{"id":10708,"date":"2017-05-18T09:48:28","date_gmt":"2017-05-18T12:48:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=10708"},"modified":"2017-05-18T15:04:39","modified_gmt":"2017-05-18T18:04:39","slug":"comecei-a-transgeneridade-com-uma-tirinha-revela-laerte-em-documentario-da-netflix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/comecei-a-transgeneridade-com-uma-tirinha-revela-laerte-em-documentario-da-netflix\/","title":{"rendered":"&#8220;Comecei a transgeneridade com uma tirinha&#8221;, revela Laerte em document\u00e1rio da Netflix"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Laura Fernandes, do jornal <a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\" target=\"_blank\">CORREIO<\/a><\/em><\/p>\n<p>A d\u00favida entre colocar seios, ou n\u00e3o, a praticidade de usar a saia do tipo &#8220;envelope&#8221;, a rotina na manicure e outras quest\u00f5es femininas da vida da cartunista Laerte Coutinho, 65 anos, s\u00e3o expostas no filme Laerte-se, primeiro document\u00e1rio brasileiro da Netflix que estreia nesta sexta-feira (19), \u00e0 meia-noite.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 60 anos vivendo uma identidade masculina, o que inclui tr\u00eas filhos e tr\u00eas casamentos, Laerte abre as portas de sua casa e revela a intimidade do seu dia a dia transg\u00eanero para a cineasta Lygia Barbosa da Silva e a jornalista Eliane Brum (Gretchen Filme Estrada\/2010 e Uma Hist\u00f3ria Severina\/2005), que dirigem o filme produzido pela Tru3Lab para a Netflix.<\/p>\n<p>&#8220;Parte de mim acha que esse \u00e9 um processo meu e ningu\u00e9m tem nada a ver com isso. Parte de mim acha que sim, todo mundo tem a ver com isso. Minha cultura, minha sociedade, meu tempo tem a ver com isso, sim, e acho legal que haja uma curiosidade, uma inquieta\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Laerte durante evento de lan\u00e7amento do document\u00e1rio para imprensa e convidados, em S\u00e3o Paulo, nesta quarta (17).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10709\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/LAERTE-2.jpg\" alt=\"LAERTE 2\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/LAERTE-2.jpg 620w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/LAERTE-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/LAERTE-2-260x146.jpg 260w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/LAERTE-2-50x28.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/LAERTE-2-133x75.jpg 133w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>Laerte-se desnuda, literalmente, a intimidade da respeitada cartunista paulista, atrav\u00e9s de um bate-papo informal gravado dentro da casa onde mora h\u00e1 mais de dez anos. A transforma\u00e7\u00e3o genital, o implante de seios, as inseguran\u00e7as, a morte do filho, o medo da rea\u00e7\u00e3o do pai &#8220;dur\u00e3o&#8221; com sua identidade, a dificuldade de lidar com as obje\u00e7\u00f5es da m\u00e3e e a resist\u00eancia em se expor s\u00e3o alguns dos temas abordados por Laerte ao longo de uma hora e 40 minutos de filme.<\/p>\n<p>&#8220;Ficar pelada n\u00e3o \u00e9 um problema&#8221;, riu Laerte, durante o lan\u00e7amento do filme, garantindo que n\u00e3o se importa em aparecer nua no document\u00e1rio. &#8220;A intimidade da minha casa \u00e9 que era um problema pra mim, sabe Deus por qu\u00ea. Entrar em minha casa foi um problema, mas que foi trabalhado com a devida delicadeza e o caba\u00e7o foi-se&#8221;, completou bem-humorada.<\/p>\n<p>Desenhos inacabados em cima da mesa, caixas por arrumar, paredes por pintar e outros detalhes da casa da cartunista servem de pano de fundo para o bate-papo descontra\u00eddo que \u00e9 intercalado \u00e0s suas famosas tirinhas e a uma s\u00e9rie de v\u00eddeos antigos de Laerte crian\u00e7a, em momentos com a fam\u00edlia. &#8220;Sinto que estou fazendo algo vital&#8221;, diz Laerte, em um trecho do document\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Hugo<\/strong><br \/>\nSem revelar muito, para n\u00e3o dar &#8216;spoiler&#8217;, vale destacar algumas cenas de Laerte-se como quando a cartunista est\u00e1 fazendo as unhas e a manicure diz: &#8220;voc\u00ea \u00e9 meu amigo, meu irm\u00e3o camarada, j\u00e1 te falei&#8221;. Laerte ri para as c\u00e2meras: &#8220;Ela n\u00e3o me chama de mulher, n\u00e3o tem jeito, j\u00e1 tentei explicar&#8221;. Outro detalhe que merece destaque \u00e9 quando Hugo, famoso personagem de suas tirinhas, aparece vestido de Muriel.<\/p>\n<p>&#8220;Comecei a transgeneridade com uma tirinha&#8221;, revelou Laerte, durante o lan\u00e7amento do filme. &#8220;A\u00ed uma pessoa que leu disse &#8216;olha, isso a\u00ed a gente faz e est\u00e1 meio evidente que voc\u00ea gostaria de fazer tamb\u00e9m&#8217;. Eu n\u00e3o tinha percebido isso, que tinha me colocado de um jeito diferente ali. E isso foi um detonador, foi um momento que eu mudei e passei a compreender que n\u00e3o era s\u00f3 o recurso de uma historinha, era algo pessoal&#8221;, contou a cartunista.