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Homem trans tem casa invadida e é encontrado morto na Bahia

TEU2

“Sou feito de amor, principalmente de amor próprio”. Essas foram as últimas palavras publicadas pelo homem trans Thadeu Nascimento, ou Têu Nascimento como gostava de ser chamado, em uma rede social na noite de quinta-feira (04). No dia seguinte, ele seguiria para o trabalho como vendedor, mas não chegou para trabalhar. Amigos tentaram contactá-lo, mas não tiveram sucesso. Sua casa, no bairro da Fazenda Grande 3 (Cajazeiras), foi invadida. Levaram uma televisão, reviraram o imóvel mas deixaram a mochila onde estava até a marmita que ele levaria o trabalho. O corpo de Têu foi encontrado no bairro de São Cristóvão, em Salvador, por volta das 7h da última sexta-feira (05) na rua da Rodagem, segundo registro feito pela central das polícias civil e militar.

Os amigos e familiares procuram por Têu desde então, mas seu corpo só foi localizado na noite deste sábado (06) no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues. O corpo tinha marcas de espancamento e de tiros na cabeça.  O Departamento de Polícia Técnica (DPT) informou neste domingo (07) que os resultados da perícia no corpo de Têo devem ficar prontos em até 30 dias. Até o momento não há informações sobre a motivação e autoria do crime. O caso deverá ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O Centro Municipal de Referência LGBT (CMRLGBT) de Salvador informou que na noite de sábado (06) foi encaminhada a denúncia do desaparecimento de Thadeu, homem trans, através da militante Andressa Belut. “Logo entramos em contato com a 13ª delegacia (Cajazeiras),  onde fomos informados que o apartamento estava revirado, informação essa dada pela família. Após três horas fomos comunicados por familiares que infelizmente havia sido encontrado sem vida”, afirmou Vida Bruno, coordenador do CMRLGBT.

 

Homem trans foi assassinado

Homem trans foi assassinado

 

O sepultamento de Têu, que era tido entre os amigos com uma pessoa alegre e solicita, será nesta segunda (08), às 10h, no Cemitério Campo Santo, na Federação.

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Um amigo de Têu, que prefere não se identificar, lembra com carinho do amigo. “Conheci Tadeu num curso criado para jovens trans. Ele sempre ajudava os meninos novos, que chamamos de pré T ( que ainda não se hormonizam) com dúvidas, orientações etc. Ele sempre se fez presente na hora de ajudar os meninos. Lembro de uma vez que ele estava sem trabalhar, começou o curso de barbeiro e achou o trabalho atual (em uma loja de informática). Ele saia da loja e ia pro curso. Vivia postando fotos. Há alguns dias ele disse : gente tô pensando em tirar um dia pra gente se reunir pra cortamos os cabelos de graça, tô precisando treinar.Tem outros meninos que são barbeiros e a idéia dele todo mundo adorou, infelizmente ele não vai poder realizar”, lamenta o amigo.

A sensação dos amigos é de incredulidade. “Ele era tão gente boa. Não consigo entender como isso aconteceu com ele e porque. Ele sempre compartilhava os resultados da academia com a gente, sempre que podia interagia. Anteontem eu marquei ele em uma conversa num grupo de WhastsApp para perguntar o que ele tomava pra proteger o fígado e ele não respondeu, possivelmente ele estava tentando de proteger das violências sofridas”, relembra o amigo.

O coletivo De Transs Pra Frente, que é voltado para o desenvolvimento de ações para a população trans e travesti na Bahia, em nota publicada pelo Facebook, se solidarizou com a família do Têu e pediu justiça. “Perdemos nosso querido Têu Nascimento para a violência… Nossa solidariedade à família e amigos e acompanharemos as investigações em busca de justiça. Siga em paz, Têu!”. Diante de mais uma morte envolvendo uma pessoa trans, a coordenadora do Grupo Famílias Pela Diversidade, Inês Silva, questionou: “Todo dia acontece um caso de violência. Até quando?”.

Pelas redes sociais, a militante Eide Paiva, que é irmã de santo de Têu, escreveu: “Estou profundamente triste. Conheci Têu há pouco mais de três anos, quando ele voltou a morar em Salvador cheio de vida, e de planos. Ele era de fé, do trabalho e da luta. Chegamos a planejar discutir a transfobia e a lesbofobia em nossa casa, em outros terreiros, mas não tivemos tempo. Meu irmão não teve tempo nem mesmo de ser aceito e respeitado por todas as pessoas que ele amava e respeitava. Sua juventude foi roubada logo cedo no jogo duro da desigualdade, onde o racismo e sexismo o transformaram em escravo do sistema, mas não lhe tiraram o riso largo, a capacidade de sonhar e lutar pelo seus ideais. Agora recebo essa notícia triste. A transfobia ceifou a vida do meu irmão, e eu choro por ele, por mim, por nós… Que Olorum o receba em paz, que suas dores sejam curadas!! Que meu irmão descanse e que a justiça de Xangô se faça!! Que Orixás me protejam na luta pelo fim da LGBTfobia, pelo bem viver”, escreveu.

