{"id":11657,"date":"2017-07-11T11:46:38","date_gmt":"2017-07-11T14:46:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=11657"},"modified":"2017-07-11T11:56:30","modified_gmt":"2017-07-11T14:56:30","slug":"rafael-dos-anjos-quem-e-gay-afeminado-enfrenta-mais-obstaculos-do-que-o-esperado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/rafael-dos-anjos-quem-e-gay-afeminado-enfrenta-mais-obstaculos-do-que-o-esperado\/","title":{"rendered":"Rafael dos Anjos: &#8216;quem \u00e9 gay afeminado enfrenta mais obst\u00e1culos do que o esperado&#8217;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11658\" style=\"width: 299px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11658\" class=\"size-full wp-image-11658\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Rafael-dos-Anjos.jpg\" alt=\"Foto: Acervo Pessoal\" width=\"289\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Rafael-dos-Anjos.jpg 289w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Rafael-dos-Anjos-251x300.jpg 251w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Rafael-dos-Anjos-122x146.jpg 122w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Rafael-dos-Anjos-42x50.jpg 42w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Rafael-dos-Anjos-63x75.jpg 63w\" sizes=\"auto, (max-width: 289px) 100vw, 289px\" \/><p id=\"caption-attachment-11658\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Acervo Pessoal<\/p><\/div>\n<p>Quem \u00e9 gay sabe a dificuldade de s\u00ea-lo, mas quem \u00e9 um gay afeminado (ou molinho como\u00a0dizem), assim como eu, enfrenta mais obst\u00e1culos que o esperado. Al\u00e9m das provoca\u00e7\u00f5es\u00a0na rua, temos de lidar com o preconceito dentro da comunidade LGBT+ e para muitos,\u00a0dentro tamb\u00e9m do ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>Apesar do senso comum acreditar que a homofobia (leia-se aqui n\u00e3o apenas agress\u00e3o f\u00edsica ou verbal), vem diminu\u00eddo na sociedade, na pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 bem assim.<strong> Primeiro que as profiss\u00f5es de \u201cviado\u201d ainda s\u00e3o as mesmas no imagin\u00e1rio popular: cabeleireiro, maquiador, esteticista ou qualquer outra atividade que, aos olhos dessa sociedade heteronormativa, pare\u00e7a feminino demais pro homem macho, mas que nas m\u00e3os de um homem \u201cfeminino\u201d seria melhor executada.<\/strong> Um mix de homofobia, machismo e sexismo.<\/p>\n<p>Em minha timeline do Facebook, observo a transforma\u00e7\u00e3o das manas molinhas, um fen\u00f4meno impulsionado pela press\u00e3o da comunidade gay &#8211; ser discreto \/ fora do meio &#8211; e outras vezes a partir de sua ascens\u00e3o profissional. A gay formou em direito, odonto, engenharia civil e correlatas, tem de se masculinizar!<\/p>\n<p>\nDiversas \u00e1reas n\u00e3o toleram a afeta\u00e7\u00e3o nossa de cada dia, com exce\u00e7\u00e3o de algumas poucas. Jornalismo? Talvez&#8230; A ordem do dia \u00e9 segurar o rebolado, engessar a munheca e\u00a0engrossar a voz. Come\u00e7am ent\u00e3o a surgir da\u00ed os comportamentos autodepreciativos.<\/p>\n<p>Distanciar-se dos amigos, redefinir a rela\u00e7\u00e3o com o parceiro ou simplesmente negligenciar a vida amorosa e social dentro da comunidade.<strong> Refor\u00e7ando a socializa\u00e7\u00e3o em redes heteronormativas em busca de uma nova imagem. Sempre com o arm\u00e1rio de bolso pronto para ser usado.<\/strong><\/p>\n<p><strong> A solid\u00e3o do gay afeminado<\/strong><br \/>\nNegar sua \u2018macheza\u2019 lhe privaria da superioridade de ser homem. Isso coloca a n\u00f3s, afeminados, no limbo entre ser o homem viril, a mulher fr\u00e1gil, recatada e do lar ou at\u00e9 a\u00a0vadia. Juntando as provoca\u00e7\u00f5es: \u201cmulherzinha\u201d, \u201cbichinha\u201d, \u201cbicha louca\u201d, \u201cbaixo-astral\u201d e\u00a0\u201cp\u00e3o com ovo\u201d. As express\u00f5es que fortalecem os moldes do macho-alfa, sobram pras gays durinhas: \u201chom\u00e3o da porra\u201d e \u201csap\u00e3o\u201d, por exemplo.