A olho nu

olho nuSomos dez, naturalmente diferentes, escolhidos por e para seremos diferentes. Cada cabeça é um mundo, diriam. Dez planetas com formas, temperaturas e idades diferentes, a anos-luz uns dos outros, dentro da mesma galáxia girando vertiginosamente em torno do mesmo eixo. Em círculos.

Cada planeta tem o seu trajeto e durante a maior parte do tempo está empenhado a girar em torno de si mesmo. Cuidar dos seus ecossistemas e das vidas que moram em sua superfície. Graças à volta em torno do astro-rei, cruzamos uma vez a cada ciclo o caminho uns dos outros, mas, salvo estes encontros, não somos plenamente capazes de dizer muito sobre cada um de nós.

Uns dia, outros noite; uns solstício, outros equinócio; apesar das diferenças, guardamos uma semelhança. O que nos mantém flutuando na galáxia é o poder de atração deste astro central na nossa dança circular. Ele nos dá organização e configura o que podemos chamar de “sistema”. Imersos nesta ordem, os dez continuam a contagem de seu tempo, mas como parte do mesmo sistema aguardam o um novo fenômeno astrológico. Cada cabeça é um mundo e todos os mundos esperam o alinhamento dos planetas.