<\/p>\n<p>Laerte acredita que a sociedade &#8220;nunca est\u00e1 preparada para determinadas quest\u00f5es&#8221; como as de g\u00eanero, mas essa \u00e9 uma investiga\u00e7\u00e3o que precisa ser feita a fundo, em sua opini\u00e3o. &#8220;Esse filme presta um bom servi\u00e7o, no sentido desse amadurecimento de uma sociedade&#8221;, elogiou, enquanto defendia que falar sobre o tema &#8220;\u00e9 absolutamente fundamental&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Muita coisa est\u00e1 colocada quando a gente fala em quest\u00e3o de g\u00eanero: a gente n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 falando dos problemas das travestis, das transexuais, das drag e crossdressers. A gente est\u00e1 falando tamb\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, da viol\u00eancia de g\u00eanero que envolve estupros a cada 20 minutos no Brasil, assassinatos de travestis, do modo como as mulheres est\u00e3o no mercado de trabalho, como elas est\u00e3o representadas na pol\u00edtica&#8230; Desmistificar essa suposta sacralidade dos g\u00eaneros \u00e9 um trabalho importante a ser cumprido por filmes como esse&#8221;, destacou.<\/p>\n<p><strong>Feminismo<\/strong><br \/>\nAinda durante o lan\u00e7amento de Laerte-se, a cartunista falou sobre os grupos &#8220;trans radicais&#8221; que exigem uma &#8220;pureza&#8221; de defini\u00e7\u00e3o &#8211; &#8220;quem n\u00e3o tiver feito hormoniza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tiver feito transforma\u00e7\u00f5es corporais n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o leg\u00edtimo, por exemplo&#8221; &#8211; e falou sobre o chamado feminismo radical &#8220;que tem uma postura excludente, uma ideia de fazer pol\u00edtica excluindo toda colabora\u00e7\u00e3o poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>Essa exclus\u00e3o, segundo Laerte, n\u00e3o est\u00e1 presente s\u00f3 na rela\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o de pessoas trans, mas tamb\u00e9m &#8220;na exclus\u00e3o de qualquer palpite ou qualquer participa\u00e7\u00e3o, ou qualquer solidariedade masculina. S\u00e3o pontos de vista que eu acho pouco produtivos e, no fundo, de uma natureza conservadora&#8221;.<\/p>\n<p>Laerte, ent\u00e3o, defendeu que &#8220;o melhor legado da transgeneridade para a humanidade \u00e9 a quebra desses modelos, \u00e9 uma postura transgressora em rela\u00e7\u00e3o a esse modelo, porque ele \u00e9 impositivo, \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o da cultura patriarcal, que define que mulheres s\u00e3o assim e homens s\u00e3o assim&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Ser homossexual<\/strong><br \/>\nLaerte revelou, ainda, que na juventude, quando come\u00e7ou a se ver diante de quest\u00f5es de orienta\u00e7\u00e3o sexual, ela n\u00e3o tinha modelos de pessoas que vivessem a homossexualidade de forma tranquila e aberta. &#8220;Era sempre um problema, era um tabu. Pra mim, que estava iniciando uma vida sexual, ser homossexual era muito dif\u00edcil, era quase uma maldi\u00e7\u00e3o, porque era assim que era apresentada a quest\u00e3o: uma doen\u00e7a, um crime, ou um pecado&#8221;, denunciou.<\/p>\n<p>Feliz de poder fazer parte de um document\u00e1rio de alcance mundial que aborda essas quest\u00f5es, Laerte ressaltou que esse n\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil e que demora. Segunda ela, ainda existem muitas pessoas que ocupam cargos em empresas, governos, e que mant\u00eam essa vida fechada a sete portas &#8220;como se fosse uma maldi\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;O que aterroriza as pessoas no mundo que a gente vive \u00e9 justamente o risco: vou botar minha carreira em risco? Minha fam\u00edlia em risco?'&#8221;, questionou.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho \u00f3timo que minha experi\u00eancia se torne positiva para outras pessoas. Mas quando as pessoas usam o termo &#8216;coragem&#8217; pra defender meu processo, eu penso &#8216;gente, eu levei 60 anos&#8217;. S\u00f3 fiz isso quando meus filhos estavam grandes, quando senti uma s\u00e9rie de seguran\u00e7as, quando sabia que eu ia ter pouca perda de p\u00fablico&#8221;, ponderou.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, Laerte garante que a consolida\u00e7\u00e3o profissional e a sorte de ter uma fam\u00edlia compreensiva ajudaram a fazer com que a quest\u00e3o de g\u00eanero n\u00e3o fosse mais um bicho de sete cabe\u00e7as. &#8220;Sinto que minha vida mudou. Quando sa\u00eda eu pensava &#8216;vou p\u00f4r uma saia, ou n\u00e3o?&#8217;. Diferente de agora, que tenho como quest\u00e3o o que vou usar quando sair: aquela bota, aquela blusa&#8230; Hoje n\u00e3o tem mais essa quest\u00e3o de g\u00eanero para ser decidida quando vou p\u00f4r o p\u00e9 na rua, porque j\u00e1 estou com isso dentro de casa. Me sinto uma mulher, uma mulher poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Laura Fernandes, do jornal CORREIO A d\u00favida entre colocar seios, ou n\u00e3o, a praticidade de usar a saia do tipo &#8220;envelope&#8221;, a rotina na manicure [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10710,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[80,9],"tags":[1141,1142,279],"class_list":["post-10708","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-home","category-me-orgulho","tag-laerte","tag-laerte-se","tag-netflix","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10708"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10708\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10716,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10708\/revisions\/10716"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}