<\/p>\n<p>Vale lembrar que chamar a mulher l\u00e9sbica de \u201csapa\u201d pode ser ofensa &#8211; ali\u00e1s, muito gay apedrejou Daniela Mercury por usar o termo durante o Carnaval deste ano. Contudo, um\u00a0\u201csap\u00e3o\u201d est\u00e1 para o gay \u201cfora do meio\u201d assim como o \u201ctop\u201d est\u00e1 para os h\u00e9teros descolados na rede social. A\u00ed t\u00e1 valendo. Contanto que esteja tudo em seus devidos arm\u00e1rios (no plural), porque mesmo assumidos limitam a express\u00e3o de suas sexualidades ao grupo heteronormativo que esteja inserido.<\/p>\n<blockquote><p>Tudo nessas condi\u00e7\u00f5es, onde os afeminados est\u00e3o num lugar inferior, soa antiquado e preconceituoso. H\u00e1 quem declare que apenas n\u00e3o \u201ccurte\u201d afeminados, mas n\u00e3o percebe que essa quest\u00e3o de \u201cgosto\u201d reproduz o discurso machista e homof\u00f3bico do chamado \u201copressor\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sobre o que eu chamo de \u201ca solid\u00e3o do homem gay afeminado\u201d, muitos s\u00e3o expostos a relacionamentos com homens bissexuais, que cultivam uma rela\u00e7\u00e3o sem o chamado amor rom\u00e2ntico, motivada exclusivamente pelo sexo. Partindo da ideia de rela\u00e7\u00e3o gay, entre homens: como lidar com gays mach\u00f5es que n\u00e3o se atraem por afeminados e vice-versa? <strong>Afinal, \u00f3bvio que existem os afeminados que simpatizam com a ideia de apartheid entre gay macho e o gay feminino.<\/strong> Mas n\u00e3o custa nada fazer uma an\u00e1lise a respeito da repercuss\u00e3o desse comportamento para uma comunidade j\u00e1 t\u00e3o marginalizada e violentada.<\/p>\n<p><strong> E a fam\u00edlia\u2026<\/strong><br \/>\nComo um mero jornalista opinando sobre o assunto, preciso trazer a quest\u00e3o familiar \u00e0\u00a0tona, obviamente sob o meu ponto de vista e experi\u00eancia.\u00a0Ultrapassada a barreira de verbalizar para a fam\u00edlia a pr\u00f3pria sexualidade, vem o momento\u00a0de n\u00e3o os \u201cenvergonhar\u201d na vizinhan\u00e7a, com o comportamento exagerado, com a\u00a0promiscuidade e tudo mais que habita o imagin\u00e1rio de pais, irm\u00e3os e demais familiares a\u00a0respeito da homossexualidade.<\/p>\n<p><strong>Ao mesmo tempo que surgem todos os medos, em muitos casos, h\u00e1 uma superprote\u00e7\u00e3o, um tratamento especial a partir de sua aparente fragilidade de afeminado.<\/strong> \u201cDe boas voc\u00ea ser gay, mas n\u00e3o precisa exagerar\u201d. Por outro lado, tem quem opte por expurgar esse parente, cortando pela raiz qualquer responsabilidade sobre sua \u201cviadagem\u201d, como solu\u00e7\u00e3o. \u00a0Dar pinta virou um daqueles problemas sociais, tipo mendic\u00e2ncia, que ningu\u00e9m quer lidar ou falar a respeito. Uma l\u00e1stima.<br \/>\nConselho do tio Rafa? Reavalie o seu comportamento, seu papel social entre essa escala\u00a0de ser o oprimido e ser o opressor. Afinal, suas a\u00e7\u00f5es podem estar refletindo uma educa\u00e7\u00e3o\u00a0faloc\u00eantrica, gerando mais preconceito, desamor e homofobia do que voc\u00ea pensa.<\/p>\n<p>*Rafael dos Anjos \u00e9 jornalista e escreveu esse texto especialmente para o Me Salte \ud83d\ude09<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem \u00e9 gay sabe a dificuldade de s\u00ea-lo, mas quem \u00e9 um gay afeminado (ou molinho como\u00a0dizem), assim como eu, enfrenta mais obst\u00e1culos que o esperado. 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