RESPOSTAS DO QUIZ – Você conhece músicas sobre a Bahia?

Jordan Dafné 

Todo mundo sabe o que é que baiana tem, o quanto é bom passar uma tarde em Itapuã e que toda menina baiana tem um brilho que só Deus dá. A Bahia é rica de personagens e lugares que inspiraram diversos compositores dentro e fora dela. Fez o Quiz Você conhece músicas sobre a Bahia? Então chegou a hora de descobrir as respostas e mais algumas curiosidades sobre as músicas e compositores que cantaram a Bahia de maneira singular e tratando de diversos aspectos da cultura baiana.

1- ALTERNATIVA D –  A verdadeira baiana incomoda sim!

Composta por Caetano Veloso e interpretada por Gal Costa, a letra de “A Verdadeira Baiana” descreve as características que uma baiana de verdade tem que ter: “A verdadeira baiana sabe ser falsa, salsa, valsa e samba quando quer. A verdadeira baiana é transafricana! É pós-americana, Rum, Pi, Drum-machine, Lé”. Segundo Caetano, uma verdadeira baiana faz o que bem quer, sem se preocupar com o que vão pensar e pode assumir diferente papeis na sociedade. Não incomodar ninguém é uma característica citada pelo compositor Geraldo Pereira para descrever a “Falsa Baiana”, letra também interpretada por Gal. A falsa baiana é aquela que não sabe sambar, que não chama a atenção quando chega, é aquela que não incomoda:

♪ A falsa baiana quando entra no samba/ninguém se incomoda, ninguém bate palma
ninguém abre a roda/Ninguém grita ôba

2- ALTERNATIVA C – Morena bela e peixe Mariquita é no Rio Vermelho

O Candeal Pequeno de Brotas é um bairro periférico de Salvador conhecido pela estética colorida das ruas e pelas diversas manifestações artísticas que a própria população promove. Carlinhos Brown nasceu no local e atualmente possui um projeto social na região chamado Pracatum. As características do local são muitas e foram cantadas em diferentes músicas, a exemplo de “Tiririca”, da Banda Mel, que fala do banho de bica que acontecia no bairro; “Zorra”, da Timbalada, que cita o espaço cultural Guetho Square Candyal e afirma que lá “cacique é rei do carnaval”; além da conhecida canção na voz de Ivete Sangalo “Levada Louca” que já avisa no primeiro verso “Tem festa no Candeal”. Morena bela e peixe Mariquita fazem parte de uma outra canção, composta por Roque Ferreira, chamada “Vi Mamãe na Areia”, que não fala sobre o Candeal, mas sim sobre o Rio Vermelho.

♪ No tempo que o Rio Vermelho tinha peixe Mariquita/E o terreiro Casa Branca, batia na Barroquinha/Quando em Água de Meninos, engenho de cana moia/Quando o terno do Arigofe, reisava na Soledade/E no largo dos Aflitos tinha samba de verdade

3- ALTERNATIVA B – O tambor do Ilê é o vulcão da Bahia

Wostinho Nascimento disse que o Olodum faz balançar pra lá e pra cá em “Olodum Pra Balançar”. Nem Cardoso escreveu que o toque do timbaleiro sacode o mundo inteiro em “Toque de Timbaleiro”. No entanto, foi Paulinho Camafeu que consagrou o tambor do Ilê Ayê como o vulcão do Bahia ao compor “Que Bloco É esse”, música que celebra a beleza do mais belo dos belos, como é conhecido o Ilê Ayê, bloco afro mais antigo de Salvador.

♪ Hoje terra vai tremer/Vulcão da Bahia é tambor de Ilê Aiyê

4- ALTERNATIVA B – Gil reparou no namorado da Garota do Barbalho

Apesar de ter muitas boas características, a garota do Barbalho não tinha malemolência e nem sabia tocar tambor, porque essas são peculiaridades que Saul Barbosa percebeu no “Menino do Pelô”, música interpretada por Daniela Mercury. Já a primazia para o bem e para o mal, e os defeitos que deus também dá não são exclusivos da garota do Barbalho, mas sim de “Toda menina baiana”, como o próprio Gil afirmou na canção de sua autoria. O que Gil mais cita na letra de “Tradição” não é a garota do Barbalho em si, mas o namorado dela. É ele quem chama mais a atenção do compositor:

