UM SOM EM CADA CANTO
Os cantos dos orixás dão início às festividades em homenagem aqueles que regem essa terra. O batuque dos agogôs e tambores marcam os cortejos que descem as ladeiras, o som do carrinho do camelô anuncia mais um dia de luta, a batida das mãos dá o compasso no samba de roda. A musicalidade encanta e está presente em cada canto de Salvador, e foi por isso que ela recebeu, neste ano, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o título de Cidade da Música.
Em homenagem à cidade da Bahia, como era chamada antigamente a capital baiana, a 11° Turma do Correio de Futuro apresenta o “Em Cantos”. Neste caderno, você vai conhecer pessoas, lugares, sabores e símbolos, por meio de 12 reportagens inspiradas em letras de músicas que traduzem de alguma forma a composição dessa terra de tantos ritmos, sons e personalidades.
Aqui, "Back in Bahia contada por Gil e Gal" nos leva àquela Salvador da qual Gilberto Gil matou saudade em 1971, ao retornar do exílio em Londres, junto com Caetano Veloso. Na mesma década, Caê escreveu Três Travestis, canção que norteia a reportagem “Gerações Travestis”. Nela, você vai conhecer as conquistas e temores de travestis de gerações diferentes.
Aprendemos cedo que o mar é bonito quando quebra na praia, assim como entendemos desde sempre que ele e os pescadores são grandes inspirações para as obras de Caymmi. São eles, o mar e os pescadores, os personagens centrais de “No Balanço dos Amores”, reportagem homônima à música do álbum Canções Praieiras, marco inicial das com-
posições caymminianas. No mar ou na terra, os sentimentos estão sempre circulando. Amor de Buzu, de Silvanno Salles, conduz a matéria “Buzu não se pega, se conquista”, com histórias de casais que se conheceram dentro de coletivos da cidade.
Os sabores próprios de lugares escondidos de Salvador, como o cozido do Beco do Cirilo, na Caixa D’Água, são desvendados em “Escondido é Mais Gostoso”, produção que nasceu a partir da música Beco do Siri, cantada pelo É o Tchan. Outro lugar que habita o imaginário de Salvador é o bairro do Barbalho. A reportagem “Garotas do Barulho” inspirada em Tradição, de Gilberto Gil, apresenta perfis de ilustres moradoras do local e resgata os costumes de uma Salvador da década de 50, “no tempo em que Lessa era goleiro do Bahia; um goleiro, uma garantia”.
Falar da música baiana é contar, também, as tradições do samba. Entrevistamos Riachão, um dos maiores ícones desse gênero. Numa conversa ritmada e divertida, o cantor e compositor transmite a sua cultura musical vivida através de histórias ao longo dos seus 95 anos. Já tem idade para se aposentar, mas continua fazendo samba para nossa alegria. Em “Herdeiras de Tia Ciata”, as peripécias de cinco sambadeiras que, assim como a vovó cantada na música do É o Tchan, não têm nada de acanhadas.
A fotoreportagem “Eu sou Negão”, título também da música de Gerônimo, traz a pluralidade de visões sobre o que é ser negro e na cidade de Salvador. Na reportagem “Bispo do Cartaz”, o personagem da música O Maluco que Sabia, de Sine Calmon, faz o que nossa reportagem fez no último mês: anda pelas ruas de Salvador. Boa leitura!

Da esquerda para direita: Maryanna Nascimento, Heitor Oliveira, João Bertonie, Renata Drews, Nilson Marinho, Jordan Dafné, Vanessa Brunt, Roni Pereira (embaixo), Uilson Campos, Gabriel Soares | Foto: Arisson Marinho