Quando vai parar?
O contador de morte de pessoas LGBTs no Brasil não para. Ele segue com uma velocidade entristecedora. Dados do Grupo Gay da Bahia indicam que só este ano 117 pessoas LGBTs já foram assassinadas. Os números deste ano são alarmantes já que 144 pessoas transexuais e travestis mortas no Brasil em 2016 – um aumento de 22% em relação a 2015. O risco de uma pessoa trans ou travesti ser assassinada é 14 vezes maior do que um gay. Segundo agências internacionais, a exemplo da Trans Respect Versus Transphobia World Wide , mais da metade dos homicídios de transexuais do mundo ocorrem no Brasil.

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A Secretaria da Segurança Pública da Bahia, através da Superintendência de Prevenção à Violência, informou, em janeiro em nota enviada ao Me Salte, que está em processo de implantação do Núcleo de Atendimento Qualificado à s Vítimas de Preconceito Racial, Intolerância Religiosa e da População LGBT, que funcionará no âmbito da Polícia Civil, reforçando o suporte a estes públicos desde o primeiro atendimento na delegacia até o acolhimento na rede de apoio constituída por diversos órgãos estaduais. Isso ainda não saiu do papel.

Saiba mais sobre a realidade de pessoas trans e travestis no especial Identidade Trans 

Estamos apurando mais detalhes do caso de Têu. Mais informações em breve

 

Jorge Gauthier
Jorge Gauthier
Jornalista, adora Beyoncé e não abre mão de uma boa fechação! mesalte@redebahahia.com.br

24 Comentários

  1. Tielle disse:

    Qual o problema de vcs? Por acaso n tem pai, mãe, filhos, ou melhor, família???? Respeite a dor destes… Independente de cor, raça, opção sexual ou índole ele tem alguém pra chorar a partida dele!
    Como já foi dito… Ele foi vítima de latrocínio, pq foi a casa dele ou ele foi escolhido para isso?! Ninguém saaaabeeee! Até pq ninguém estava lá para saber… Então se poupem com seus “achismos”, seus preconceitos e pré-conceitos por favor…

    Teu, apesar de n ser uma grande amiga e n ser presente o respeitei e sempre respeitarei… Q fique com Deus e descanse em paz!

  2. Caio disse:

    Lamentável o que fizeram com meu primo! Crueldade..

  3. Igor disse:

    1 – pq o infográfico lgbt? Acaso ja foi constatado crime de homofobia? Se nao, trata-se de crime de heterofobia por parte do jornal e das ongs.

    2 – Se trans são realmente o que eles falam que sao, então qual a necessidade de se colocar a palavra trans depois do gênero se nao for pra prejulgar o crime como homofóbico?

    • Jorge Gauthier Jorge Gauthier disse:

      Igor,

      1. O infográfico compõe a pesquisa do GGB que tipifica todas as mortes de LGBTs seja ela qual for a motivação.

      2. As pessoas trans são trans e colocamos por uma questão de fortalecimento da identidade de gênero dessas pessoas.

      Da uma navegada aqui no blog e se informe mais sobre a vida das pessoas trans.

      • Pedro disse:

        Olha, enquanto homem (transexual também) eu discordo de algumas coisas. Somos todos homens e mulheres, o termo trans* é algo científico, médico e militante. Fica a critério da pessoa querer essa visibilidade ou não. Reforçar o homem trans antes do nome da pessoa não é apoio ao gênero, até pode ser, mas ao mesmo tempo segrega, pelo fato que ninguém fala homem cis antes do nome de qualquer que seja. Eu falo essas coisas porque as pessoas precisam parar de generalizar as pessoas trans, são pessoas e das mais variadas que você imagina. Outra coisa, mulheres (transsexuais) são historicamente perseguidos e mortas por uma questão de gênero (ou negação dele) mas homens? Em uma sociedade machista? Até trabalhar (com público) ele trabalhava, coisa que quase nenhuma consegue ter a oportunidade. É preciso evidências, nem boatos de quem ou porquê isso aconteceu então é bom ter cuidado.

    • JORGE LUIZ disse:

      O termo certo é Transfobia, mas tudo leva crer q tenha sido latrocínio, mas assim informe-se melhor Os heteros não são vistos como anormais ,portanto não existe e nunca existirá heterofobia ,isso é coisa de mentes que se recusam a entender,ler então ignoram e ficam na mediocridade de entendimentos !

  4. Giovani Alves disse:

    Já está comprovado que foi um crime relacionado a ele ser um trans? Pelo que entendi foi um crime de latrocínio. Não forcem a barra! Temos sim que respeitar e proteger a todos, sejam eles LGBTs ou heterossexuais. Que Deus conforte a família desse jovem e que esses monstros que cometeram esse crime sejam punidos.

    • Eliana disse:

      Verdade Giovani!! Sinto mt pela morte do moço, ainda mais assim de forma tão violenta, mas a forçassao de barra do movimento LGBTS é demais!! Tá de encher o saco. Não pode morrer um homossexual, que já é homofobia, como se no Brasil não houvesse assassinatos por segundo. Aaa nos poupe né!!

