lili!<\/em><\/p>\n<p><em>Queremos o direito a existir respeitado! Porque \u00e9 disso que estamos falando! N\u00f3s n\u00e3o temos direito a existir em uma sociedade LGBTf\u00f3bica. Somos vidas que n\u00e3o importam! Somos agredidas, violentadas assassinadas simplesmente porque existimos. A cada 25 horas uma pessoa LGBT foi assassinada em 2016 simplesmente pelo fato de sere LGBT!<\/em><\/p>\n<p><em>Pessoas LGBT s\u00e3o humilhadas por sua diversidade sexual e de g\u00eanero, porque os ditos \u201cvalores\u201d defendidos pela sociedade n\u00e3o toleram a nossa exist\u00eancia, o nosso afeto, o nosso amor, mas toleram as viol\u00eancias e opress\u00f5es masculinas, toleram as imorais nega\u00e7\u00f5es de direitos aos grupos minorit\u00e1rios da sociedade, fecham os olhos para isso e nada fazem para mudar.<\/em><\/p>\n<p><em>Valores defendidos por uma sociedade n\u00e3o nos reconhece como fam\u00edlia e assim negam nosso acesso \u00e0s politicas p\u00fablicas, mas que tamb\u00e9m contribui para a manuten\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o e submiss\u00e3o de mulheres a seus homens\/maridos que as oprimem, diminuem, violentam no espa\u00e7o privado de suas casas.<\/em><\/p>\n<p><em>Valores de alguns l\u00edderes religiosos med\u00edocres e hip\u00f3critas que vendem, rifam a f\u00e9 \u00e0s custas da ignor\u00e2ncia e desesperan\u00e7as dos seus fi\u00e9is, ante as desigualdades sociais e sofrimentos pessoais, e estimulam a viol\u00eancia contra pessoas LGBT e a sua exclus\u00e3o dos diversos espa\u00e7os da sociedade.<\/em><\/p>\n<p><em>Por tudo isso queremos sim, discutir sobre sexualidade e g\u00eanero nas escolas, porque s\u00f3 desse forma refletiremos sobre o respeito as diferen\u00e7as, o respeito as mulheres, o empoderamento das meninas de forma a n\u00e3o torna-las submissas. \u00c9 preciso ensinarmos as crian\u00e7as a n\u00e3o refor\u00e7arem as viol\u00eancias e preconceitos, machistas, sexistas e LGBTf\u00f3bicos, de forma que mais jovens e pessoas LGBTs tenham a sua exist\u00eancia e direitos respeitados e n\u00e3o sejam satirizados ou violentados nos diferentes espa\u00e7os da sociedade. Para que n\u00e3o se tornem LGBTf\u00f3bicos sem cr\u00edtica ou respeito \u00e0s diferen\u00e7as assassinando outras Lilis em Cachoeira ou em qualquer outro lugar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das lideran\u00e7as mais importantes da milit\u00e2ncia LGBT de Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo da Bahia foi assassinada na noite deste domingo (27). 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