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Você se enxerga no que lê?

FOTO 1 - PRATELEIRA

cheiro de couro

Por Clarissa Pacheco

Quantas vocês você já abriu um livro e leu até o final, mas não conseguiu se enxergar dentro da história? Vale para os romances ‘água com açúcar’ e para todas as outras histórias em que os finais felizes – ou não – nunca incluíram um casal gay. Muitas? Quase todas? É, não são muitas mesmo as obras voltadas para o público LGBTQA+ – pelo menos se comparadas com as milhares que contam histórias de casais heterossexuais. Mas tem gente preocupada em tornar mais fácil o caminho entre as obras já existem e o leitor. No ano passado, o ator, roteirista, diretor e ativista carioca Felipe Cabral, 31 anos, colocou em prática o ‘Eu Leio LGBT’.

O projeto inclui um canal no Youtube e um perfil no Instagram (@euleiolgbt) que faz indicações de produções que têm como temática a diversidade. “Olhei pra minha estante e vi meus livros LGBT e achei que poderia ser uma maneira bacana de compartilhá-los. Se eu gostava tanto de ler livros com essa temática, e tinha tantos exemplares, por que não dividir com a galera? Assim, em março, estava publicando o primeiro vídeo do Eu Leio LGBT. A proposta é dividir, compartilhar dicas e opiniões sobre livros com a temática da diversidade sexual”, conta Felipe, que também criou a LGBTCINE, onde, volta e meia, também dá dicas de filmes, séries.

FOTO 2 - STRAND BOOKSTORE

O que motivou a iniciativa de Felipe foi mais ou menos a resposta para aquele pergunta lá de cima: ele acha importante ler livros onde se sinta representado também, onde os personagens, diz, passem por questões semelhantes à dele. “Conforme fui fazendo o canal, fui ouvindo muitas histórias de jovens que usaram livros para saírem do armário pra família, tiraram dúvidas sobre sua identidade de gênero através de programas de televisão. A representatividade e a visibilidade importam muito, então achei que poderia ser divertido e útil dividir com a internet os livros que eu tinha”, afirma.

Produção literária
Felipe conta que vive de olho em produções que surgem com essa temática – sempre que vai a uma livraria, fica de olho se tem algo do tipo, ou alguma sessão do gênero. Fomos procurar também: no site da Livraria Saraiva não há uma seção específica sobre diversidade, mas a busca por livros com temática LGBT retorna 48 opções, entre romances, livros sobre cinema e produções acadêmicas. Na Livraria Cultura, há diversas categorias LGBT e a pesquisa aponta para 37 itens. Já na Livraria FNAC, o público encontra, online, 34 obras, sendo sete delas na categoria “LGBT e GLS”.

Mas basta ir para as comunidades de leitores para perceber que o universo literário colorido é bem maior. No site Skoob, uma rede social que reúne leitores que montam suas próprias estantes virtuais, há 5,3 mil resultados para livros com temática LGBT. Há, também, editoras como a Hoo Editora e a Vira Letras que publicam livros exclusivamente sobre diversidade sexual e lésbicas. Ah, ainda, sites que se dedicam a publicar histórias para meninas que gostam de meninas, como o Projeto Lettera (www.projetolettera.com.br). Neste caso, dá para criar sua própria história e compartilhar com o mundo.

O próprio Felipe tem bem mais do que as opções que estão disponíveis nas grandes livrarias. “Eu juro que tenho mais de 100 livros e sempre que vejo um novo eu vou lá e compro. É quase um vício que eu preciso dar uma diminuída, porque vai dando aquela sensação que não vou conseguir ler todos nunca! É claro que chegam algumas indicações pelos seguidores, mas a maioria fica de boa vendo as dicas e comentando. É um ritmo muito insano ler um livro por semana, então eu também preciso ler os livros que tenho vontade, que vão me dar prazer lendo”, comenta.

