Por Uilson Campos<\/em><\/strong><\/p>\n Cheias de gra\u00e7a, as saias coloridas dominam o centro de animadas rodas desde as origens do samba. E, com o passar do tempo, suas donas foram tamb\u00e9m assumindo as fun\u00e7\u00f5es de compositoras, int\u00e9rpretes e instrumentistas. As sambadeiras sempre estiveram em posi\u00e7\u00e3o destacada, seja no passo miudinho do samba cl\u00e1ssico ou no movimento ligeiro das saias no samba de roda. O cantor e compositor Roberto Mendes sabe bem disso. Ele conta que a origem da participa\u00e7\u00e3o da mulher no movimento do samba surge com a chula, em meados do s\u00e9culo XIX, como resultado do encontro da viola portuguesa e do batuque dos negros sudaneses, tendo seu ber\u00e7o no Rec\u00f4ncavo baiano.<\/p>\n \u201cO homem come\u00e7ava cantando, enaltecendo a beleza da mulher, que s\u00f3 entrava na roda para dan\u00e7ar\u201d, diz. Ele explica que a chula come\u00e7a a se caracterizar como samba quando deixa de ser uma manifesta\u00e7\u00e3o restrita \u00e0s festividades dos negros escravizados e come\u00e7a a se popularizar em outros c\u00edrculos. Um marco desse momento foi quando\u00a0 Tia Ciata, negra, m\u00e3e-de-santo de Santo Amaro,\u00a0 foge para o Rio de Janeiro, em 1876, por persegui\u00e7\u00e3o religiosa, levando suas festas em celebra\u00e7\u00e3o aos orix\u00e1s para bairros populares do Rio.<\/p>\n