♪ Namorava um rapaz que era muito inteligente/Um rapaz muito diferente/Inteligente no jeito de pongar no bonde/E diferente pelo tipo/De camisa aberta e certa calça americana/Arranjada de contrabando/E sair do banco e, desbancando, despongar do bonde/Sempre rindo e sempre cantando/Sempre lindo e sempre, sempre, sempre, sempre, sempre/Sempre rindo e sempre cantando

5- ALTERNATIVA E – John Coltrane lançou o disco “Bahia”

John Coltrane, ou simplesmente Trane, foi um famoso saxofonista e compositor de jazz norte-americano. Em 1965, Trane lançou o álbum “Bahia” pela Prestige Records. O álbum conta com 5 faixas instrumentais que mesclam o clássico jazz com elementos da música baiana, inclui tambores, pianos, saxofone e trompete. A faixa-título é, na verdade, a releitura da cifra de “Bahia” do compositor brasileiro Ary Barroso. Gravado no estúdio de Rudy Van Gelder, engenheiro de som especializado em jazz, o álbum foi bem recebido pela crítica internacional. Recebeu 3 de 5 estrelas do portal internacional AllMusic e da Rolling Stone Jazz Record Guide.

6- ALTERNATIVA C – No vatapá de Caymmi não entra tomate e cheiro verde

No vatapá de Caymmi entra, fubá, dendê, castanha de caju, gengibre, cebola, amendoim, camarão, coco e principalmente uma nêga baiana que saiba mexer. Só não entra o tomate e o cheiro verde, que são ingredientes inclusos em receitas mais modernas.

7- ALTERNATIVA C – Lazzo e Jorge não citaram o Pelourinho em “Alegria da Cidade”

Composta por Lazzo Matumbi e Jorge Portugal, a canção “Alegria da Cidade” ficou famosa na voz de Margareth Menezes, que levou a música mundo afora ao interpretá-la no tradicional Montreux Jazz Festival, na Suiça, em 2006. Apesar da canção citar diversos locais ligados a cultura afro-baiana, o Pelourinho é o único que fica de fora da letra. Porém, o Pelô recebe atenção especial numa canção do Olodum que também retrata a relação da Bahia com a ancestralidade de outros lugares, a famosa “Faraó, divindade do Egito”:

♪ Pelourinho, uma pequena comunidade/Que porém Olodum unirá/Em bracos de confraternidade/Despertai-vos, para a cultura egípcia no Brasil

8- ALTERNATIVA A – A morena mais frajola da Bahia está na Baixa dos Sapateiros

Na música “Lapa”, a banda de pagode Saiddy Bamba encontrou roupas e acessórios super baratos como a lupa de 10 reais, que se cair no chão não presta mais, e o tênis da nike, que se molhar começa a descolar. Enquanto isso, Paulinho Camafeu em “Que Bloco é esse?”, revela que a Liberdade “é um bairro que a alma quer visitar, lave a boca, limpe os pés, na pisa que for levar”. Já Dorival Caymmi sente falta do coqueiro, da areia e da morena de Itapoã, que não é a mais frajola da Bahia. Esta, encontra-se “Na Baixa dos Sapateiros” e recusou os beijos e carícias de Caetano Veloso. Mas não foi só Caetano que sofreu pelas garotas de Salvador. Raul Seixas implorou para que a “Menina de Amaralina” voltasse para seus braços:

♪ Menina de Amaralina/eu quero o seu amor/Menina/Oh, menina linda/Volta por favor

9- ALTERNATIVA D – A Salgueiro cantou que felicidade também mora na Bahia

No ano de 1969 a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro levou para o carnaval carioca o enredo “Bahia de todos os deuses”. O samba, que enaltece entidades do candomblé e riquezas naturais da flora baiana foi composto por Bala e Manuel Rosa:

♪ Preto Velho Benedito já dizia/Felicidade também mora na Bahia/Tua história, tua glória/Teu nome é tradição,/ Bahia do velho mercado/Subida da Conceição/És tão rica em minerais/Tens cacau, tens carnaúba/Famoso jacarandá/Terra abençoada pelos deuses/E o petróleo a jorrar

No ano de 2009, a Viradouro tentou reeditar o samba, mas o regulamento do ano não permitiu a apresentação de reedições de composições. A música também foi interpretada por grandes nomes nacionais, dentre eles, Elza Soares e Jair Rodrigues. Vale lembrar que, em 1986 a Estação Primeira de Mangueira, também utilizou a Bahia no enredo “Caymmi Mostra Ao Mundo o Que a Bahia e a Mangueira Tem”.

