Baga de Bagaceira tem 24 anos e mora em Cachoeira, no Recôncavo baiano. Em sua vida, não existe a diferenciação entre ‘coisas de menino’ e ‘de menina’. Baga vive no chamado gênero fluído, ou seja, não se associa nem ao masculino nem ao feminino. Se identifica como uma pessoa trans não-binária e faz da sua vida um enfrentamento do preconceito através de ativismo social que inclui também performances artísticas enquanto drag queen.

As intervenções artísticas são executadas por Baga há dois anos. “A drag surgiu com um desejo de inserir essa arte no interior (da Bahia) e pra que minhas irmãs (lgbts) pudessem ver um mim um potencial drag que existe nelas também”, reforça Baga que é ativista queer do coletivo Aquenda da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

“Baga de Bagaceira surge, inconscientemente, da necessidade de não identificação entre os gêneros masculino e feminino. A não binariedade toma forma quando quebro os padrões da heteronormatividade com meus trejeitos, modo de andar, falar e vestir, todos esses lidos na construção social feminina e que me fazem uma pessoa queer. A fluidez, que me proponho, é uma AFROnta aos padrões hegemônicos. Enquanto bicha preta e afeminada, a performance que empresto a minha Drag, ao qual tem o mesmo nome, rompe com os modelos de branquitude, simetria e “perfeição”, ao qual se vale mais a destruição, a desordem, o desconforto e a bagaceira, dentro da performatividade”, explica Baga que tem como referência pessoal e profissional a performer Euvira.

Foto: Acervo Pessoal

Foto: Acervo Pessoal

Veja abaixo entrevista com Baga e entenda mais sobre gênero fluído e ativismo:

Me Salte- Você disse que não tem identificação com os gêneros masculino e feminino. Como você lida com a sua identidade nesse contexto?
Baga de Bagaceira – Eu prefiro trabalhar com a fluidez, podem me chamar na flexão masculina ou feminina, não me importo. Eu uso mais nos termos femininos para romper com a ideia de masculinidade e todo sua carga.

MS – Como as pessoas reagem diante das suas falas e/ou comportamentos que fujam da heteronormatividade?
BB – Eu gosto quando me apresento as pessoas usando símbolos do que é lido ao universo feminino, mas ao mesmo tempo é interessante ver as reações quando estou com comportamentos/vestes ditos masculinos, as reações se confrontam e fica a dúvida na cabeça delas e o porquê deu misturar essas roupas. Mas que na verdade, a ideia é não fixar, permitindo essa modulação.

MS – Você relatou que Baga é uma bicha preta e afeminada. Como você constrói as ações da sua personagem?
BB – Ser preta e afemininada me coloca numa postura muito mais crítica diante dos modelos inteligíveis. Então procuro artifícios de montagem que fujam a esse padrão branco, higienizado, simétrico, correto, de não me preocupar, por exemplo, se vou cair durante a performance ou se minha peruca estará nos trinque, a ideia é ser bagaceira.

MS – Onde você faz as suas performances normalmente e como elas são? Como as pessoas reagem a elas?
BB – Eventos, festivais, boates, seminários ou até mesmo no dia- a -dia. Estamos o tempo todo em performance, principalmente quando se pretende quebrar certos padrões. As pessoas geralmente reagem super bem a eles e ficam espantadas com minha flexibilidade, então eu ”escalo” mesmo, subo na cadeira, tiro a roupa, etc.

MS – Como é sua relação com a família e como entendem Baga?
BB – A relação coma família é péssima, me sinto mal em lembrar o quanto sofri e eles não entendem a Baga.

MS – Você sente mais preconceito como pessoa negra ou drag?
BB – Acho que aí estão duas questão que devam se atravessar, a raça e a questão da performance no meu contexto devem ser analisadas juntas. O racismo é perverso, imagine para uma pessoa que ainda se monta. Para a sociedade assimilar tudo isso, é complicado: durante o dia eu sou afeminada e saio atacando a fragilidade masculina e a noite sou hipersexualizada/fetichizada pelos mesmo que me apedrejam porque enxergam em mim um corpo de mulher. É preciso aprender a lidar com as múltiplas sexualidades, sempre as colocando no recorte de raça.

23 de abril de 2016

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