FOTO 3 - CAROL

Para o idealizador do Eu Leio LGBT, as coisas andam para a frente. Na última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, por exemplo, ele próprio mediou uma mesa redonda sobre literatura LGBT – e isso nunca tinha acontecido antes na história do evento. “Quando eu era criança não tinha um livro infantil com um menino gay, hoje já tem. Hoje vemos literatura sobre crianças trans, sobre personagens bisexuais, lésbicas, intersexuais, ou seja, hoje essa literatura existe e tem ares comerciais. Não são mais livros cults, escondidos. São livros pra jovens, pra crianças, pra jovens adultos, tem pra todo mundo, inclusive nas grandes editoras”, afirma.

E, se o mercado literário vem crescendo e ganhando espaço nas prateleiras, a situação no audiovisual anda um pouco mais à frente. “No cinema, já entramos num outro universo. Existe ainda comédias estereotipadas? Sim. Mas também existem filmes como ‘Tatuagem’, ‘Praia do Futuro’, ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’. O cinema nacional tem filmes excelentes. Acredito que temos ainda muito o que engatinhar, mesmo, mas é muito bacana ver filmes como o chileno ‘Uma Mulher Fantástica’ sendo indicado ao Oscar, o ‘Moonlight’ vencendo o Oscar e o ‘Me chame pelo seu nome’ tendo tantas críticas positivas. É bom que esses filmes sejam para todos e não só para a comunidade LGBT”, defende Felipe.

Não viu nenhum dos filmes? E não leu nenhum dos livros – ou leu poucos?
Felipe, que não se contenta em ler apenas os livros sobre homens gays, preparou uma lista de dicas especialmente para as leitoras do Me Salte. “Naturalmente, comecei lendo muitos livros com personagens gays masculinos, já que eram livros onde eu me identificava. Quando ia numa livraria, não pensava: ‘Ah, quero ler um livro sobre uma menina lésbica’. Com o canal, pensando nas minhas seguidoras e inscritas, resolvi ir atrás dessa literatura e hoje já amo rs”, explica. Veja a lista do Felipe:

– “Eu super indicaria o clássico ‘Carol’, da Patricia Highsmith. Indico com toda força, é muito lindo. Alguns podem achar a narrativa lenta, mas eu super amei e um detalhe curioso é que a autora disse que, quando lançou o livro, há décadas atrás, muitas leitoras lésbicas lhe enviaram cartas agradecendo pela forma como tinham sido retratadas, sem depressão ou a certeza de um final trágico. Pela primeira vez, elas sentiram que podiam ser felizes”.

– “Outro livro que eu adorei foi o ‘Os dois mundos de Astrid Jones’, da A.S.King. Interessante que na contracapa do livro, não diz nada que Astrid é lésbica, mas depois você entende o porquê disso. A menina ainda está se descobrindo e não tem certeza de nada. É uma graça!”

– “Recomendo lerem ‘Famílias Homoafetivas’ da Lícia Loltran, onde ela viajou o país conversando com casais de mulheres que decidiram ser mães. É um livro reportagem sensacional e muito emocionante”.

FOTO 4 - FAM+ìLIAS HOMOAFETIVAS

– “Estou lendo um livro lésbico, se posso falar assim, chamado ‘O mau exemplo de Cameron Post’, da Emily M. Danforth. Estou amando! É sobre a Cameron, uma adolescente entrando no Ensino Médio, que perde os pais e fica morando com uma tia religiosa que, ao descobrir sua sexualidade, vai tentar ‘curá-la’. Soube que acabou de ser lançado o filme, mas ainda não assisti”.

– “Acabei de ler o ‘Me chame pelo seu nome’, do André Aciman, que eu também super recomendo. É lindo! Tem muito livro pra indicar e pra ler. Aproveito pra fazer o convite de quem quiser dar uma olhada no que tem por aí, passar lá no canal no Youtube e conferir os vídeos. Não precisa assistir tudo. Vai olhando o nome, a capa, lê a descrição do vídeo e se te interessar, vai atrás e compra. Tá cheio de dicas legais”.

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