10- ALTERNATIVA B – Batatinha contou a história de Jájá da Gamboa

“Jájá da Gamboa” foi a primeira música gravada de Batatinha. O consagrado compositor baiano começou a escrever aos 15 anos e seu nome artístico pegou depois que o locutor Antônio Maria lhe chamou pelo apelido. Ninguém nunca entendeu o motivo, mas o nome permanece até hoje. Batatinha era um ótimo tocador de caixinha de fósforo e o instrumento ajudava a ritmar suas composições. Ao longo de sua vida, Batatinha conquistou grandes êxitos, como músicas nas trilhas de filmes de Glauber Rocha e regravações de Maria Bethânia. Batatinha faleceu ao 77 anos, em 1997.

11- ALTERNATIVA C – A mulher de roxo não caiu no samba

As meninas da Ribeira e do Alto do Candeal não resistiram e caíram no samba da Timbalada, como narra Jaimme Bahia na letra de “Sambaê”:

♪ Menina do alto do Gantois/Menina da Ribeira/Menina do alto do Candeal/Menina dessa cidade negra/Sambaê/Sambaê, samba/Samba menina/Sambaê/Sambaê, samba/Na Timbalada

Mas não foram só as novinhas que entraram na dança, Carlinho Ganso e Badegão revelam em “Vovó no Samba” que uma vovó envergonhada, depois que tomou licor, ficou toda debochada, entrou no samba e não quis mais sair. Eles tiveram que gritar “tira vovó daí”. Já Carlinhos Brown descreveu em “Maria Caipirinha” uma mulher essencialmente forte e baiana, que sabia fazer feijoada, tinha as mãos calejadas, e claro, bailava toda molhada.:

♪ Samba da Bahia…/Vem Maria Nega Tetê/Tetetê tetê/Vem Maria toca o dindê/Tetetê tetê/Vem Maria, quero você/Tetete tetê/Vem Maria para a Bahia/Tetete tetê/Vem Maria Caipirinha/Tetetê tetê

A única das baianas que não caiu no samba foi a misteriosa “Mulher de Roxo”, cantada e composta pela banda de rock baiano Cascadura em parceria com a cantora, também baiana, Pitty. A música descreve uma mulher que andava com trajes roxos na Rua Chile. Ninguém sabia de onde ela vinha, nem para onde ela iria, sua aparência remetia a uma bruxa e todos tinham medo dela. Identificada como Florinda Santos, a mulher de roxo inspirou uma personagem de Glauber Rocha no filme “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969)”. As teorias sobre a origem daquela curiosa criatura que morava nas ruas eram diversas, muitos diziam que ela tinha enlouquecido por conta de uma desilusão amorosa, outros relatavam que há tempos atrás ela era muito rica, porém tinha perdido tudo. Na época, a imprensa publicou algumas notas sobre o caso.

12- ALTERNATIVA E – No Farol da Barra não tem esteira de vime

Composta por Caetano Veloso e Luiz Galvão, “Farol da Barra” ficou conhecida com os Novos Baiano. A letra canta o que acontece em um dos pontos turísticos mais requisitados da Bahia quando o sol se põe:

♪ No Farol da Barra, o encontro é pouco/A conversa é curta, tudo é tão rápido como se furta/Como a luz bate nas águas/Como tudo que se passa/Com tanto cabeludo, com tanto pôr-do-sol

