Depois que acaba vem outro começo

Depois que acaba vem outro começo

Ontem foi dia de passeio. Visitamos a gráfica Santa Helena, onde são impressos os exemplares do Correio*. Chegando lá, Waldec Souza, o líder de impressão do jornal, explicou como funciona todo o processo após o fechamento de cada edição. “A impressão ocorre por meio de um sistema off set, isso significa que o processo é indireto. A chapa passa para a banqueta, que passa para os dois lados do papel ao mesmo tempo”, complicou Waldec.

Pra ajudar a compreender como funciona o trabalho da gráfica, Antônio Jorge Pinto, o supervisor de manutenção, veio participar da conversa. Estávamos todos reunidos em uma sala, e os dois tentavam fazer a gente entender a complexidade da coisa. Não tava fácil lá dentro, mas quando partimos para conhecer as máquinas e observar o processo de perto tudo ficou mais claro.

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Após o fechamento, o jornal envia o arquivo da edição para a gráfica. Quem assume por aqui é Antônio Jorge Araújo, operador de pré-impressão. Ele verifica se está tudo certinho e dá o ok para a impressão das páginas nas chapas. Graças a esse outro Antônio Jorge, o jornal já se livrou de muitos esparros e evitou a publicação de vários erros.

Cada página é gravada em quatro chapas de alumínio por meio de um processo de revelação química. Cada uma dessas chapas descartáveis revela uma única cor: cyan (ciano), amarelo, magenta ou preto. Juntas, essas quatro cores podem formar outras 260 milhões. As chapas são de espessura fininha, e depois de reveladas são encaixadas na máquina impressora. Segundo os funcionários da gráfica, o tempo de revelação das páginas de uma edição dura aproximadamente 25 minutos.

A chapa de alumínio depois da revelação

Além das chapas, a impressora também precisa de papel. Uma tiragem de 60 mil exemplares, por exemplo, utiliza duas bobinas e meia. Cada uma dessas bobinas pesa 500kg e tem capacidade de gerar até 24 mil exemplares. O fechamento da edição acontece às 23h na redação, exceto em dias de jogos, quando se estende até meia noite. Às 2h tudo deve estar impresso na gráfica.

A máquina roda as páginas na ordem, porém, imprime uma sequência de no máximo 40 páginas. Quando a edição apresenta um número maior que esse, algumas páginas são rodadas separadamente e depois encartadas junto ao resto, de forma manual, por cerca de 30 pessoas que atuam na madrugada.

As bobinas de papel empilhadas na gráfica

As bobinas de papel empilhadas na gráfica

Trabalhoso, complicado e caro

Essa foi minha primeira semana de imersão no online. Escrevo as matérias, coloco no sistema, alguém lê, modifica algo do texto quando necessário e, depois de alguns cliques, a matéria entra no site. No mesmo instante, qualquer um que tiver acesso à internet pode ler o que foi postado. Isso não é nenhuma novidade.Também não é novo ouvir como é caro manter o impresso. Mas ontem todas essas questões se materializaram na nossa frente, ao conhecer o maquinário, as etapas e alguns custos.

Uma Cityline Express “anã” é a máquina que o jornal utiliza para as impressões. Ela é indiana, mas conta com tecnologia alemã e custa R$ 2,5 milhões. Depois de encomendada, demora um ano para ser entregue e outros três meses para ser montada. As bobinas de papel empilhadas pela gráfica formam grandes colunas. O papel é importado do Canadá ou da Rússia. Também é produzido no Brasil, mas é mais caro comprar por aqui do que trazer da gringa. Ou seja, que bom podermos nos dar ao luxo de ler notícias diárias em papel; por enquanto.

 

A turma e o ritmo frenético da Cityline "anã"

A turma e o ritmo frenético da Cityline “anã”