  5. Cadu disse:

    Meu amigo vai fazer falta! :'(

  6. Tiago Dantas disse:

    Até quando isso vai parar? Pelo o que eu li sobre ele, ele era uma pessoa maravilhosa, trabalhava, estudava e ainda ajudava os outros. Para os familiares, eu sinto muito. Deus cuide dele. É lamentável. Que a justiça seja feita.

  7. MAGALY BOTELHO disse:

    ATÉ QUANDO A INTOLERÂNCIA IRÁ REINAR EM NOSSA SOCIEDADE? É MUITO PRECONCEITO, PESSOAS MATAM SO POR CAUSA DA IDENTIDADE DE GÊNERO OU A ORIENTAÇÃO SEXUAL, É MUITA IGNORÂNCIA.

  8. MAGALY BOTELHO disse:

    NÓS QUE FAZEMOS O MOVIMENTO GUERREIRAS DE LABRYS DA CIDADE DE RECIFE-PE, EXTERNAMOS NOSSAS CONDOLÊNCIAS AOS FAMILIARES DO NOSSO THÉO E QUE NÃO VAMOS DESISTIR DE LUTAR PELO FIM DA LGBTFOBIA, QUEREMOS OS ASSASSINOS DO THÉO NA CADEIA.

    #LUTO

  9. Luís disse:

    Boa tarde. Sou solidário à família e aos amigos do rapaz, mas gostaria de saber em qual momento da entrevista os responsáveis pela investigação disseram quais foram as motivações do crime? Sei que a comunidade LGBT é vítima de uma violência que não se justifica, mas deixemos a justiça fazer o trabalho dela para que, aí sim, se possa protestar de forma sólida.

  10. Maria jedeane disse:

    Com meu coração ferido dou adeus a uma amiga que virou amigo, uma pessoa de coração gande e alma de criança, sentiremos sua falta amigo, quero justiça ate quando vamos ter que perder nossos amigos, irmãos e ate mesmo que nós não conhecemos isso é vergonhoso. todos temos o direito de amar quem escolhemos e de fazer o que quiser do nosso corpo, o céu estar em festa pq ele era assim onde chegava fazia uma festa e deixava todos ao seu redor feliz. Vai com Deus amigo te amo.

  11. Perde o theu, para me e muito doloroso, eu que tive o prazer de trabalhar com ele, de me abrir, de compartilhar coisas boas, de ouvir conselhos sempre bons. Até agora não quero acreditar que isso tenha acontecido. Que Deus possa confortar o coração da família dele. Estou em luto por dentro, com essa triste noticia.

  12. Taiane disse:

    Sinto muito por essa família ,pois foi mais uma família que foi destruída por causa da violência do nosso pais ,independente de qual foi a motivação do crime não importa por q tem q sr fazer justiça ,por quem o assassinou atrás das grades …

  13. Lamentável. Fico pensando que é urgente uma proposta de criminalização da homofobia e da lgbtfobia, mas acima de tudo uma proposta de educação que acolha as diferenças.

  14. Amanda disse:

    Quem foi a casa dele deve ter sondado antes onde estava entrando.

  15. Rafael disse:

    “O corpo tinha marcas de espancamento e de tiros na cabeça”, existem características que correspondem a crime de ódio, ou seja, motivados pelo preconceito. Este caso não é um simples latrocínio, exatamente por causa dos requintes de crueldade, que envolveram espancamento para levarem apenas uma TV. Lembrando que o corpo foi levado e abandonado em outra localidade. É o mesmo que dizer que muitas pessoas são mortas e comparar ao caso Dandara, que trouxe requintes de crueldade e uma morte banal sem nenhum motivo de fato! Sobre o uso do termo ‘trans’, sob questões de imprensa e informação, é preciso que as pessoas lidem com isso e que compreendam a dificuldade de ser transexual no Brasil, principalmente na Bahia. Equiparar homens cis com trans, apenas partindo do pressuposto de uma sociedade machista é no mínimo imaturo e insensato. Ademais, nunca conseguirei compreender o motivo que leva leitores do Correio*, a se mobilizarem em ‘provar’ que não foi LGBTfobia. O que vocês ganham com isso? Infelizmente o preconceito velado é mais destrutivo do que os que assumem suas maldades. Pois as mãos de muitos estão sujas com o sangue de gente como Teu e outros LGBTs que tem sua integridade colocada à margem. Bom dia.

  16. Debora Pereira disse:

    Deus se faça presente a todos os q amavam o Thêu…Fara falta por sua alegria.Sou de Sao Paulo.Maes pela Diversidade e nesta ocasião me sinto abraçando esta familia.Esta mãe , esta avó….Façamos uma oração para que os anjos do Senhor tornem o sofrimento da familia o menor possivel.Va em paz e na luz!

  17. Rosângela da Silva Pereira disse:

    Não importa o que meu filho escolheu, importa que é meu filho… O amor que sinto dentro de mim,superava qualquer preconceito. O importante era o caráter,a dignidade e o respeito ao próximo,que meu filho deixou de exemplo. Te amo meu filho!

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