Caetano e Galvão ainda fazem uma profecia: “até o ano 2000, o Farol além do pôr-do-sol será o pôr-do-som”. A profecia se concretizou, pois em 2009 a cantora Daniela Mercury batizou seu tradicional show no primeiro dia do ano de “Pôr do Som”. A relação entre a letra e o evento não foi muito harmoniosa, uma vez que no ano passado Luiz Galvão decidiu processar Daniela pelo uso não autorizado do termo. Dentre as muitas coisas presentes no Farol da Barra, só não está a esteira vime. A esteira a gente encontra na clássica “Tarde em Itapuã” de Toquinho e Vinicius, junto a água de coco e preguiça do corpo:

♪ Um velho calção de banho/O dia pra vadiar/Um mar que não tem tamanho/E um arco-íris no ar/Depois na praça Caymmi/Sentir preguiça no corpo/E numa esteira de vime/Beber uma água de coco

13- ALTERNATIVA B – Na Bahia tem ecó e ebó

É claro que na Bahia tem farofa e dendê, caruru e mel de uruçu, maniçoba e óleo de peroba. No entanto, essas coisas não foram citadas na letra de “Na Bahia tem” composta por Marcus Viana e interpretada por Jorge Benjor. Além das especiarias culinárias, a música cita também as oferendas do candomblé, conhecidas como “ebó”.

♪ Na Bahia tem, tem, tem/Na Bahia tem ecó/Na Bahia tem caruru/Na Bahia tem ebó/Na Bahia tem vatapá/Na Bahia tem mugunzá/Na Bahia tem acarajé/Na Bahia tem apará/Na Bahia tem candomblé

14- ALTERNATIVA E – Roque Ferreira só não viu o Ilê passar

A composição de Roque Ferreira, “Vi mamãe na areia”, conta muitas coisas que podem ser vistas na Bahia antiga. O Ilê não é uma delas. Na música “O mais belo dos belos”, Valter Farias conta que o Ilê sobe a Ladeira do Curuzu, que fica entre a Liberdade e a San Martin, fazendo a galera pular de alegria e curtir o charme da liberdade:

♪ Quem é que sobe a ladeira do Curuzu?/E a coisa mais linda de se ver?/É o Ilê Ayê/O Mais Belo Dos Belos/Sou eu, sou eu /Bata no peito mais forte/E diga: Eu sou Ilê/Não me pegue não, não, não/Me deixe à vontade/ Não me pegue não, não, não/Me deixe à vontade/Deixe eu curtir o Ilê/O charme da liberdade/Como é que é?/Deixe eu curtir o Ilê/O charme da liberdade

15- ALTERNATIVA D – Caetano sentiu a falta de um amor secreto

As saudades da Bahia foram inspirações de muitos compositores Baianos, mas cada um deles sentiu falta de aspectos diferentes. Caymmi se arrependeu de não ter escutado os dizeres da mãe em “Saudades da Bahia”:

♪ Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia/Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia/Bem, não vá deixar a sua mãe aflita/A gente faz o que o coração dita/Mas esse mundo é feito de maldade e ilusão

Já Gil, colocou seus sentimentos para fora em “Back in Bahia” e revelou que ao contemplar a paisagem de Londres, sentia falta do mar da Bahia, “Do luar que tanta falta me fazia junto do mar, mar da Bahia, cujo verde vez em quando me fazia bem relembrar, tão diferente, do verde também tão lindo dos gramados campos de lá”. O que Caetano sentiu falta mesmo foi de um amor secreto, que só a Virgem Maria sabia, como ele canta em “Quando eu penso na Bahia”:

♪ Eu deixei lá na Bahia/Um amor tão bom, tão bom ioiô/Meu Deus que amor/Que desse amor só quem sabia/ Era a Virgem Maria/Nasceu cresceu e lá ficou

O sorvete de cajá, no entanto, nada tem a ver com saudades da Bahia. É o título de uma música do grupo Suinga, que conta a história de um garoto apaixonado que, enquanto esperava ser notado por sua paixão, tomava sorvete de cajá.

♪ Enquanto mais ou menos espero/Eu fico cá a te olhar/Ao mesmo ponto ou tempo espero/Quem sabe se vai me notar?/Enquanto eu cá, você ali/Eu fico assim,/Que eu me preocupo com meu suspiro/Mas o bom que é mesmo nesse ponto/Tem sorvete de cajá